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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Coral invasor é localizado no entorno da Reserva Marinha Biológica do Arvoredo

O coral-sol é uma espécie invasora, pois onde se fixa domina o ambiente. Foto de Otto Schubart Neto/ Divulgação Bertuol Escola de Mergulho

Uma equipe que inclui representantes da UFSC, UFRJ, UERJ e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)  vai a campo quinta e sexta-feira (16 e 17/02) para documentar a extensão e as características de colônias de coral-sol  em área próxima à Reserva Marinha Biológica do Arvoredo, litoral de Santa Catarina.
A espécie exótica e invasora foi encontrada no início de janeiro, durante uma operação organizada pela Bertuol Escola de Mergulho, localizada em Bombinhas. É a primeira vez que o coral-sol Tubastraea coccinea é observado em costão rochoso no Sul do Brasil. Em plataformas de petróleo já havia sido documentado.
“Foi durante uma operação de mergulho recreativo, na Ilha do Arvoredo, em uma profundidade de quatro metros”, conta a bióloga Cecília Pascelli, que se formou no Curso de Biologia da UFSC e agora faz seu mestrado na UFRJ, com estudos de campo na Reserva Marinha Biológica do Arvoredo.
Ainda que o foco de suas pesquisas agora sejam as esponjas marinhas, Cecília já conhecia a beleza e a ameaça do coral invasor, que chamou sua atenção. Em uma saída de campo seguinte uma amostra foi removida e a identificação confirmada na UFSC, pela equipe do projeto Biodiversidade Marinha de Santa Catarina.
O grupo fez contato com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e também com o Projeto Coral-Sol, criado em 2005 pela UERJ e pelo Instituto de Biodiversidade Marinha com a proposta de controlar o coral exótico invasor atuando em pesquisas, monitoramentos e remoção no litoral brasileiro.
A volta ao local de ocorrência em Santa Catarina esta semana tem como objetivo investigar a distribuição e as características das colônias, como estão instaladas, entre outras características. De acordo com o professor Alberto Lindner, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, o mapeamento ajudará a equipe a definir que ação pode ser adotada com a espécie que já invadiu diversas áreas do litoral do Rio de Janeiro e São Paulo. “O tamanho da colônia que recebemos para identificação nos indica que ela tem mais de um ano, portanto sobrevive no litoral de Santa Catarina tanto no inverno como no verão”, explica Lindner.
A equipe vai também aproveitar a ocorrência para divulgar informações sobre o coral-sol no Estado, especialmente entre operadoras de mergulho, para que a possibilidade de avistar o invasor seja multiplicada. “O mergulho recreativo é uma atividade, em minha opinião, de baixo impacto, e que pode ajudar no monitoramento dos ambientes. A grande ressalva é que no caso de encontrar o coral, as pessoas não devem coletar, pois partes fragmentadas podem levar à reprodução em outros locais. As pessoas devem somente comunicar o Projeto Coral-Sol”, alerta Lindner.
“A expedição dessa semana vai nos mostrar se é viável fazer a remoção, pois há pesquisas que indicam situações em que a localização de uma espécie considerada exótica e invasora já não permite mais o seu controle, do ponto de vista de custo de remoção”, explica o professor que trabalha com a professora Bárbara Segal Ramos, também do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, para iniciar um projeto de monitoramento do coral-sol em Santa Catarina.
Originário da região do oceano Indo-Pacífico, o coral-sol foi observado na década de 1950 no Caribe. Em 1990 chegou a plataformas de petróleo na Bacia de Campos, na costa norte do Rio de Janeiro, e depois a costões rochosos do Rio. Atualmente cobre grandes extensões de costão na Ilha Grande (RJ) e da Ilhabela (SP).
A espécie é considerada exótica e invasora, pois onde se fixa domina o ambiente. Sua presença pode interferir na dinâmica do bentos, que incluem esponjas e algas, entre outros organismos que vivem no substrato marinho.  Em casos extremos pode também interferir na macrofauna e gerar impactos na cadeia alimentar de alguns peixes.
Mais informações:
Professor Alberto Lindner (  / Fone: (48) 3721-4744)
Bióloga Cecília Pascelli ()
Por Arley Reis / Jornalista da Agecom
Leia também:
Pesquisa comprova presença de corais recifais na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo
Portal reúne informações sobre biodiversidade marinha de Santa Catarina
http://noticias.ufsc.br

