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domingo, 8 de janeiro de 2012

Mosquito da dengue já resiste a inseticida, mostra estudo

A lógica de que exagerar na dose de analgésicos pode tornar a pessoa mais resistente à dor se aplica ao veneno para o controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue.

Uma pesquisa da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu aponta que o emprego excessivo de inseticidas, tanto o aplicado pelas prefeituras quanto os usados em casa, induz o mosquito a ter uma resistência genética maior ao veneno.

O trabalho fez o mapeamento genético de 95 mosquitos em sete cidades paulistas, com diferentes incidências de casos de dengue.

Em laboratório, também foi avaliado como o organismo das larvas do inseto respondia ao veneno.
MAPEAMENTO

A resistência dos insetos a diferentes venenos já vem sendo mapeada pelo Ministério da Saúde e por órgãos estaduais. Em São Paulo, o acompanhamento é feito pela Sucen (Superintendência de Controle de Endemias).

O estudo também toma por base a série histórica dos dados de resistência, catalogados desde 1996 em diferentes cidades pela Sucen.

A estimativa aponta, por exemplo, que, enquanto em Marília, com poucos registros de dengue, os inseticidas públicos matavam ao menos 80% dos mosquitos, em Santos a taxa de sucesso chegava à metade em alguns casos.

"É preciso periodicamente analisar a eficácia, porque a resistência é um processo. O que é bom hoje pode não ser no próximo verão", diz Maria de Lourdes Macoris, que trabalha na Sucen de Marília e é autora do estudo.

Em laboratório, foram selecionadas cerca de 150 larvas do mosquito para cada cidade estudada. Nessa fase, a da análise bioquímica, o metabolismo das larvas mais resistentes ao inseticida mostrou maior atividade das enzimas do grupo das esterases, ligadas à capacidade de neutralizar o veneno.

O estudo também analisou o material genético de 95 mosquitos, nascidos de ovos obtidos em cada um dos municípios escolhidos.

Segundo a pesquisadora, o material genético de cada grupo de mosquito variou muito, o que revelou um baixo fluxo gênico, ou seja, pouca mistura entre as diferentes populações do inseto.

VARIADO

Como a genética do Aedes revelou ser muito variada de uma localidade para outra, isso indica, de acordo com Macoris, que o mosquito tende a se estabilizar em cada local e a desenvolver diferentes níveis de resistência a inseticidas, conforme a exposição do animal à substância.

Órgãos públicos já controlam o veneno, diz a pesquisadora, mas a orientação é que, dentro de casa, o uso seja moderado. "Ainda existe essa cultura nas pessoas de acreditar na eficácia do inseticida em casa", afirma.

O Ministério da Saúde também alerta para o uso doméstico exagerado de inseticidas contra o mosquito.

Há 12 anos, o governo criou um sistema de monitoramento da eficácia dos venenos aplicados. Vinte cidades paulistas foram selecionadas.

A cada dois anos, as prefeituras recolhem ovos do mosquito para serem analisados em laboratórios da rede pública de saúde. O veneno é trocado sempre que a taxa de resistência fica muito alta.

JULIANA COISSI
DE RIBEIRÃO PRETO
http://www.uol.com.br/

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Mais perto do fim da dengue?

Pesquisadores liberam em cidade australiana quase 300 mil mosquitos infectados com uma bactéria que inibe o desenvolvimento do vírus da dengue. Os insetos resistentes substituíram rapidamente a população natural de mosquitos, sem causar impacto ambiental
Pesquisadores criaram em laboratório mosquitos resistentes ao vírus da dengue e que não transmitem a doença. (foto: Colyn Huber)



