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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Dente, menstruação e até gordurinhas podem ser doados para ajudar a ciência

Dentes de leite, restos de placenta, sangue menstrual e até gordura da barriga podem ser entregues à ciência para ajudar na busca de tratamentos para problemas tão variados quanto autismo e doenças degenerativas.

Os "resíduos" podem ser encaminhados para centros de pesquisa, onde são usados principalmente em estudos com células-tronco.

Essa modalidade de doação, no entanto, é quase desconhecida no Brasil. Os cientistas precisam se desdobrar para que as pesquisas não parem por falta de material.

O esforço inclui não ter vergonha de pedir para participar do parto de desconhecidos. "Uma vez, fui trocar um presente e reparei que a vendedora estava grávida. Pensei logo na minha pesquisa e falei sobre a doação", conta Patrícia Beltrão Braga, pesquisadora da USP.

"A placenta e o cordão umbilical são normalmente descartados como lixo hospitalar depois do parto", diz a cientista. "Pedimos para usar isso que já vai ser jogado fora mesmo."

Além do trabalho com placentas, o Laboratório de Células-Tronco da Faculdade de Veterinária da USP, que ela comanda, também faz pesquisas com dentes de leite. As células-tronco da polpa do dente podem ser transformadas em neurônios: um modelo perfeito para estudar doenças como o autismo.

GORDURINHAS
Outra interessada em material descartado é a geneticista Natássia Vieira, pesquisadora de Harvard e da USP que vasculha o tecido adiposo em busca da cura para doenças degenerativas, como a distrofia muscular.

Em meio à gordurinha do abdome e do culote, escondem-se células-tronco com poderosa ação regeneradora.

"Quando explicamos a pesquisa, a maioria das pessoas doa. Infelizmente, ainda tem gente que parece ter apego à célula e que acha que vamos usar o material recolhido para fazer um clone", brinca a pesquisadora.

No Centro de Estudos do Genoma Humano, onde é feito esse trabalho, há muito mais células que interessam aos cientistas.

Em busca de células-tronco mesenquimais, a dupla Marcos Valadares e Mayra Vitor Pelatti tem o difícil trabalho de convencer mulheres a doar seu sangue menstrual.

Os pesquisadores garantem que o processo é simples. "É só usar um coletor menstrual, que é um copinho, por duas ou três horas e depois colocar o sangue em um pote com antibiótico que nós fornecemos. Não é tão diferente de usar um absorvente interno", diz Pelatti.

COMO DOAR

Em geral, os laboratórios têm os contatos e as informações básicas em seus sites (veja quadro ao lado). Muitas vezes, é enviado ao doador um kit com material. É preciso assinar um documento autorizando a doação.

Com cordão umbilical e placenta, os pesquisadores precisam ser informados da previsão do parto para ficar de plantão, uma vez que a coleta precisa ser feita até uma hora após o nascimento.
Os cientistas costumam ter parcerias com hospitais. Mas eles reafirmam a importância do doador individual.

"A pesquisa só acontece porque as pessoas doam, isso é um ato de amor e solidariedade", define Braga.


GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO

http://www1.folha.uol.com.br

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Células no tabuleiro

Por meio da diversão, os alunos são desafiados a desvendar mistérios da célula (foto: Gutemberg Alves ). 
Pesquisadores da UFF e da Fiocruz criam jogo direcionado a estudantes do ensino médio e superior para divulgar conceitos de biologia celular e despertar o interesse pelo tema.  
Quem matou quem? Onde? Com que arma? A clássica brincadeira de detetive ganhou novas formas no jogo Célula Adentro. Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolveram um jogo ao mesmo tempo lúdico e didático com o objetivo de, por meio da diversão, despertar nos alunos o gosto pela biologia celular.
Célula Adentro é um jogo de tabuleiro, em que os participantes precisam desvendar um mistério. Dentre as casas do tabuleiro, há 10 estruturas celulares onde se encontram as pistas. No total, são cinco casos diferentes a serem resolvidos, que envolvem conceitos de biologia comuns ao currículo de ensino médio e superior, como membrana plasmática, citoesqueleto, evolução celular e desenvolvimento embrionário.
A ideia do projeto surgiu há 10 anos quando os biólogos Carolina Spiegel e Gutemberg Alves – atualmente professores do Instituto de Biologia da UFF – ainda cursavam o mestrado. Eles se uniram a educadores e pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz para criar uma estratégia que pudesse resgatar o prazer da descoberta e do aprendizado.
Após análises da aceitação do jogo entre os alunos, os pesquisadores sugeriram um formato cooperativo para a brincadeira. Todos vencem ou perdem juntos. Cada dupla tem 30 minutos para coletar as pistas e, ao final, os alunos trocam informações sobre o que conseguiram. A intenção é que consigam interpretar e relacionar as pistas para desvendar o caso e entender a razão daquele fenômeno biológico.
O jogo é baseado em uma metodologia ativa de aprendizagem na qual o aluno deve buscar as informações para construir o conhecimento
“Observamos que, jogando de forma cooperativa ou competitiva, o resultado era o mesmo tanto em relação à aprendizagem quanto à aceitação do jogo pelos alunos. Ao contrário das atividades de perguntas e respostas, que exigem conhecimento prévio, no Célula Adentro a turma vai aprendendo ao longo do jogo”, conta Spiegel.
O Célula Adentro é baseado em uma metodologia ativa de aprendizagem na qual o aluno deve buscar as informações para construir o conhecimento. O professor desempenha um papel fundamental antes, durante e após a partida.
No último mês de setembro, 200 protótipos do jogo foram produzidos com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e enviados para escolas selecionadas. O jogo também está disponível gratuitamente para impressão na internet.
Após essa primeira experiência, Spiegel e seus colaboradores já estão desenvolvendo um novo jogo para estudantes do ensino fundamental, cujo tema será a obesidade.
Pedro de Figueiredo
Ciência Hoje/RJ
http://cienciahoje.uol.com.br

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Insulina: avanços da pesquisa


Insulina: avanços da pesquisa
Publicada em: 03/10/2008

Foto de Vinícius Marinho

Produzida pelo pâncreas, a insulina é a responsável por levar o açúcar contido nos alimentos até as células, que precisam dele para gerar energia ao corpo. Nas pessoas diabéticas, o organismo não desenvolve a insulina ou a produz em quantidade muito pequena. A principal conseqüência disso é o aumento das taxas de açúcar no sangue (hiperglicemia), que causa inúmeras complicações, podendo levar à morte.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a doença atinge cerca de 110 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo 5 milhões no Brasil. Esse total inclui os que sofrem de um dos tipos de diabetes: o tipo 1, que atinge geralmente crianças e jovens; e o tipo 2, que aparece normalmente após os 40 anos e corresponde à maioria dos casos.

A produção artificial da insulina só se concretizou em 1922, pelo pesquisador canadense Frederick Banting e seu assistente Charles Best. Isto representou um marco no tratamento da doença. Segundo o endocrinologista Leão Zagury, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, ela foi usada pela primeira vez por um menino americano chamado Leonardo Thompson, que sofria de diabetes do tipo 1, e estava condenado à morte. "Ele foi levado pelo pai ao laboratório, bastante desnutrido, e recebeu a insulina de forma experimental. Após 30 dias, já estava forte, e viveu até os 20 anos, quando morreu de um acidente de moto”, relata o médico, que é também professor do curso de pós-graduação do curso de endocrinologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Durante muito tempo, a insulina foi extraída do pâncreas de boi e de porco, sendo que a de porco era mais parecida com a insulina humana. Esse processo evoluiu para melhorar a qualidade de vida das pessoas com diabetes.

Menor rejeição

Cristiano usa insulina recombinante desde os 11 anos (Foto de Vinícius Marinho) No início da década de 80, os avanços da engenharia genética permitiram o desenvolvimento da insulina humana sintética, produzida a partir de bactérias, especialmente a Escherichia coli. O gene para a insulina humana foi inserido no DNA de bactérias, resultando na chamada insulina de DNA recombinante. Esse método representou mais uma conquista no tratamento do diabetes, principalmente porque a molécula dessa insulina é mais parecida com a produzida pelo organismo, oferecendo um índice de rejeição bem menor que as insulinas de origem animal e a redução dos efeitos colaterais.

