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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Professora do Instituto Estadual de Educação é agredida por aluno em Florianópolis

Aluno da 5ª série teria xingado e dado tapas na educadora

Uma professora do Instituto Estadual de Educação, em Florianópolis, foi agredida e ofendida por um aluno da 5ª Série do Ensino Fundamental na manhã desta quinta-feira. A professora prestou queixa contra o adolescente de 12 anos.

Segundo a professora de português, que não quis se identificar, o problema começou quando ela repreendeu o adolescente porque ele estava brincando com um telefone celular durante a aula.

Depois que se recusou a guardar o aparelho, o adolescente teria se levantado e dito que não o guardaria, pois o celular era dele. A professora pediu que o rapaz lhe entregasse o aparelho e se encaminhasse à coordenação da escola. Ele teria se recusado e começado a agredir física e verbalmente a professora.

— Ele veio para cima de mim, me deu um tapa no braço e veio para me dar um soco. Eu disse que se ele tivesse esse tipo de atitude, teria que encaminhá-lo para a polícia — contou a professora, ainda abalada.

Segundo ela, o rapaz continuou a xingá-la e passou a chutar as carteiras de outros alunos. Depois que ela pediu que um estudante chamasse o coordenador, eles foram para a direção.

— Me senti desvalorizada e magoada. Minha vida é a escola e a sala de aula, eu adoro o que faço — desabafou, aos prantos, a professora.

De acordo com a professora, esta foi a primeira vez em que teve este tipo de problema em 21 anos de profissão.

— Infelizmente as autoridades competentes acabam permitindo que esses alunos continuem nas escolas — disse.

O aluno, que já teria um histórico de agressões verbais a outros professores, deve ser dispensado das aulas por um período de três a sete dias, segundo a diretoria da escola. Ele também pode ser afastado definitivamente do IEE. A professora recebeu folga por tempo indeterminado.

— A gente sabe que isso abala, sim. Ela ficou ferida no braço, mas também no coração. Vamos dar todo o apoio necessário a ela — disse a diretora geral do Instituto, Gilda Mara Marcondes.

Em agosto, o IEE já havia registrado outro caso de agressão a um professor da instituição. Na ocasião, a mãe de uma aluna agrediu uma professora. O caso motivou uma manifestação na escola, que chegou a suspender as aulas em repúdio à agressão.


DC

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Florianópolis teve três agressões graves contra professores só neste ano


Alguns educadores sequer registram queixa por medo das ameaças



A professora da rede estadual que foi agredida por uma mãe de aluno há cerca de 15 dias voltou ao trabalho nesta semana. O caso ocorreu no Instituto Estadual de Educação, no Centro de Florianópolis e não foi o único. Pelo menos outras três agressões graves contra professores foram registradas em 2008 e 2009 na capital catarinense.

No ano passado, o diretor do colégio Celso Ramos, também no Centro da cidade, foi agredido por um aluno. Na escola Presidente Roosevelt, em Coqueiros, uma professora foi agredida por uma mãe de aluno este ano.

Há três meses uma das professoras da escola Daysi Werner Salles, em Capoeiras, foi ameaçada de morte por denunciar um aluno que teria abusado sexualmente de estudantes dentro da escola. Por fim, o caso mais recente: mãe de aluna dá tapas e pontapés numa professora do IEE.

A orientação do Sindicato dos Trabalhadores da Rede Estadual de Ensino é para que se faça sempre um Boletim de Ocorrência, incklusive em situação de simples ameaça. Ainda assim, nem sempre os professores conseguem vencer o medo.

Um educador que não quis se identificar conta que sofreu amaeças de um aluno:

— Ele não queria sair da sala, queira ficar na sala incomodando. Falou que ia voltar aqui amanhã, que ia me matar, que ia trazer o tio dele para me matar e que para ele é facil arrumar uma arma na localidade onde mora.

O professor registrou a ocorrência na delegacia, mas retirou a queixa por medo de ser assassinado. Ele conta que tem esposa e filha e por isso resolveu voltar atrás.

Situação comum

De acordo com o sindicato a situação é comum. Na maioria das vezes o professor é ameaçado por alunos que tem ligação com tráfico de drogas nas proximidades das escolas. O medo é rotina nas escolas estaduais.

— Essas ameaças são diárias. O que leva, inclusive, muitos professores a estarem com doenças como depressão, diz a coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte-SC), Joaninha de Oliveira.

O sindicato não tem o número total de ocorrências de agressões contra professores por parte de mães e alunos em 2009. Com os poucos dados divulgados, é possível ter uma noção de como é dar aula hoje na rede pública de Florianópolis.

— A gente nunca sabe o dia de amanhã, o que vai acontecer. Os professores têm muito medo de trabalhar na nossa unidade escolar, relata o professor.

A Secretaria de Educação afirmou que realiza trabalhos de prevenção e coscientização junto a alunos, pais e professores nas escolas. Em situações mais graves pode ser solicitado o apoio da polícia através de rondas diárias.

Assista à matéria da RBS TV

DC

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Mãe que agrediu professora no Instituto de Educação em Florianópolis se diz arrependida


Atitude teria sido provocada porque filha chegou em casa com arranhões no rosto e no pescoço


A mãe que agrediu uma professora no Instituto Estadual de Educação (IEE), em Florianópolis, na última quinta-feira, se diz arrependida por ter perdido o controle.

Em entrevista ao jornal Hora de Santa Catarina, a mãe contou sua versão sobre a confusão que chegou a deixar cinco mil alunos sem aula na sexta-feira.