Todo ano, são registrados cerca de 50 milhões de casos de dengue no mundo. No Brasil, a doença já se tornou epidemia. Mas autores de uma pesquisa publicada esta semana na Nature prometem mudar esse quadro ao liberar na natureza mosquitos Aedes aegypti infectados com uma bactéria que inibe a transmissão do sorotipo 2 da dengue.
Há mais de dez anos, pesquisadores da Universidade de Queensland e de Monash, na Austrália, estudam a bactéria Wolbachia, inofensiva para humanos e comum em muitos insetos, como a mosca-da-fruta. Recentemente, eles descobriram que, quando injetada em embriões de mosquitos, a bactéria é capaz de inibir o desenvolvimento do vírus da dengue nos insetos.
Se os mosquitos não servem mais de lar para o vírus, também não transmitem a doença para humanos. A pesquisa poderia ter parado por aí, mas a equipe de cientistas decidiu substituir uma população natural de mosquitos pelos insetos infectados com a bactéria e resistentes ao vírus da dengue, um feito inédito segundo os autores.
Em laboratório, eles usaram agulhas superfinas para injetar a bactéria em 2.541 ovos de A. aegypti. Depois do nascimento, os insetos passaram a se reproduzir entre si e, como a bactéria é transmitida de mãe para filho, todos se mantiveram infectados.




Durante três meses, milhares de mosquitos infectados com a bactéria ‘Wolbachia’ foram soltos em dois bairros residenciais da cidade de Cairns, na Austrália. (foto: Colyn Huber)


Dois bairros da Austrália, Yorkeys Knob e Gordonvale, da cidade de Cairns, foram escolhidos para a pesquisa de campo. Nesses locais, os cientistas liberaram 299.900 mosquitos infectados durante três meses. A cada duas semanas, os pesquisadores verificavam a frequência desses insetos nos bairros e, se fosse baixa, soltavam mais mosquitos.
Substituição rápida e eficaz.
Além de tornar os mosquitos resistentes ao vírus da dengue, a Wolbachia provoca uma anomalia reprodutiva. Se um macho infectado se reproduz com uma fêmea normal, sem a bactéria, os embriões morrem precocemente. Mas para uma fêmea infectada não faz diferença se o parceiro carrega ou não o microrganismo, pois os filhotes necessariamente herdam a bactéria.
Desse modo, a fêmea infectada ganha vantagem reprodutiva sobre as fêmeas normais, que podem carregar a dengue, e logo os mosquitos imunes à doença tomam conta do local.
“O controle da dengue tem se baseado na redução das populações do mosquito transmissor, mas essa tática é falha e precisava de uma alternativa”, diz o líder da pesquisa, o biólogo Scott O’ Neill. “Com a nossa técnica, conseguimos controlar a dengue de modo eficiente, sustentável e a baixo custo, pois o investimento é feito somente uma vez e não constantemente como nos programas de controle baseados em inseticidas.
Os mosquitos resistentes rapidamente substituíram a população de mosquitos normais em Cairns. Duas semanas após a primeira soltura, eles já representavam 15% dos insetos nos dois bairros. Cinco semanas depois do fim das liberações, eles chegaram a dominar 100% da população de mosquitos A. aegypti em Gordonvale e 90% em Yorkeys Knob.
“A grande vantagem dessa técnica é que são necessários poucos insetos. Não precisamos continuar a colocar o mosquito na natureza, pois, depois de solto, ele se autoestabelece devido às vantagens adaptativas que a bactéria provê”, pontua o biólogo e coautor da pesquisa Luciano Moreira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Em 2009, Moreira já havia publicado um trabalho sobre o uso da bactéria Wolbachia na revista Cell com o mesmo grupo de pesquisa.