Outro progresso obtido nesse campo foi a produção de análogos da insulina. O endocrinologista Leão Zagury destaca a importância da descoberta de que ao alterar a cadeia da seqüência de aminoácidos formadores da insulina é possível modificar o seu tempo de ação. “Dessa forma, a insulina pode atender melhor às necessidades dos diabéticos. Quando houver uma alta aguda de glicose, podemos usar as insulinas de ação rápida, que agem minutos após a aplicação, e quando precisar manter o nível de insulina por mais tempo, é só aplicar as de ação prolongada, que são absorvidas lentamente e de forma estável pelo organismo”, explica o médico.

Novidades a caminho

Cristiano Lino Labrunie descobriu que tinha diabetes aos 11 anos. Desde então o uso da insulina recombinante passou a fazer parte da sua rotina. Hoje, com 17 anos, ele conta que nunca teve nenhum tipo de reação ao medicamento, mesmo usando diariamente dois tipos de insulina: a Humalog (de efeito rápido, antes das refeições) e Lantus (insulina base para o dia), ambas na forma de injeções subcutâneas.

Ele acompanha as pesquisas sobre diabetes pelas notícias publicadas em jornais e revistas e quando vai ao consultório médico. “Minhas expectativas sobre novas descobertas apontam para o uso de células-tronco, que vêm trazendo benefícios para a medicina. Espero que com pesquisas nessa área consigam algum dia descobrir uma cura para quem tem diabetes e outras doenças auto-imunes”, afirma.

Existem pesquisas buscando outras formas de aplicação da insulina, como as vias oral, bucal/sublingual, transdérmica e respiratória. Há um estudo, já em fase conclusiva, de um spray oral, que permite a absorção da insulina pela mucosa bucal.

Segundo Leão Zagury, já vem sendo feito no Brasil um trabalho com células-tronco homólogas: “A pesquisa está em fase experimental. O método consiste em retirar células-tronco da própria pessoa, fazer uma imunossupressão vigorosa e depois reinjetar essas células no organismo. Os resultados parecem promissores, mas ainda não há tempo suficiente para afirmar que realmente serão duradouros e eficientes. .

(Patricia Moreira)
Fiojovem
Para saber mais:

Sociedade Brasileira de Diabetes

Associação Brasileira de Transtornos Alimentares (Astral)

Associação de Diabetes Juvenil

sábado, 15 de agosto de 2009

Células-tronco

O que são células-tronco?São células encontradas em embriões, no cordão umbilical e em tecidos adultos, como o sangue, a medula óssea e o trato intestinal, por exemplo. Ao contrário das demais células do organismo, as células-tronco possuem grande capacidade de transformação celular, e por isso podem dar origem a diferentes tecidos no organismo. Além disso, as células-tronco têm a capacidade de auto-replicação, ou seja, de gerar cópias idênticas de si mesmas.

Que avanços as pesquisas científicas com células-tronco podem trazer para a medicina? As células-tronco podem ser utilizadas para substituir células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, ou em tecidos lesionados ou doentes. As pesquisas com células-tronco sustentam a esperança humana de encontrar tratamento, e talvez até mesmo cura, para doenças que até pouco tempo eram consideradas incontornáveis, como diabetes, esclerose, infarto, distrofia muscular, Alzheimer e Parkinson. O princípio é o mesmo, por exemplo, do transplante de medula óssea em pacientes com leucemia, método comprovadamente eficiente. As células-tronco da medula óssea do doador dão origem a novas células sangüíneas sadias.

Por que permitir a pesquisa com embriões, se as células-tronco são também encontradas em tecidos adultos?Porque as células embrionárias seriam as únicas que têm a capacidade de se diferenciar em todos os 216 tecidos que constituem o corpo humano. As células retiradas de tecidos adultos têm capacidade de dar origem a um número restrito de tecidos. As da medula óssea, por exemplo, formam apenas as células que formam o sangue, como glóbulos vermelhos e linfócitos.