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Macaco se lava com urina para atrair fêmea, diz pesquisa


Um estudo recém-divulgado afirma que os macacos-prego esfregam urina na pele como uma tática para atrair a fêmea da espécie.

A pesquisa, divulgada na publicação especializada "American Journal of Primatology", mostra que os cérebros de fêmeas dos capuchinos ficam mais ativos quando elas sentem o cheiro de urina de machos maduros sexualmente.

A conclusão dos autores do estudo é que os macacos usam a urina para atrair as fêmeas e mostrar que estão disponíveis.


"Como as fêmeas macacos-prego solicitam mais ativamente os machos quando estão férteis, concluímos que o banho de urina dos machos fornece a informação química que as fêmeas precisam a respeito de seu status sexual ou social'', disse à BBC a primatóloga Kimberley Philips, da Trinity University, em San Antonio (EUA).

Vários símios, entre eles os bugios e os macacos-esquilo, utilizam a prática de urinar na palma da mão e, em seguida, esfregam a urina nos pés e no traseiro.

Até então, cientistas especulavam sobre os possíveis motivos do ''banho de urina'' a que os macacos se submetiam. Entre as hipóteses levantadas estava a de manter a temperatura do corpo ou permitir que cada um se identificasse a partir do cheiro.

CÉREBRO

A pesquisa, afirma a primatóloga, mostra que quando solicitados pela fêmea, os adultos do sexo masculino aumentam os banhos de urina.

A pesquisa realizada por Kimberley Philips e outros pesquisadores se valeu de scanners de ressonância magnética que acompanharam a reação do cérebro das fêmeas e as modificações que eles sofriam após farejarem a urina dos machos adultos e mais jovens.

Como os machos adultos são sexualmente maduros, eles expelem uma maior concentração de hormônio masculino testosterona em sua urina.

A concentração de testosterona também está ligada ao status social do animal. Machos com status mais elevado em comparação com os demais tendem a produzir mais testosterona.

''O cérebro da fêmea de macaco-prego tende a reagir de maneira diferente em relação à urina dos adultos machos e à dos machos mais novos'', afirmou Kimberley Philips.

''Nós acreditamos que isso é usado como uma forma de comunicação para passar status social ou sexual.''

A pesquisadora disse ser surpreendente que os macacos capuchinos utilizam tais procedimentos, uma vez que a espécie não é conhecida por se comunicar através do olfato.

DA BBC BRASIL

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Incompreendidos e essenciais

 Morcego da espécie Tadarida brasiliensis, encontrado em todo território americano, especialmente no Brasil. Anualmente, suas colônias são capazes de ingerir até 18 toneladas de insetos. (Foto: Ron Groves)

Programa das Nações Unidas destaca a importância dos morcegos, fundamentais para o controle de pragas e dispersão de sementes

Juliana Marques

Pesticidas, desmatamento e mitos que envolvem o imaginário popular têm causado graves problemas aos morcegos. Conhecidos especialmente por seus hábitos noturnos e hematófagos, estes mamíferos voadores assustam quem desconhece o papel deles no equilíbrio da natureza e da biodiversidade. Adorados em alguns países, mas temidos em outros, os morcegos possuem cerca de 1.100 espécies espalhadas pelo mundo, sendo que metade delas está ameaçada de extinção. Sim, eles saem à noite para se alimentar, mas estão longe de serem vampiros.
 As três espécies de morcegos “vampiros” conhecidas: Da esquerda para a direita, Diphylla ecaudata, Diaemus youngii e Desmodus rotundus. O biólogo Wilson Uieda já entrevistou 607 famílias no interior da floresta amazônica e verificou que 42% delas já sofreu ataques de morcegos. (Foto: Wilson Uieda)