Estudo expandido
Em estudos anteriores, pesquisadores já haviam verificado, em laboratório, a capacidade da Wolbachia de inibir o vírus da dengue, mas as cepas usadas causavam efeitos colaterais nos mosquitos, que passavam a viver menos e colocar menos ovos, tornando mais difícil a sua sobrevivência.
Esses efeitos negativos foram eliminados no estudo atual e por isso a substituição da população de mosquitos não representou riscos para o equilíbrio ambiental. “Nós apenas alteramos a população de mosquitos, não a eliminados ou reduzimos, então não há impacto”, diz O’ Neill.
Por outro lado, o biólogo Luciano Moreira alerta que a pesquisa de campo foi feita em um país onde a dengue não é um problema sério e destaca a importância de que o experimento seja repetido em locais onde a doença é mais presente e a população de mosquitos mais estável durante o ano.
Já estão programados testes de campo no Vietnã, Tailândia e Indonésia. Também há a possibilidade de o experimento ser feito no Brasil Com isto em vista, os pesquisadores já programaram testes de campo no Vietnã, Tailândia e Indonésia, países com alta incidência da dengue. Também existe a possibilidade de que o experimento seja feito no Brasil, mas as negociações para isso ainda estão no início.
Embora a pesquisa tenha sido feita apenas com o sorotipo 2 da dengue, Moreira conta que estudos preliminares demonstraram que a bactéria Wolbachia inibe os outros três tipos do vírus. O pesquisador calcula que daqui a cerca dois anos os cientistas já tenham resultados conclusivos sobre a ação da bactéria para outros sorotipos.
Além disso, a Wolbachia também se mostrou eficaz para o combate de outras doenças, como a malária e a febre Chikungunya, doença viral – transmitida pelo A. aegypti e comum na Ásia – que fez sua primeira vítima no Brasil em agosto do ano passado.
Sofia Moutinho

Ciência Hoje On-line


































terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Pesquisa testa vacina contra dengue produzida com feijão

Uece (Universidade Estadual do Ceará) está desenvolvendo o que pode vir a ser a primeira vacina de origem vegetal contra a dengue.
O imunizador, que deverá ser testado em humanos nos próximos meses, já se mostrou eficaz em camundongos, que conseguiram produzir anticorpos contra a doença.
O feijão-de-corda (Vigna unguiculata) ou feijão-fradinho --utilizado no preparo do acarajé baiano-- serviu de base para a produção da vacina.
Maurício Vieira/Fotosite
Feijão-fradinho serviu de base para a produção da vacina brasileira; na foto, mosquito Aedes Aegypti, que transmite a dengue
Feijão-fradinho serviu de base para a produção da vacina brasileira; na foto, mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue
Os cientistas conseguiram o feito com a inserção de genes do vírus na planta.
O custo de prevenção pode ser menor que o de tratamento", avalia a bioquímica responsável pela pesquisa, Isabel Florindo Guedes.
Mesmo antes dos testes em humanos, o Núcleo de Inovação Tecnológica da universidade cearense já trabalha na transferência da tecnologia da vacina para o mercado.
A dengue matou 1.167 pessoas em 2010 na América Latina, onde foram registrados 1,8 milhão de casos, segundo dados da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).
Folha.com

terça-feira, 11 de maio de 2010

Brasil registra aumento de 80% nos casos de dengue em 2010


O Ministério da Saúde registrou do dia 1º de janeiro até o dia 3 de abril, 447.769 casos de dengue em todo o país. O número representa um incremento de 79,85% em relação ao mesmo período de 2009, quando foram notificados 248.970 casos. O balanço foi divulgado na tarde desta segunda-feira (10).

O levantamento indica ainda que 81% das notificações de dengue nas 13 primeiras semanas de 2010 estão concentradas em sete Estados, sendo que seis deles apresentam alta incidência em relação ao total da população. São eles: Acre (3.157,3 casos por 100 mil habitantes), Mato Grosso do Sul (2.507,8 casos/100 mil hab), Rondônia (1.585,1 casos/100 mil hab), Goiás (1.114,9 casos/100 mil hab), Mato Grosso (998,3 casos/100 mil hab) e Minas Gerais (490,5 casos/100 mil hab).

São Paulo também registrou incremento nos casos em relação ao ano passado. O Estado passou de incidência baixa (6,5 casos/100 mil hab) para média, com 152,6 casos/100 mil hab.

O Ministério da Saúde considera três níveis de incidência de dengue: baixa (menos de 100 casos/100 mil hab), média (de 100 a 300 casos/100 mil hab) e alta (mais de 300 casos/100 mil hab).

Em números absolutos, os sete Estados que respondem pela maior parte dos casos de dengue notificaram juntos 362.307 casos, do total de 447.769 registrados.

Outro dado que chama a atenção é o fato de que seis municípios concentram 28% dos registros de dengue no país: Goiânia (7,5%), Campo Grande (7,1%), Belo Horizonte (5,2%) Rio Branco (4,1%), Ribeirão Preto (2,6%) e Porto Velho (1,6%). Segundo o estudo, com exceção de Ribeirão Preto e Belo Horizonte, atualmente os demais apresentam tendência de redução de casos.

