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terça-feira, 25 de maio de 2010

Nobel alerta para risco de monopólio em pedido de patente para célula sintética

Um conceituado cientista britânico, tido com um dos pioneiros do mapeamento do genoma humano, alertou que se for concedida a patente da primeira forma de vida criada artificialmente, ela poderá dar ao seu criador o monopólio sobre um amplo campo da engenharia genética.

Segundo o professor britânico John Sulston, ganhador do Nobel de Medicina em 2002 por suas pesquisas genéticas, a medida inibiria importantes pesquisas científicas.

Ele se refere aos resultados da pesquisa sobre vida artificial liderada nos Estados Unidos pelo cientista Craig Venter e apresentada na semana passada.

No passado, Sulston e Venter chegaram a se confrontar em uma disputa por propriedade intelectual quando os dois competiam para mapear a sequência do genoma humano, em 2000.

Na época, Craig Venter liderava os esforços do setor privado de patentear o genoma, com planos de cobrar pelo acesso à informação. John Sulston, da Universidade de Manchester, fazia parte de uma iniciativa do governo britânico e de instituições sem fins lucrativos para tornar o genoma acessível a todos os cientistas.

“O confronto 10 anos atrás foi sobre a distribuição de dados”, disse Sulston.

“Dissemos que este era o genoma humano e deveria ser de domínio público. E estou extremamente feliz por termos conseguido garantir isso.”

‘Várias técnicas’
Os antigos rivais agora travam uma nova disputa por causa da tentativa de Venter de pedir a patente do organismo criado artificialmente, batizado de Synthia. Os avanços foram publicados na semana passada na revista científica Science.

A equipe de Venter conseguiu introduziu um genoma sintético em uma célula. O genoma é o conjunto de genes de um organismo vivo. Os genes, feitos de DNA (ácido desoxirribonucleico), são a unidade básica da hereditariedade, sendo responsáveis por definir as características básicas de cada ser vivo.

No experimento, os cientistas pegaram células de uma espécie de bactéria que já existe (Mycoplasma micoides), tiraram do interior delas o material genético que tinham e as usaram como recipiente para um outro genoma, sequenciado artificialmente. Mas apenas o genoma, o DNA dentro da célula, é inteiramente sintético.

Os pesquisadores construíram quimicamente os blocos de DNA e os inseriram nas células, que acomodou os blocos em um cromossomo (sequencia de DNA, que contém vários genes) completo.

Essas células, segundo os pesquisadores, são as primeiras formas de vida controladas totalmente por um genoma sintético.

'Extremamente prejudicial'
Para Sulston, a concessão da patente seria “extremamente prejudicial”.

“Li algumas dessas patentes e as alegações são muito amplas”, afirmou Sulston à BBC.
“Espero muito que essas patentes não sejam aceitas porque elas colocariam a engenharia genética sob o controle do Instituto J. Craig Venter (JCVI, na sigla em inglês). Ele teria o monopólio de uma série de técnicas.”

Um porta-voz do JCVI, cuja sede é em baseado nos Estados de Marylande na Califórnia, disse, no entanto, que “várias companhias estão trabalhando no espaço da biologia e dos genomas sintéticos, além de muitos laboratórios acadêmicos” e que "muitos, senão todos eles, provavelmente entraram com algum pedido de proteção de patente sobre vários aspectos de seu trabalho".

"Então, parece improvável que apenas um grupo, centro acadêmico ou empresa, fique com o ‘monopólio’ de qualquer coisa", disse ele.

“Como a equipe do JCVI e o próprio Venter disseram, o diálogo aberto e a discussão de todas as questões ligadas a biologia e genética sintéticas, incluindo a propriedade intelectual, são muito necessários para este campo, então essas questões e discussões são muito importantes.”

Uso excessivo?
Sulston expressou sua preocupação na Royal Society, em Londres, quando discutia um relatório chamado “Quem é dono da Ciência?”. O relatório foi produzido pelo Instituto da Ciência, Ética e Inovação da Universidade de Manchester, chefiado pelo professor.

O documento detalha o aumento do uso de patentes pelos pesquisadores.

"O problema piorou muito desde que levantei essa questão 10 anos atrás", disse ele.
Ele acredita que o uso excessivo de patentes está inibindo pesquisas que poderiam, de outra forma, beneficiar a sociedade, com melhorias no sistema de saúde para os mais pobres, por exemplo.

“(Está na moda pensar) que é importante ter forte propriedade intelectual e que isso é essencial para promover a inovação. Mas não há provas de que isso promova a inovação. Há uma falta de vontade de considerar qualquer problema.”

Mas ele também acredita que esses argumentos começam a ser aceitos.

Em novembro passado, uma empresa americana, a Myriad Genetics, perdeu parte de seus direitos de patentes sobre dois genes do câncer de mama depois de um processo legal aberto por grupos de defesa dos direitos civis.

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Produzida 1ª forma de vida 'sintética' em laboratório

"Célula sintética" é composta de cromossomo feito pelo homem injetado em uma célula natural

Cientistas conseguiram pela primeira vez produzir uma forma de vida "sintética" em laboratório. O trabalho, que deverá entrar para a história como um dos maiores (e mais polêmicos) feitos científicos da biologia moderna, foi capitaneado pelo audacioso (e polêmico) Craig Venter, cientista norte-americano que ajudou a sequenciar o genoma humano, dez anos atrás.

Neste caso, Venter foi ainda mais audacioso. Pegou o genoma sequenciado de uma bactéria, fez uma cópia "sintética" desse genoma, transplantou essa cópia para o "corpo" de uma célula inerte (sem DNA) e essa célula passou a ser viva, funcionando e multiplicando-se como se fosse a bactéria original. "É a primeira espécie autorreplicante no planeta cujo pai é um programa de computador", definiu Venter.