Para estimular o conhecimento a respeito destes animais – pertencentes à ordem quiróptera – o Programa para o Ambiente das Nações Unidas (Unep), decidiu escolher 2011 como o ano do morcego. O objetivo é promover a conservação, pesquisas e a educação para ressaltar a importância das espécies ao meio ambiente. Como a grande maioria dos morcegos come frutos, néctar e insetos, eles se tornam animais indispensáveis no controle de pragas, polinização, e dispersão das sementes.  Para se ter uma ideia deste equilíbrio, basta tomar como exemplo os morcegos insetívoros: alguns deles conseguem ingerir mais de três mil insetos em apenas uma refeição.

Segundo os especialistas em quirópteros, os morcegos só são perigosos quando transmitem raiva, mas a doença se manifesta apenas em espécies hematófagas. “Os morcegos raramente atacam humanos. Mas na América Latina, em especial, milhares de animais são mortos por puro preconceito. As pessoas não apenas o dizimam como também destroem seus refúgios”, afirma o médico Merlin D. Tuttle, embaixador de honra da campanha e fundador da Conservação Internacional de Morcegos.
De fato, portanto, existem morcegos que se alimentam de sangue de outros animais. A boa notícia é que há no planeta apenas três espécies de morcegos “vampiros”. A má, é que todas as três estão restritas à América Latina, e são as maiores responsáveis pela transmissão de raiva entre seres humanos. Mas não há motivo para pânico. De acordo com o biólogo Wilson Uieda, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), os ataques a humanos só acontecem quando há mudanças drásticas no ambiente em que os morcegos vivem: “Na ausência de presas selvagens, os morcegos hematófagos ferem cães, cavalos, galinhas e seres humanos. Constatei também que é comum, por exemplo, encontrar casos de raiva em comunidades indígenas que recebem terras do governo. Eles deixam de ser nômades, vivem sempre em um mesmo lugar e viram presas fáceis para os morcegos”, explica Uieda, um dos maiores especialistas do país em quirópteros.

No Brasil, e outros países como o Reino Unido, morcegos e suas moradias estão sob a Lei de Proteção à Fauna. Portanto, capturar, machucar, matar morcegos ou até mesmo destruir suas moradias é crime. No Reino Unido, inclusive, há biólogos e especialistas de plantão para resgatá-los em caso de incidentes com seres humanos. E enquanto nas Américas os morcegos causam arrepios, na China são considerados símbolos de felicidade e riqueza. Já na Escócia, um imóvel é valorizado quando passa a ser habitado pelos mamíferos voadores.

Ao todo, existem 138 espécies espalhadas pelo país. Aqui, as espécies hematófagas são encontradas especialmente na região norte, em vilarejos no interior do Amazonas e do Pará, onde animais domésticos passam a ser comuns. As espécies Diphylla ecaudata e Diaemus youngii alimentam-se apenas de sangue de aves, enquanto a Desmodus rotundus tem preferência por qualquer mamífero indefesos com um sono profundo.

Algumas curiosidades sobre os morcegos:


  • Incluindo os hematófagos, existem ao todo seis subordens de morcegos: 
          - morcegos-raposas, em sua maioria insetívoros;
          - morcegos-pescadores, que usam seus dedos dos pés e unhas longas para
            capturar insetos e pequenos peixes sob a água;
          - morcegos carnívoros, se alimentam especialmente de roedores e rãs;
          - morcegos nectarivos,  têm preferência por certas espécies de flores;
          - morcegos frugívoros, se alimentam de frutos maduros.