Casos graves e mortes
Até 3 de abril, foram registrados 2.561 casos graves de dengue (746 casos de febre hemorrágica do vírus e 1.815 casos de dengue com complicações). Segundo o relatório, isso representa uma redução de 30,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registrados 3.695 casos graves de dengue.

Ainda de acordo com o ministério, até o dia 3 de abril deste ano houve queda de 7,8% nas mortes. Este ano foram registradas 117 mortes, enquanto que no ano passado foram 127. Entretanto, as Secretarias Estaduais de Saúde informam que outros 82 óbitos suspeitos de dengue estão sendo investigados laboratorialmente.

O governo atribui a elevação de registros de casos neste ano ao aumento do calor e da chuva em todo o país. Outro fator apontado é a maior circulação do sorotipo viral DEN-1, presente com maior intensidade na década de 90 e que voltou a se disseminar em alguns Estados no final do ano passado. Circulam no país também os sorotipos DEN-2 e DEN-3.

Segundo o Ministério da Saúde, os recursos para ações de controle da dengue e de outras doenças, que têm repasse mensal aos Estados, foram mantidos, e o aporte extra de R$ 128 milhões feito em 2009 foi incorporado ao Teto Financeiro de Vigilância em Saúde, orçado em R$ 1,02 bilhão para 2010.

Número de mortes por dengue bate recorde
no Estado de São Paulo

SP bateu em 2010 o recorde de mortes por dengue. Foram pelo menos 64 casos desde janeiro.O número é o maior desde o início da contagem dos casos de dengue -em 1990- e representa quase o dobro do recorde anterior: 35 mortes em 2007.

UOL

sexta-feira, 26 de março de 2010

QUIZ da Dengue !!

Que tal testar seus conhecimentos sobre a dengue? Ver o que você sabe ou o quê ainda não descobriu. Aventure-se, entre no Quiz! Se tiver alguma dificuldade, basta ir a nossa Exposição Dengue, algumas respostas podem estar lá . Para executar o Quiz você necessita instalar o Shockwave.
Veja o Quiz de Dengue.

http://www.invivo.fiocruz.br/quiz.html


Mantenha sua cidade livre da dengue com o orkut

Todos os anos nós brasileiros lutamos contra a dengue, mas infelizmente muitos ainda são contaminados por essa doença. Nos últimos anos temos visto várias ações que mostram como é fácil aprender a combater a dengue. A iniciativa mais recente foi criada pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais, que lançou um aplicativo no orkut chamado Dengue Ville, onde você aprende a combater a dengue enquanto se diverte no orkut.

Qualquer usuário do orkut pode jogar, e o objetivo é combater focos da doença em uma cidade virtual. O jogador começa com tarefas simples, como evitar o acúmulo de água parada em pneus e garrafas, e outras tarefas mais difíceis surgem à medida em que o jogador avança de nível.





Depois de se divertir no Dengue Ville, use em casa e no seu bairro os conhecimentos aprendidos neste aplicativo. A dengue é um assunto sério, mas o governo de Minas Gerais nos mostrou que podemos nos divertir enquanto aprendemos a combater essa doença.

Postado por Frederico Quintão, engenheiro de software



Em: http://blog.orkut.com/2010/03/mantenha-sua-cidade-livre-da-dengue-com.html

sexta-feira, 12 de março de 2010

A Dengue através da linguagem lúdica do HQ



O objetivo dessa atividade foi ensinar Ciências de uma forma diferente, discutindo a situação atual da dengue no Brasil através de histórias em quadrinhos virtuais. As HQs produzidas pelos alunos falam dos sintomas,  formas de transmissão, sintomas, ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti, prevenção e tratamento, utilizando a internet e a linguagem lúdica