O que a Lei da Biossegurança aprovada na Câmara permite? Ela autoriza as pesquisas científicas com células-tronco embrionárias, mas impõe uma barreira. Poderão ser pesquisados apenas os embriões estocados em clínicas de fertilização considerados excedentes, por não serem colocados em útero, ou inviáveis, por não apresentarem condições de desenvolver um feto. O comércio, produção e manipulação de embriões, assim como a clonagem de embriões, seja para fins terapêuticos ou reprodutivos, continuam vetados.

Os cientistas podem adquirir os embriões diretamente nas clínicas de fertilização assistida? Sim. O cientista precisa da autorização do conselho de ética do instituto onde trabalha, como em qualquer projeto que envolva a manipulação de material humano. Uma vez autorizado, o pesquisador poderá adquirir os embriões diretamente nas clínicas. Eles deverão estar estocados há mais de três anos e só poderão ser utilizados com o consentimento dos pais, mediante doação. Atualmente, estima-se que o país tenha 30.000 embriões congelados.

Qual o motivo da polêmica em torno da lei? Para explorar as células-tronco usando as técnicas conhecidas hoje, é necessário retirar o chamado "botão embrionário", provocando a destruição do embrião. Esse processo é condenado por algumas religiões – como a católica - que consideram que a vida tem início a partir do momento da concepção. Há perspectivas de que no futuro se encontrem técnicas capazes de preservar o embrião, o que eliminaria as resistências religiosas.

É possível desenvolver uma técnica para obter células-tronco sem precisar dos embriões? Sim. No início de 2007, cientistas americanos anunciaram a descoberta de uma nova fonte de células "coringa", extraídas do líquido amniótico, que preenche o útero durante a gravidez. Extraídas e cultivadas em laboratório, as células deram origem a vários tipos de células diferentes - ou seja, funcionam como células-tronco. Conforme os cientistas, as células-tronco extraídas do líquido amniótico não são idênticas às células-tronco embrionárias. Em alguns casos, porém, elas funcionam até melhor, dizem eles. Mas a gama de aplicações para esse novo tipo de célula-tronco pode ser menor do que no caso das embrionárias.

Qual é o tamanho do embrião quando as células são extraídas para pesquisas? Até o momento, os cientistas conseguiram obter células-tronco de blastocistos, um estágio inicial do embrião com apenas 100 células. Um grupo de pesquisadores americanos conseguiu extrair células-tronco de mórulas, que têm entre 12 e 17 células. Em qualquer caso o embrião é microscópico. As células retiradas são cultivadas em laboratório, e podem render material para diversos anos de trabalho.

Em que estágio se encontram as pesquisas de tratamentos com células-tronco? Apenas no caso de leucemia e certas doenças do sangue se pode falar efetivamente em tratamento. As perspectivas ainda são a longo prazo, pois praticamente todas as terapias se encontram em fase de testes, embora alguns resultados preliminares sejam promissores. Os cientistas ainda têm várias questões a resolver, como a possibilidade de desenvolvimento de tumores, verificada em testes com camundongos.

E no Brasil, o que existe em termos de pesquisas? Na Bahia, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz estão tratando com sucesso cardiopatias causadas pela doença de Chagas. No Hospital Pró-Cardíaco do Rio de Janeiro e no Instituto do Coração de São Paulo, células-tronco são usadas em pacientes que sofreram infarto. Também há estudos em vítimas de lesões medulares, diabetes do tipo 1, esclerose múltipla e artrite.

Como é a legislação sobre células-tronco em outros países? Nos Estados Unidos, o tema esteve no centro dos debates das eleições presidenciais de 2004. Em 2001, o presidente George W. Bush cortou o financiamento público para as pesquisas, permitidas durante o governo Clinton, mas depois decidiu permitir o financiamento limitado. A lei brasileira é considerada equilibrada, e está bem próxima da legislação aprovada há poucos anos em plebiscito na Suíça. Em alguns países, como a Coréia do Sul e a Inglaterra, a legislação também permite a clonagem terapêutica.

