quinta-feira, 20 de maio de 2010

No Dia Mundial das Hepatites entenda a diferença entre os tipos A, B e C


Mais conhecida como Amarelão, a hepatite é atualmente uma das doenças de maior incidência no mundo. Por isso, dia 19 de maio é o dia da luta contra este problema. “A hepatite consiste na inflamação do fígado, de maneira que compromete suas funções e provoca algumas anormalidades”, afirma Paulo Abrão Ferreira, coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Bandeirantes, do Grupo Saúde Bandeirantes, em São Paulo, e do ambulatório de infectologia da UNIFESP.

Entre as anormalidades, destaque para a icterícia, que é o acúmulo de bilirrubina – pigmento esverdeado usado pelo fígado para produzir bile e ajudar na digestão de gorduras e funcionamento do intestino –, o qual faz com que a pele e as mucosas fiquem amareladas. Assim, quando a pessoa está com hepatite ocorre uma dificuldade de metabolização e eliminação da bile para o intestino.

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Outra consequência da doença é a dificuldade na eliminação de substâncias tóxicas e na fabricação de proteínas. Além disso, a hepatite, ao longo dos anos, pode dar origem à cirrose, estágio final da inflamação no fígado que destrói as células, forma fibrose (tecido de cicatrização que não tem a função das células saudáveis), nódulos (outra tentativa frustrada do organismo para realizar as funções das células sadias) e impede que o sangue circule livremente pelo fígado.

São vários fatores que podem causar a doença, o que faz com que o tratamento e as consequências variem de acordo com cada caso. “A hepatite pode ser autoimune, no caso do sistema imunológico classificar seus próprios tecidos como estranhos, atacando-os para destruí-los; também pode ser causada por ingestão exagerada de álcool, medicamentos e drogas, visto que é no fígado que essas substâncias são processadas; ou pode ser viral (adquirida através de vírus)”, diz o infectologista.

As hepatites virais, as mais comuns, são classificadas em A, B e C. A do tipo A, conhecida como hepatite do viajante, é transmitida por via oral devido a ingestão de água e alimentos contaminados, no caso de contato com as fezes humanas, sendo comum quando o saneamento básico é precário. Para evitar a contaminação existe vacina apropriada.

Quando adquirida, os sintomas começam a aparecer após cerca de 30 dias, sendo que os iniciais são mais amenos, como fadiga, o mal-estar, falta de apetite, náuseas, vômitos, febre baixa, desconforto na região do abdômen e diarréia. Em 60% dos adultos e em 25% das crianças é comum a icterícia. Não é considerada uma hepatite grave e seu índice de mortalidade é muito baixo. Não há um tratamento específico, de maneira que a melhor forma de evitá-la é através da higiene e da vacinação.

Já a hepatite B é transmitida sexualmente ou via sangue (transfusão e uso de drogas ilícitas), agulhas, materiais cortantes contaminados como na colocação de piercings e no processo de realização de uma tatuagem, em tratamentos dentários, alicates de manicures e até mesmo em sessões de depilação. “A doença pode se tornar crônica em 15% dos casos, sendo que dessa porcentagem cerca de 25% a 40% podem evoluir para a cirrose”, revela Ferreira.

Seus sintomas se aproximam da hepatite do tipo A e podem ser manifestados após um período de 90 dias. Como prevenção da doença recomenda-se o uso de preservativo nas relações sexuais assim como materiais cortantes e agulhas esterilizadas ou descartáveis. Também são indicadas as três doses da vacina de hepatite B e reforço a cada 10 anos.

A hepatite C, considerada pela Organização Mundial de Saúde o maior problema de saúde pública, é a responsável pela maioria dos transplantes hepáticos, já que se estima que 3% da população mundial esteja contaminada, atingindo níveis dez vezes maiores no continente africano. Essa transmissão, que ocorre mais facilmente do que a AIDS, geralmente acontece através de acidentes profissionais, transfusão de sangue e injeção compartilhada de drogas ilícitas de pessoas que têm o sangue ou secreção contaminados pelo vírus HCV.

Diferente dos sintomas das hepatites A e B, a maioria dos casos de hepatite C não apresenta sintomas na fase aguda ou, quando eles se manifestam, são muito leves. “O alerta para a doença se faz necessário, visto que mais de 80% das pessoas contaminadas chegam a desenvolver hepatite crônica e só descobrem o problema através de exames pedidos por outros motivos”, complementa.

Todos os indivíduos que já apresentaram fatores de exposição ao vírus devem solicitar ao médico que peça o exame específico para o diagnóstico, pois a doença tem um longo período sem sintomas. Em alguns casos, a doença aflora e é percebida décadas após a contaminação, através das complicações: cirrose em 20% e câncer de fígado em 20% dos casos com cirrose. Por isso, a prevenção é imprescindível e pode ser feita com o uso de materiais cortantes esterilizados ou descartáveis, pois não existe vacina para a hepatite C.

“O período de incubação do vírus da hepatite C é de 45 dias. Esta doença tem tratamento com interferon peguilado e ribavirina, com chance de cura completa em cerca de 50% dos casos. Possuem melhores respostas ao tratamento os pacientes com idade inferior a 40 anos, do sexo feminino, mais magros”, finaliza o infectologista. É fundamental a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento especializado das hepatites para evitar complicações futuras.

Abril.com

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