Pensando no genoma como um software biológico, o que os cientistas fizeram foi "piratear" o sistema operacional de uma máquina, transferir esse programa para outra máquina e fazer com que ela funcionasse normalmente. Uma operação que custou US$ 40 milhões e levou 15 anos para dar certo. O resultado final, apresentado na edição de hoje da revista Science, é uma linhagem de milhões de bactérias reproduzidas de uma única célula que recebeu o genoma sintético.

Já acusado de "brincar de Deus", Venter busca desenvolver uma ferramenta biotecnológica que permita produzir micro-organismos "sintéticos", geneticamente programados para realizar funções específicas. Por exemplo, absorver CO2 do ar, digerir manchas de petróleo no mar ou produzir biocombustíveis com base em energia solar. "O próximo passo é uma alga sintética", avisa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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G1

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Insulina: avanços da pesquisa


Insulina: avanços da pesquisa
Publicada em: 03/10/2008

Foto de Vinícius Marinho

Produzida pelo pâncreas, a insulina é a responsável por levar o açúcar contido nos alimentos até as células, que precisam dele para gerar energia ao corpo. Nas pessoas diabéticas, o organismo não desenvolve a insulina ou a produz em quantidade muito pequena. A principal conseqüência disso é o aumento das taxas de açúcar no sangue (hiperglicemia), que causa inúmeras complicações, podendo levar à morte.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a doença atinge cerca de 110 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo 5 milhões no Brasil. Esse total inclui os que sofrem de um dos tipos de diabetes: o tipo 1, que atinge geralmente crianças e jovens; e o tipo 2, que aparece normalmente após os 40 anos e corresponde à maioria dos casos.

A produção artificial da insulina só se concretizou em 1922, pelo pesquisador canadense Frederick Banting e seu assistente Charles Best. Isto representou um marco no tratamento da doença. Segundo o endocrinologista Leão Zagury, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, ela foi usada pela primeira vez por um menino americano chamado Leonardo Thompson, que sofria de diabetes do tipo 1, e estava condenado à morte. "Ele foi levado pelo pai ao laboratório, bastante desnutrido, e recebeu a insulina de forma experimental. Após 30 dias, já estava forte, e viveu até os 20 anos, quando morreu de um acidente de moto”, relata o médico, que é também professor do curso de pós-graduação do curso de endocrinologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Durante muito tempo, a insulina foi extraída do pâncreas de boi e de porco, sendo que a de porco era mais parecida com a insulina humana. Esse processo evoluiu para melhorar a qualidade de vida das pessoas com diabetes.

Menor rejeição

Cristiano usa insulina recombinante desde os 11 anos (Foto de Vinícius Marinho) No início da década de 80, os avanços da engenharia genética permitiram o desenvolvimento da insulina humana sintética, produzida a partir de bactérias, especialmente a Escherichia coli. O gene para a insulina humana foi inserido no DNA de bactérias, resultando na chamada insulina de DNA recombinante. Esse método representou mais uma conquista no tratamento do diabetes, principalmente porque a molécula dessa insulina é mais parecida com a produzida pelo organismo, oferecendo um índice de rejeição bem menor que as insulinas de origem animal e a redução dos efeitos colaterais.

Outro progresso obtido nesse campo foi a produção de análogos da insulina. O endocrinologista Leão Zagury destaca a importância da descoberta de que ao alterar a cadeia da seqüência de aminoácidos formadores da insulina é possível modificar o seu tempo de ação. “Dessa forma, a insulina pode atender melhor às necessidades dos diabéticos. Quando houver uma alta aguda de glicose, podemos usar as insulinas de ação rápida, que agem minutos após a aplicação, e quando precisar manter o nível de insulina por mais tempo, é só aplicar as de ação prolongada, que são absorvidas lentamente e de forma estável pelo organismo”, explica o médico.

Novidades a caminho

Cristiano Lino Labrunie descobriu que tinha diabetes aos 11 anos. Desde então o uso da insulina recombinante passou a fazer parte da sua rotina. Hoje, com 17 anos, ele conta que nunca teve nenhum tipo de reação ao medicamento, mesmo usando diariamente dois tipos de insulina: a Humalog (de efeito rápido, antes das refeições) e Lantus (insulina base para o dia), ambas na forma de injeções subcutâneas.

Ele acompanha as pesquisas sobre diabetes pelas notícias publicadas em jornais e revistas e quando vai ao consultório médico. “Minhas expectativas sobre novas descobertas apontam para o uso de células-tronco, que vêm trazendo benefícios para a medicina. Espero que com pesquisas nessa área consigam algum dia descobrir uma cura para quem tem diabetes e outras doenças auto-imunes”, afirma.

Existem pesquisas buscando outras formas de aplicação da insulina, como as vias oral, bucal/sublingual, transdérmica e respiratória. Há um estudo, já em fase conclusiva, de um spray oral, que permite a absorção da insulina pela mucosa bucal.

Segundo Leão Zagury, já vem sendo feito no Brasil um trabalho com células-tronco homólogas: “A pesquisa está em fase experimental. O método consiste em retirar células-tronco da própria pessoa, fazer uma imunossupressão vigorosa e depois reinjetar essas células no organismo. Os resultados parecem promissores, mas ainda não há tempo suficiente para afirmar que realmente serão duradouros e eficientes. .

(Patricia Moreira)
Fiojovem
Para saber mais:

Sociedade Brasileira de Diabetes

Associação Brasileira de Transtornos Alimentares (Astral)

Associação de Diabetes Juvenil