 das histórias em quadrinhos.
            Essa atividade foi desenvolvida nas aulas de Ciências das 6as. séries,  em 2009, no Instituto Estadual de Educação em Florianópolis, Santa Catarina.
            Inicialmente os alunos pesquisaram sobre a dengue nos livros didáticos e na internet  e assistiram ao vídeo chamado “O mundo macro e micro do mosquito Aedes aegypti”, postado no blog.
            Durante as primeiras aulas, na sala de informática, os alunos se familiarizaram com o software www.toondoo.com
            Antes de usarem o editor de HQ os alunos fizeram um planejamento com os seguintes itens:
            -Argumento: resumo da história.
            -Escaleta: organização de todas as cenas a serem criadas.
            -Roteiro: descrição de todas as cenas, com cenários, diálogos, personagens, enredo e finalização.
            -Formato: previsão do número de quadrinhos e número de páginas do HQ.
            O site http://toondoo.com permite a criação de tirinhas e de um  "gibi virtual". O usuário pode escolher cenários, tipo de balão, personagens, etc. Além disso, o site permite que o usuário pesquise, na internet e nos seus arquivos, imagens interessantes para acrescentar à HQ.  A HQ fica disponível para visualização privada ou pública no próprio site e pode também ser impressa ou ainda ser enviada via e-mail para amigos e professores ou enviada para blogs para publicação e divulgação. O site está em inglês,  mas é de fácil utilização, até mesmo para quem não domina o idioma, pois é bem intuitivo, com muitos recursos de imagem.
            Os alunos montaram as tirinhas no site toondoo e esse processo  levou 2 ou 3 aulas na sala de Informática. As tirinhas deram origem a um “gibi virtual” com uma URL específica.
            As histórias em quadrinhos foram avaliadas de acordo com os seguintes critérios: conteúdo trabalhado, criatividade e estética, interesse e participação das equipes. 
             Outras HQs sobre dengue produzidas pelos alunos das turmas 610, 611 e 612 podem ser visualizadas no site www.toondoo.com, usando para isso o serviço de busca do site

Sites pesquisados:



terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Com alteração no gene, cientistas criam mosquito da dengue sem asas

Uma nova variedade de mosquitos modificados geneticamente para não voar deve refrear a transmissão do vírus da dengue, segundo um estudo de pesquisadores das universidades de Oxford e da Califórnia.

O experimento, publicado hoje na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences", criou uma variedade de mosquito cujas fêmeas são incapazes de voar devido à interrupção provocada do desenvolvimento das suas asas.

Os machos dessa variedade carecem de sintomas visíveis de sua alteração genética mas, quando se acasalam com fêmeas selvagens, os mosquitos fêmea da geração seguinte já nascem sem poder voar.

Até agora, o experimento só foi realizado em laboratórios, mas se espera que a nova variedade desses insetos possa ser solta à natureza em 2011.

Segundo indicou Luke Alphey, pesquisador da empresa Oxford Insect Technologies (Oxitec) associada à universidade britânica, essa libertação representaria o desaparecimento dos mosquitos nativos entre seis e nove meses.


A febre da dengue, um vírus transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, afeta a cada ano entre 50 e 100 milhões de pessoas.

Embora haja estudos em andamento sobre a prevenção e cura da dengue, o uso generalizado de uma vacina contra o vírus ainda levará muitos anos, assegura Alphey. O pesquisador opina que "até então, o controle do mosquito será a única forma de controlar a doença".

"Se reduzirmos o número de mosquitos, poderemos reduzir a transmissão da dengue e com isso a mortalidade de pessoas", ressalta em comunicado outro dos membros do projeto, Anthony James, professor de microbiologia e genética molecular na Universidade da Califórnia.

A proposta dessa equipe representa, além disso, uma alternativa segura e eficiente para combater a dengue frente às inseticidas, "que sempre deixam resíduos tóxicos", acrescenta Alphey.

Os pesquisadores destacaram também que todos os habitantes das áreas tratadas se beneficiariam com a medida, e concordam na possibilidade de aplicá-la a outros espécies de mosquitos transmissores de doenças como a malária ou a febre do Nilo Ocidental.