  • Ao contrário do que muitos pensam, os morcegos têm ótima visão, adaptada a ambientes com pouca luminosidade. Algumas espécies chegam a enxergar 10 vezes melhor que seres humanos. Além disso, eles contam com a ecolocalização, um tipo de sonar que detecta a distância dos objetos, tamanho, velocidade e até mesmo a textura por meio de ondas sonoras!
  • As espécies hematófagas possuem curiosidades à parte: Alguns morcegos chegam a  ter uma longevidade de até 30 anos. Depois de darem à luz, as fêmeas passam um ano cuidando do filhote: amamentando e fazendo higiene corporal.
  • Não é fácil para um mamífero acordar no meio da noite e perceber que há um morcego se alimentando com seu sangue. A mordida é pequena, os dentes não perfuram e eles liberam pela saliva um anticoagulante especial. A substância já está sendo estudada em laboratórios norte-americanos para o tratamento de pessoas que sofreram derrames. 
  • Nos Estados Unidos, produtores agrícolas estão investindo nos morcegos para plantarem alimentos orgânicos: Os morcegos agem no controle da população de insetos e os agricultores abandonam o uso de pesticidas.
  • Para evitar visitas indesejadas de morcegos em sua casa, cubra aberturas e frestas de concreto, madeira ou tijolo e verifique telhas soltas. Ainda que a abertura seja pequena, morcegos de tamanhos menores podem se abrigar. Em paredes feitas de pedras, onde os espaços são maiores, a passagem fica ainda mais simples, já que os morcegos se instalam em locais seguros, escuros e úmidos. Instale telas ou mantenha portas e janelas fechadas, especialmente durante a noite.

Saiba  mais sobre o estudo de morcegos no Brasil:
http://www.sbeq.org/



http://obsma.blogspot.com/

domingo, 19 de setembro de 2010

"Jornal Vida de Inseto" - Mostra Regional de Ciências e Tecnologia


As estudantes da  turma 206, 2a. série do ensino médio,  do Instituto Estadual de Educação,  produziram  um trabalho de vídeo-reportagem intitulado "Jornal Vida de Inseto". O trabalho teve a orientação da professora Marinilde Tadeu Karat, de biologia e está competindo na Mostra Regional de Ciência e Tecnologia.

O “Jornal Vida de Inseto” aborda a questão da biodiversidade dos insetos e sua  importância ecológica e econômica  para a humanidade e alerta  para a perda de biodiversidade desses animais, com 96 espécies ameaçadas de extinção. Entrevistas com biólogos esclarecem a questão do controle biológico das pragas e o problema dos agrotóxicos na agricultura.

http://www.youtube.com/watch?v=zlbZBCS76Oc

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Estudo descobre propriedades antibióticas nas baratas

As baratas, insetos considerados sujos por essência, poderiam contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos contra bactérias resistentes, segundo cientistas britânicos que descobriram substâncias com propriedades antibióticas inesperadas nestes insetos.
Uma equipe da Universidade de Nottingham identificou até nove moléculas diferentes no cérebro e nos tecidos nervosos de baratas e gafanhotos, substâncias tóxicas para as bactérias e que poderiam resultar em tratamentos para certas infecções frequentemente resistentes a antibióticos comuns.
Segundo os cientistas, estes tecidos seriam, ainda, capazes de matar mais de 90% dos Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA, na sigla em inglês) e de Eschirichia coli (E. coli), sem prejudicar as células humanas. Os pesquisadores estão, agora, estudando as propriedades específicas das substâncias descobertas em laboratório.
Para Simon Lee, da Escola de Medicina e de Ciência Veterinária da universidade britânica, esta descoberta aparentemente surpreendente é, na verdade, previsível.
"Os insetos costumam viver em meio a condições sanitárias e de higiene muito ruins, em ambientes onde estão expostos a um grande número de bactérias diferentes. Portanto, é lógico que eles tenham desenvolvido meios de se proteger dos microorganismos", explicou.
"Nós esperamos que estas moléculas possam conduzir a tratamentos contra as infecções (causadas por) 'E. Coli' e MRSA, que se tornam cada vez mais resistentes aos medicamentos atuais", acrescentou Lee.
"Além disso, estes novos antibióticos poderiam constituir uma alternativa para os tratamentos já disponíveis, que podem ser eficazes, mas têm efeitos colaterais indesejáveis importantes", disse o pesquisa.
DA FRANCE PRESS
Folha de São Paulo

terça-feira, 27 de julho de 2010

Biodiversidade nos formigueiros

Confira imagens de um besouro mirmecófilo passeando entre formigas lava-pés operárias




