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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Plásticos do mal

Leitor da CH pergunta: “Os potes plásticos que usamos na cozinha liberam substâncias que fazem mal à saúde?”. Sonia Hess, do Instituto de Química da Universidade Federal de Santa Catarina, responde.



Uma série de estudos – em animais e humanos – já comprovou os riscos para a saúde do plástico em contato com alimentos. Especialista sugere, portanto, que as pessoas pensem duas vezes antes de beber café no copinho plástico, por exemplo. (foto: Sxc.hu) Pergunta enviada por Ivana dos Santos Lara, por correio eletrônico


Sim, alguns tipos de plástico têm substâncias que atuam como interferentes endócrinos, ou seja, modificam o equilíbrio hormonal do corpo, podendo causar danos e doenças. É o caso dos ftalatos, dos alquilfenóis e do bisfenol A – já proibido em vários países e ainda aceito no Brasil.

A exposição e a ingestão dessas substâncias pelo contato com a comida podem provocar inúmeros problemas de saúde. Pesquisas com animais apontam para um aumento dos riscos de desencadear diabetes do tipo 2 e hipertensão, além de distúrbios sexuais.

A exosição do feto a essas substâncias ocasiona alterações de forma em órgãos ligados à reprodução, como útero, vagina, glândulas mamárias e próstata. Experimentos com ratas grávidas e seus filhotes recém-nascidos mostram que a ingestão dessas substâncias resulta ainda em obesidade e mudanças no comportamento, como hiperatividade, aumento da agressividade, problemas de aprendizagem e reação alterada para estímulos de dor ou medo.

Já existem estudos epidemiológicos que comprovam a correlação entre a concentração de bisfenol A no sangue e o desenvolvimento de doenças em seres humanos

Quanto ao bisfenol A, especificamente, é importante destacar que já existem estudos epidemiológicos que comprovam a correlação entre a sua concentração no sangue e o desenvolvimento de doenças em seres humanos, como obesidade; síndrome dos ovários policísticos; hiperplasia do endométrio; diabetes e mau funcionamento do fígado.

As quantidades de bisfenol A, ftalatos ou alquilfenóis existentes em cada tipo de plástico variam de acordo com cada fabricante. A verificação da presença dessas substâncias só é possível com análises químicas em laboratório.

Mas podemos afirmar que quanto maior o tempo de contato com o plástico, a temperatura e o teor de gordura do alimento, maior é a taxa de transferência desses compostos para o interior dos alimentos.

Portanto, o leitor deve pensar duas vezes antes de esquentar potes de plástico no micro-ondas ou beber café no copinho de plástico.
Sonia Hess

Instituto de Química

Universidade Federal de Santa Catarina

http://cienciahoje.uol.com.br/

domingo, 18 de dezembro de 2011

Da ficção à realidade escolar

Professoras mostram como o cinema pode ser aliado no ensino de química. Elas sugerem atividades e apontam conceitos a serem trabalhados com base no enredo do filme ‘Perfume: a história de um assassino’, lançado em 2006. 

Cena de ‘Perfume: a história de um assassino’, filme baseado no livro homônimo do escritor alemão Patrick Süskind que conta a história de um jovem que comete assassinatos para capturar o odor de suas vítimas em busca do perfume perfeito.  
Explorar recursos que vão além de quadro negro e giz em sala de aula é um desafio constante para os professores. Alguns apostam no poder do vídeo e recorrem à exibição de documentários – muito usados no aprendizado de disciplinas como história, geografia e ciências em geral. Mas e os filmes comerciais, mais requisitados pelo público nos cinemas, têm espaço entre as ferramentas didáticas?
As professoras de química Kátia Aquino, do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco, e Paloma dos Santos, da Escola Estadual Eneida Rabello, também em Pernambuco, mostram que o cinema pode ser um aliado no ensino dessa disciplina. A partir do filme Perfume: a história de um assassino, de 2006, elas trabalharam conceitos relacionados a bioquímica e química orgânica com duas turmas do 3º ano do ensino médio. A prática foi descrita em um artigo publicado na revista Química Nova na Escola.
“Os estudantes do ensino médio permitem uma abordagem mais aprofundada do cinema como proposta pedagógica”
“Geralmente as aulas de ciências se apoiam em documentários, mas nossa ideia era propor algo que realmente motivasse os alunos e fosse diferente do padrão”, conta Aquino. “Queríamos mostrar as potencialidades de um filme como recurso didático, de acordo com os interesses do nosso público-alvo. Os estudantes do ensino médio permitem uma abordagem mais aprofundada do cinema como proposta pedagógica.”
O longa-metragem escolhido é baseado no livro homônimo do escritor alemão Patrick Süskind e conta a história de um jovem que tem a habilidade de identificar todos os odores do mundo, mas não tem cheiro no próprio corpo. Com essa descoberta, ele começa a buscar uma forma de capturar odores e inicia uma série de assassinatos na tentativa de produzir o perfume perfeito.
“O filme é rico em referências à fabricação e aos processos de extração de perfumes, mostra aparelhagens de laboratório e demonstra a química das sensações e a captura dos odores”, exemplifica Santos. “Além disso, suas cenas trazem para a discussão conceitos históricos, físicos e biológicos, permitindo um trabalho interdisciplinar.”