Os países com mais casos de dengue registrados entre 1995 e 2008 foram Brasil, Colômbia, El Salvador, Nicarágua, Guatemala, Honduras, México, Peru e Venezuela. Além disso, a doença se difundiu consideravelmente nos últimos cinco anos na Argentina, Bolívia, Costa Rica e Paraguai.
Fonte: Folha de São Paulo
da Efe

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Unidos ao inimigo

© Rothamsted centre for bio imaging 2008
Aliado: substância tóxica (amarelo) na pata do mosquito
Uma equipe internacional encontrou uma estratégia proverbial para vencer um adversário difícil como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue: recrutar o próprio mosquito. Depois de uma boa refeição de sangue, as fêmeas procuram um lugar para descansar e se preparar para pôr os ovos. Foi nesses locais de repouso que o grupo liderado por Gregor Devine, do instituto britânico Rothamsted Research, espalhou armadilhas com pequenas doses de um análogo do hormônio juvenil (JHA) dos mosquitos. O experimento no cemitério público de Iquitos, na região amazônica do Peru, mostrou que bastam armadilhas em 3% a 5% das áreas de descanso para que as fêmeas espalhem o pó pelas poças em que depositam seus ovos. A substância não é repelente nem afeta o comportamento dos mosquitos, mas interfere na metamorfose dos jovens, que expostos ao JHA não chegam à fase adulta. Os resultados apresentados em 26 de junho no site da PNAS foi animador: uma redução entre 42% e 98% na emergência de adultos. Os autores sugerem usar o método em conjunção e alternância com outros, para evitar que os mosquitos desenvolvam resistência à substância.

Pesquisa FAPESP

quarta-feira, 27 de maio de 2009

ExpOnline - Exposição Dengue




A exposição traz informações sobre o ciclo de vida do mosquito, o vírus, a transmissão e as formas de controle da doença. Ela traça ainda um histórico da dengue desde as primeiras referências feitas à moléstia por David Bylon, em 1779, até os dias atuais. Após a visita você pode brincar um pouco e testar o que aprendeu no Quiz.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Vida do Aedes aegypti



Quais os hábitos de vida do Aedes aegypti?
O A. aegypti é um mosquito doméstico, vive dentro ou ao redor de domicílios ou de outras construções freqüentadas por pessoas, como estabelecimentos comerciais e escolas. Está sempre perto do homem e não se aventura às matas, por exemplo. Tem hábitos preferencialmente diurnos e alimenta-se de sangue humano, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer. Mas, como é oportunista, pode picar à noite.

Que fatores influenciam a infestação pelo vetor da dengue?
O A. aegypti é um mosquito antropofílico, isto é, ele vive perto do homem. Por isso, sua presença é mais comum em áreas urbanas e a infestação é mais intensa em regiões com alta densidade populacional e, principalmente, de ocupação desordenada, onde as fêmeas têm mais oportunidades para alimentação e dispõem de mais locais para desovar. A infestação por A. aegypti é sempre mais intensa no verão, em função da elevação da temperatura e da intensificação de chuvas – fatores que propiciam a reprodução do mosquito. Para evitar esta situação, é preciso adotar medidas permanentes para o controle do vetor, durante todo o ano, a partir de ações preventivas de eliminação de focos do A. aegypti. Como o mosquito tem hábitos domésticos, essa ação depende sobretudo do empenho da população.

Quais os principais criadouros do A. aegypti?
Pesquisas realizadas em campo indicam que os grandes reservatórios, como caixas d’água, galões e tonéis, são os criadouros que mais produzem A. aegypti e, portanto, os mais perigosos. Isso não significa que a população possa descuidar da atenção a pequenos reservatórios, como vasos de plantas, que comprovadamente atuam como criadouros. O alerta é para que os cuidados com os reservatórios de maior porte sejam redobrados, pois é neles que o mosquito seguramente encontra condições para se desenvolver de ovo a adulto. Em alguns bairros suburbanos do Estado do Rio de Janeiro, estes grandes criadouros produzem quase 70% do total de mosquitos adultos.