Colônias de formigas lava-pés também albergam outras espécies de invertebrados, como besouros, lacraias, ácaros e até artrópodes que permaneciam desconhecidos. Os estranhos no ninho usam um ‘disfarce químico’ para passarem despercebidos. 
As formigas lava-pés são muito agressivas e, a menor provocação, atacam com mordidas e ferroadas (foto: E. Fox).
As formigas lava-pés, também chamadas de formigas de fogo, são conhecidas pela dolorosa ferroada. Apesar da fama de agressivos, esses animais são capazes de conviver pacificamente com outros invertebrados dentro de seus próprios formigueiros.
A descoberta é de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, que encontraram em colônias uma vasta biodiversidade de organismos — muitos deles de espécies raras ou desconhecidas —, incluindo besouros, lacraias, ácaros, traças, moscas, percevejos, aranhas, cupins e até outras formigas.
As formigas identificam companheiras pelo olfato. Elas captam os odores da cera que recobre o corpo
Para não serem reconhecidos, é comum os inquilinos adotarem uma espécie de ‘disfarce químico’, usando ceras das formigas hospedeiras.
Segundo o biólogo Eduardo G. P. Fox, pesquisador do Laboratório de Entomologia Médica do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ, as formigas identificam companheiras de colônia pelo olfato. Elas captam os odores da cera que recobre o corpo desses insetos.
Ao habitarem as lixeiras e os cemitérios dos formigueiros, os inquilinos conseguem mimetizar esses odores, retirando hidrocarbonetos (compostos químicos que formam a cera) de restos de alimentos e cadáveres. “Observações nossas em laboratório mostram que essa estratégia é utilizada principalmente por algumas traças e besouros encontrados”, conta Fox.



Parasitismo ou mutualismo

Por enquanto, foram inspecionados apenas formigueiros das espécies Solenopsis invicta e Solenopsis saevissima encontrados no Rio de Janeiro e em São Paulo. Mas os pesquisadores já obtiveram indícios de que os mirmecófilos (os inquilinos) geralmente mantêm relações de parasitismo ou mutualismo com as donas do território.
Foram encontradas 24 espécies, das quais cerca de 10 ainda eram desconhecidas
Um exemplo é o achado, em conjunto com Eliana M. Cancello, do Museu de Zoologia da USP, de colônias de cupins pertencentes à subfamília Apicotermitinae. Como não há soldados entre esses indivíduos, a suspeita é que eles estejam usando as formigas para defesa.
Os pesquisadores se surpreenderam ao encontrar percevejos escavadores nos formigueiros, insetos raros e pouco estudados (foto: H. Wisch).
Até agora, foram encontradas 24 espécies de artrópodes associados aos formigueiros, das quais cerca de 10 ainda eram desconhecidas pela ciência. Uma espécie de traça, recentemente descrita pelos pesquisadores, recebeu o nome de Allotrichotriura saevissima.
Também foram descobertos um novo gênero de cupins e uma nova espécie de mosca sem asas. “Apesar de pouco explorados em estudos, os formigueiros têm muito a contribuir para a ampliação do conhecimento sobre a biodiversidade do Brasil”, ressalta Daniel R. Solis, da Unesp.
Comuns em todo o território nacional, os formigueiros de lava-pés, nome popular dado a aproximadamente 20 espécies do gênero Solenopsis, caracterizam-se pela aparência de montinhos de areia, geralmente encontrados em jardins de casas e beiras de estrada.
As formigas são avermelhadas e têm comprimento que varia de 2 mm a 1 cm. De acordo com estimativas da Unesp, dos cerca de 3.500 acidentes registrados por ano em clínicas de São Paulo com ferroadas de insetos, quase metade é causada por formigas lava-pés.