Segundo a mãe, a filha chegou da escola com arranhões no rosto e no pescoço, e para ela, a professora teria sido a responsável pelos machucados na criança de oito anos.

Intimadas a depor

Um boletim de ocorrência foi registrado pela professora, que também fez exame de corpo de delito para comprovar a gravidade do caso.

A mãe também realizou o mesmo procedimento. Segundo o delegado da 1ª Delegacia de Polícia da Capital, responsável pelo processo, assim que os laudos dos exames chegarem à delegacia, que deve ser ainda nesta semana, a vítima e a agressora serão intimadas a depor.

Devido a gravidade da situação, os depoimentos devem ser colhidos o mais rápido possível, no máximo na próxima semana, afirma o delegado.

Afastadas da escola

A coordenadora do IEE, Ângela Zavarize, informou que criança foi "convidada a se retirar da escola", com o objetivo de protegê-la de agressões de colegas e dos pais de outros alunos. Ela garantiu que não se falou em expulsão e, por um tempo, a escola achou melhor afastá-la.

Tentando se recuperar, a professora contou na noite de terça-feira, que continua com a versão de que a briga teria começado depois que ela resolveu sortear chicletes e uma tatuagem entre os estudantes e a menina, sentiu-se contrariada por não ter sido sorteada.

— Eu quero esquecer isso e volto para a escola em 15 dias. A menina ficou nervosa e até chutou uma cadeira. Não sei se fui eu, tentando separá-la de outros alunos, ou uma das crianças, quem arranhou o pescoço dela — afirma a professora.

Entrevista

Quando a mãe contou ao jornal Hora de Santa Catarina sobre os tapas que deu no rosto da professora, ela afirmou que perdeu o controle e não faria novamente, mas continua acreditando que a educadora foi responsável pelos machucados.

A partir desta quarta-feira, a menina, que permaneceu quieta e com olhar tímido durante a entrevista, começa a estudar em outra escola. A mãe disse que não queria que a filha pagasse pelo erro, e sentiu obrigada em retirá-la do IEE. Acompanhe trechos da entrevista.

Hora de Santa Catarina — O que aconteceu entre o meio-dia e o início da tarde de quinta-feira?

Mãe — Minha filha de 17 anos chegou em casa com a mais nova, que chorava sem parar e estava machucada. Elas contaram que a professora tinha batido na menina por causa de uma touca. Eu perguntei para ela se tinha feito algo de errado e ela negou. Fui com ela até a escola para conversar com a direção e saber o que tinha acontecido. Quando cheguei, dois colegas dela disseram que ela tinha apanhado da professora.

Hora — Você tinha intenção de bater?

Mãe — Não, nunca bati em ninguém. Minha filha já teve problemas com outras crianças por causa do excesso de peso. Os coleguinhas diziam que ela não tem coração por ser gorda e ela empurrava. Quando isso acontecia, a escola me chamava. Nesse dia a professora quis abafar o caso e não chamar a direção. Ela errou em agredir minha filha. Quando cheguei perto, virei leoa e parti para cima.

Hora — Quando parou de bater?

Mãe — Eu segurei a boca dela e dei tapas. Ela caiu e não dei chute porque acabei de fazer uma cirurgia. Eu disse para ela nunca mais fazer isso com filho de ninguém. Parei quando os outros professores me pegaram. Ficamos duas horas dentro da escola, porque a direção queria abafar o fato, mas não aceitei. Fui para a delegacia e no B.O. disse que minha filha tinha sido agredida e que eu também agredi a professora. Depois fomos fazer exame de corpo de delito.

Hora — Você se arrepende? Faria novamente?

Mãe — Eu sei que perdi a razão quando bati nela, não faria novamente. Me arrependo por ter perdido o controle, mas sei que minha filha não mente e a professora está errada. Eu acredito nisso e não vou deixar de dizer isso para quem quiser ouvir. Acredito que essa professora não tem preparo para lidar com as crianças.

Hora — E o que vai acontecer agora?

Mãe — A família quer esquecer tudo isso. Minha filha está muito triste e eu também. Ela está sofrendo com a mudança de escola, de amigos. Eu me senti ofendida quando me disseram que iriam expulsá-la. Ela não é uma marginal, um monstro. Eu errei, mas a professora também errou. Vão afastar ela? Porque minha filha tem que passar por tudo isso?

Alessandra Toniazzo | alessandra.toniazzo@horasc.com.br

DC

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Professores protestam contra agressão em escola de Florianópolis

Sem se explicar, mãe de aluna bateu em professora na quinta-feira

Cerca de cem professores do Instituto Estadual de Educação (IEE) fazem um protesto na tarde desta sexta-feira no Centro de Florianópolis em repúdio à agressão sofrida por uma professora dentro da escola. Na quinta-feira, a mãe de uma aluna agrediu a professora.

As aulas estão suspensas na unidade de ensino desde esta manhã. Três policiais acompanham a manifestação dos professores, que usam apitos e carregam cartazes. O trânsito é interrompido momentaneamente em algumas vias próximas à rua Tenente Silveira, no Centro da Capital.

A agressão aconteceu na quinta-feira. Segundo o coordenador de ensino do IEE, Vendelin Santo Borguezon, a mãe chegou na escola e pediu para a filha chamar a professora, que estava na sala reservada aos docentes.

Quando a professora foi atendê-la, a mulher começou a agredi-la. O coordenador afirmou que a mãe não disse os motivos da agressão, nem conversou com a diretoria do IEE. Um boletim de ocorrência foi registrado na polícia.


DIÁRIO CATARINENSE