Como o mosquito se reproduz?
O acasalamento do A. ageypti se dá dentro ou ao redor das habitações, geralmente no início da vida adulta, nos primeiros dias depois que o mosquito emerge da água do criadouro. A desova acontece em criadouros com água limpa e parada, onde os ovos depositados são aderidos às paredes do recipiente, bem próximo à superfície da água, porém não diretamente sobre o líquido. Daí a importância de lavar, com escova ou palha de aço, as paredes dos recipientes que não podem ser eliminados, onde o ovo pode permanecer grudado.

Quantos ovos uma fêmea do A. aegypti pode pôr?
Uma fêmea pode dar origem a 1.500 mosquitos durante a sua vida. Os ovos são distribuídos por diversos criadouros – estratégia que garante a dispersão e preservação da espécie. Se a fêmea estiver infectada pelo vírus da dengue quando realizar a postura de ovos, há a possibilidade de as larvas já nascerem com o vírus – a chamada transmissão vertical.

Quanto tempo um ovo leva para se transformar em um mosquito adulto capaz de picar o homem para sugar sangue?

O ovo, que é escuro e mede aproximadamente 1 mm de comprimento, é depositado pela fêmea do A. aegypti nas paredes internas dos criadouros, próximos à superfície d’água. Em condições favoráveis de umidade e temperatura, o desenvolvimento do embrião é concluído em 48 horas. Um ovo pode resistir até um ano sem eclodir, por isso é muito importante lavar, com escova e palha de aço, as paredes dos recipientes que não podem ser eliminados, onde o ovo pode permanecer grudado.

Do ovo à forma adulta, o ciclo de vida do A. aegypti varia de acordo com condições climáticas, a disponibilidade de alimentos e a quantidade de larvas existentes no mesmo criadouro, uma vez que a competição de larvas por alimento em um mesmo criadouro com pouca água consiste em um obstáculo ao amadurecimento do inseto para a fase adulta. Nas condições típicas do Rio de Janeiro, esse processo geralmente leva um período de oito a doze dias.

Somente a fêmea pica o homem para sugar sangue, alimento necessário à produção de ovos. Geralmente, a hematofagia é mais voraz a partir do segundo ou terceiro dia depois que a fêmea emerge da água do criadouro. Machos se alimentam de substâncias açucaradas, como néctar e seiva.

Por quanto tempo os ovos do A. aegypti podem resistir, sem eclodir?
O período de maturação dos ovos varia segundo diversos fatores, como o clima: é concluído mais rapidamente em locais quentes e úmidos. Do desenvolvimento embrionário à eclosão, os ovos podem resistir a longos períodos de dessecação – até 450 dias, em média. Esta resistência é uma grande vantagem para o mosquito, pois permite que os ovos sobrevivam por muitos meses em ambientes secos, até que chuvas ou o próximo verão propiciem as condições favoráveis à eclosão. A resistência permite também que os ovos sejam transportados a grandes distâncias, em recipientes secos, tornando-se assim o principal meio de dispersão do inseto – dinâmica conhecida como dispersão passiva. Esse aspecto importante do ciclo de vida do mosquito demonstra a necessidade do combate continuado aos criadouros, em todas as estações do ano.

O Rio de Janeiro é mais vulnerável à dengue que outras cidades?
O A. aegypti prefere locais com altos índices de temperatura e umidade – fatores que além de acelerar o ciclo de vida do mosquito garantem a sobrevivência dos ovos fora d’água. O Rio de Janeiro apresenta frequentemente índices de 70% a 80% de umidade relativa do ar e temperaturas superiores a 25ºC. Além disso, é uma cidade densamente povoada e muito urbanizada – característica relevante para um mosquito doméstico como o A. aegypti, que tem o hábito de viver perto do homem. Por isso, o clima do Rio de Janeiro é, sim, favorável à sua proliferação. Também por isso a infestação pelo vetor é sempre mais intensa no verão. Para evitar esta situação é preciso adotar medidas permanentes para o controle do mosquito, durante todo o ano, a partir de ações preventivas que objetivem a eliminação de focos do vetor.