Cenas inspiram atividades

Perfume foi usado como ponto de partida para algumas atividades propostas a dois grupos de cerca de 30 alunos cada – um orientado por Aquino e outro por Santos. “Decidimos o assunto a ser trabalhado e a escolha do filme se deu naturalmente, pois nós duas já conhecíamos seu enredo”, conta Aquino.
As professoras criaram uma tabela com os temas que poderiam ser abordados a partir de algumas cenas. Elas sugerem, por exemplo, trabalhar a descrição das sensações com base na cena em que o protagonista tenta nomear os cheiros (que se passa aos 11 minutos). A partir da cena em que dois personagens montam um aparelho para extrair uma essência (exibida aos 49 minutos), elas propõem abordar destilação, condensação e processos físicos de extração.
Durante a prática, os estudantes discutiram aspectos químicos e sociais do filme, revisaram conceitos e fizeram leituras ligadas à química dos odores e à bioquímica dos perfumes. Depois, realizaram uma tarefa escrita, composta de três questões. Uma delas, cujo resultado está descrito no artigo, pedia para que formulassem uma explicação química para uma sequência de cenas em que se executa um processo de extração.
“Nossa experiência mostrou que a utilização de um filme comercial também é muito rica, não só por promover uma aula mais dinâmica, mas por formar cidadãos críticos e reflexivos”, avalia Aquino. Na escola estadual, por exemplo, partiu dos alunos a ideia da avaliação final: produzir histórias em quadrinhos sobre o que tinham aprendido.


Tirinha criada por um grupo de alunos da Escola Estadual Eneida Rabello sobre os conceitos de química debatidos em sala. A ideia da atividade foi proposta pelos próprios estudantes e desenvolvida por meio do ‘site’ Strip Generator, que permite a criação de histórias em quadrinhos ‘on-line’.
Apesar dos benefícios dessa proposta, as professoras ressaltam que alguns desafios – e preconceitos – precisam ser superados para que ela seja admitida como recurso didático. “Ainda existe uma resistência dos professores em adotar o cinema como ferramenta para o ensino da química e de outras ciências”, ponderam.
As professoras esperam que a divulgação de seu trabalho ajude a colocar essa questão em debate e a vencer esse obstáculo. “Os alunos se interessam por explicações sobre os fenômenos que os cercam; os professores só precisam estar inteirados da atualidade”, argumenta Aquino. E completa: “Levar a tecnologia para a sala de aula possibilita uma aprendizagem com mais significados”.

Carolina Drago

Ciência Hoje On-line
http://cienciahoje.uol.com.br

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Suco que muda de cor - Ciência Hoje das Crianças

Você vai precisar de:
- Repolho roxo
- Liquidificador
- Coador
- Colher
- Água
- Cinco copos transparentes
- Limão
- Vinagre
- Bicarbonato de sódio (à venda em farmácias)
- Sabão em pó
Modo de fazer1. Com a ajuda de um adulto, coloque, no liquidificador, uma folha de repolho, um litro de água e bata bem.2. Coe o suco e o divida entre os copos.3. Não faça nada com o primeiro copo. No segundo, esprema o limão e pingue algumas gotas até notar alguma diferença. No terceiro, acrescente sabão em pó; no quarto, vinagre; no quinto, bicarbonato de sódio. Sempre mexa com uma colher.

O que aconteceu?
Com a adição do limão e do vinagre, o suco de repolho, que era roxo, ficou rosa. Com o sabão em pó ou o bicarbonato de sódio, no entanto, ele ficou esverdeado.

Por quê?Muitas plantas, como o repolho roxo, possuem substâncias que têm cor. Elas, porém, mudam sua coloração ao entrarem em contato com substâncias que são ácidas ou, ao contrário, básicas. O suco de limão e o vinagre, por exemplo, contêm ácidos: o primeiro o ácido cítrico e o ácido ascórbico (vitamina C), enquanto o segundo, ácido acético (vinagre). Os produtos de limpeza, como o sabão em pó e o bicarbonato, por sua vez, são, em geral, básicos, pois as substâncias desse tipo ajudam a dissolver a gordura e remover a sujeira.

Atenção!!! O suco é só para observar, e não para beber!
Alfredo Luís Mateus, Departamento de Química, Universidade Federal de Minas Gerais. (Experimentos adaptados do livro de suaautoria Química na cabeça, Editora UFMG).

REVISTA CHC 161