O que o uso de células-tronco tem a ver com a clonagem? A "clonagem terapêutica" consiste na transferência de núcleos de uma célula para um óvulo sem núcleo. Este óvulo dará origem a um embrião, do qual se retiram as células-tronco. A vantagem seria evitar a possibilidade de rejeição, caso o doador seja o próprio paciente. Em caso de portadores de doenças genéticas, há ainda a possibilidade de um doador compatível. Este tipo de clonagem é diferente da clonagem reprodutiva, que é quando um embrião clonado é implantado em um útero, com o objetivo de reprodução de pessoas.


Fonte: www.veja.abril.com.br

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Cientistas afirmam ter criado espermatozoides em laboratório



Uma equipe de cientistas de Newcastle, na Inglaterra, anunciou ter criado espermatozoides em laboratório pela primeira vez no mundo.

Os pesquisadores acreditam que, eventualmente, seu trabalho poderia ajudar homens com problemas de fertilidade.

Outros especialistas, no entanto, não se convenceram com os resultados.

Em um artigo publicado pela revista especializada Stem Cells and Development, a equipe de Newcastle diz que seriam necessários pelo menos mais cinco anos até que a técnica seja aperfeiçoada.

Células tronco

Os cientistas começaram a pesquisa com linhagens de células tronco derivadas de embriões humanos doados após tratamentos de fertilização artificial.

As células tronco foram removidas dos embriões masculinos com poucos dias de vida e armazenadas em tanques de nitrogênio líquido.

As células tronco então foram trazidas à temperatura do corpo e colocadas em uma mistura química que estimulou seu crescimento. Elas foram "rotuladas" com um marcador genético para que os cientistas pudessem identificar e separar aquelas que dão origem a óvulos e espermatozoides.

As células tronco masculinas passaram pelo processo de meiose, dividindo pela metade seu número de cromossomos. As células sexuais (óvulos e espermatozoides) tem apenas 23 cromossomos, enquanto todas as outras células do corpo têm 23 pares de cromossomos, num total de 46.
O processo de criar e desenvolver os espermatozoides durou de quatro a seis semanas.

Entendendo os espermatozoides
Os cientistas da Universidade de Newcastle afirmam que os espermatozoides criados no processo alcançaram maturidade e mobilidade, e produziram um vídeo documentando os resultados.

O professor Karim Nayernia, da Universidade de Newcastle e do NorthEast England Stem Cell Institute disse que "este é um avanço importante, já que vai permitir aos pesquisadores estudar em detalhes como os espermatozoides se formam e levar a uma melhor compreensão sobre a infertilidade entre os homens â?" por que ocorre e o que a causaria".

"Esta compreensão poderia nos ajudar a desenvolver novas formas de ajudar casais que sofrem de infertilidade para que possam ter um filho que seja geneticamente deles."

"Isto também permitiria aos cientistas estudar como as células envolvidas na reprodução são afetadas por toxinas, por exemplo, ou por que meninos jovens com leucemia que passam por quimioterapia podem ficar inférteis para o resto da vida â?" e possivelmente levar a uma solução."
Mas o biólogo Allan Pacey, especialista em espermatozóides da Universidade de Sheffield, disse que não estava convencido de que os espermatozoides tenham se desenvolvido totalmente.

"A qualidade das imagens não tem resolução suficientemente alta e eu precisaria de mais dados. Eles são espermatozoides jovens, mas seriam necessários testes funcionais para saber exatamente o que foi alcançado."
Os espermatozoides produzidos em laboratório não podem ser usados em tratamento de infertilidade, já que isso é proibido pelas leis britânicas. Os cientistas de Newcastle afirmam que são necessários pelo menos mais cinco anos para que a técnica seja aperfeiçoada.
A pesquisa também levantou algumas questões éticas. Josephine Quintavalle, do grupo Comment on Reproductive Ethics (Corethics), afirmou que "este é um exemplo de loucura imoral. Embriões humanos perfeitamente viáveis foram destruídos para a criação de espermatozoides sobre os quais haverá grandes questões sobre sua saúde e viabilidade".

"É tirar uma vida em ordem para, talvez, criar outra. Sou muito a favor de curar a infertilidade, mas não acho que você possa fazer o que quiser."
http://noticias.uol.com.br/