Há relação entre infestação de dengue e áreas desmatadas?
Os maiores índices de infestação pelo A. aegypti são registrados em bairros com alta densidade populacional e baixa cobertura vegetal, onde o mosquito encontra alvos para alimentação mais facilmente. Outro fator importante é a falta de infra-estrutura de algumas localidades. Sem fornecimento regular de água, os moradores precisam armazenar o suprimento em grandes recipientes, que na maioria das vezes não recebem os cuidados necessários e, por não serem completamente vedados, acabam tornando-se focos do mosquito. Os esforços para o controle da proliferação do mosquito da dengue certamente estão relacionados a medidas do governo, mas o comprometimento da população em eliminar criadouros domésticos é fundamental.

Instituto Oswaldo Cruz


A batalha contra os pernilongos

Entenda como se pega dengue e veja como você também pode ajudar a combatê-la


"Esse bicho é um chato!", você pensa depois de uma noite mal-dormida por causa do zumbido e das picadas dos pernilongos. Pois sinto lhe informar que se trata de uma chata, pois só a fêmea do pernilongo pica!

Quatro mil espécies (tipos) de pernilongos, com hábitos bem diferentes, voam pelos ares. Mas algo eles têm em comum: todos passam uma parte da vida na água e outra no ar. Para nutrir os ovos, que serão colocados na água, as fêmeas de algumas espécies precisam de sangue. Ao picar o homem e outros animais, elas obtêm o sangue de que necessitam. O problema é que alguns pernilongos carregam em seus corpos microrganismos causadores de doenças (malária, febre amarela e dengue, por exemplo). Ao sermos picados, podemos pegar uma dessas enfermidades.

Se você anda muito dengoso e tem dores por todo o corpo, fique de olho! Pode ser a dengue, doença causada por um vírus e que vem pegando muita gente (o que chamamos epidemia). O que o pernilongo tem a ver com isso? Podemos pensar na fêmea de pernilongo como se fosse uma seringa para tirar sangue: ela enfia a agulha (no caso, seu aparelho bucal) através da pele da pessoa e, ao atingir um vaso sangüíneo, retira um pouco do líquido vermelho.



O vírus da dengue circula no sangue dos doentes. Se a fêmea de pernilongo pica um doente, o vírus também vai para dentro do inseto. Ao picar outra pessoa, o mosquito injeta o vírus em seu sangue e ela pode pegar a doença. O pernilongo que leva o vírus da dengue de uma pessoa para outra se chama Aedes aegypti. Sem esse inseto, o vírus não é transmitido para outros indivíduos. Portanto, se diminuirmos o número de mosquitos, estaremos evitando que a dengue se espalhe.


Uma das maneiras de controlar os pernilongos é usar produtos químicos (chamados inseticidas), que eliminam as larvas e os adultos dos mosquitos. O problema é que alguns mosquitos são mais fortes e não morrem com o inseticida. Além disso, boa parte dos filhos e dos netos dos pernilongos fortes também são fortes. Assim, com o tempo, a maioria dos pernilongos é forte e o inseticida não faz mais efeito.



Não se sabe se o vírus da dengue faz com que o Aedes aegypti fique doente, mas esse pernilongo também tem seus inimigos. No combate à dengue, os cientistas estudam fungos, vírus, bactérias e protozoários que atacam o mosquito. Outra estratégia é buscar animais que se alimentem do Aedes aegypti. Mas esses inimigos naturais não conseguem sozinhos evitar uma epidemia.

Do ovo sai uma larva que cresce até a fase de pupa, quando o bicho está se preparando para virar um pernilongo adulto. Prontos para voar, macho e fêmea se acasalam e ela coloca seus ovos, dos quais também vão sair larvas


É aí que você entra. A fêmea do Aedes aegypti, que pica durante o dia, gosta de colocar seus ovos na água acumulada em pneus, garrafas, pratos de vasos de plantas e caixas d’água destampadas. Então, mãos à obra! Mantenha o quintal limpo, sem objetos que possam servir de berçário para o pernilongo!

adaptado do artigo originalmente publicado em Ciência Hoje das Crianças 80 escrito por Vívian Carlos Fernando S. Andrade, Departamento de Zoologia, Luciana Urbano dos Santos e Rejane Cristina Brassolatti, Departamento de Parasitologia, Universidade Estadual de Campinas