Camilla Muniz
Ciência Hoje/RJ

Texto publicado originalmente na CH 272 (julho/2010)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Pesquisadores identificam planta capaz de neutralizar o veneno da surucucu

Uma pesquisa inédita da UFF (Universidade Federal Fluminense) identificou uma planta capaz de neutralizar o veneno da cobra surucucu, uma das mais letais e a maior serpente venenosa da América do Sul.
O estudo de Rafael Cisne e André Fuly analisou as propriedades antiofídicas de 12 plantas brasileiras e descobriu que o extrato da S. barbatiman se mostrou totalmente eficaz contra o veneno da cobra surucucu, inclusive depois de submetido ao aquecimento de 80°C, oferecendo a mesma proteção.
Popularmente conhecida como 'barbatimão', 'barba-de-timão' ou 'casca da virgindade', a planta também possui outras atividades terapêuticas como cicatrizante, anti-hemorrágica e antimicrobiana.
Os acidentes com cobras são hoje combatidos com o soro antiofídico, mas eles apresentam vários efeitos colaterais, além de custos altos e dificuldades na distribuição, devido à exigência de conservação em baixas temperaturas.
O estudo, desenvolvido no Laboratório de Venenos e Toxinas de animais e Avaliação de Inibidores (Lavenotoxi), da UFF, e coordenado pelo professor André Lopes Fuly, mostra a distribuição dos acidentes ofídicos no Brasil, por Estado, a sazonalidade com que ocorrem, os efeitos que provocam no organismo humano e porque são considerados um problema de saúde pública grave.
Embora a maioria dos acidentes ocorra na zona rural, há certas evidências, segundo a pesquisa, de uma possível adaptação das serpentes às periferias das cidades, pois as precárias condições de saneamento básico propiciam a proliferação de roedores, que servem de alimento para as serpentes.
As vítimas são, preferencialmente, do sexo masculino, com idades entre 15 e 49 anos e, em 70% dos casos, são atingidos os membros inferiores.  Os acidentes ocorrerem com mais freqüência nos meses quentes e chuvosos. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste esse aumento ocorre entre os meses de setembro a março, enquanto que na região Nordeste, o aumento é de janeiro a maio e, na região Norte, observa-se de maneira uniforme durante todo o ano. O Estado com o maior número de registros de ocorrência é o Pará, seguido de Minas Gerais, Bahia e São Paulo.
UOL - Ciência e Saúde

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Gigante dos mares antigos

Foram encontrados no Peru fósseis de uma baleia de até 18 metros de comprimento que viveu há quase 13 milhões de anos. O cetáceo teria ocupado o topo da cadeia alimentar, alimentando-se de baleias de menor porte e outros vertebrados marinhos. 
Imagine a mordida de um animal cujos dentes medem 36 centímetros de comprimento – um pé de tamanho 54 – e 12 cm de diâmetro. Não conseguiu? Tente visualizar então o encontro com uma baleia do comprimento de uma quadra de vôlei.
Pois essas são algumas das dimensões de uma baleia que viveu entre 12 e 13 milhões de anos atrás na costa do atual Peru. O crânio, a mandíbula e vários dentes dessa criatura gigantesca foram encontrados no deserto Pisco-Ica. Só o crânio mede 3 metros – o comprimento total do cetáceo podia atingir 18 metros. Essas dimensões fazem dela o maior cachalote fóssil de que se tem notícia.mandíbula inferior e vários dentes (foto: G. Bianucci / Universidade de Pisa).
As baleias cachalote foram imortalizadas no livro Moby Dick, do romancista norte-americano  Herman Melville (1819-1891). A nova espécie foi batizada de Leviathan melvillei, em homenagem ao escritor. O nome do gênero é derivado de leviatã, termo hebraico usado para designar monstros marinhos gigantes em histórias míticas.
Os dentes dessa baleia sugerem que se tratava de uma espécie predadora, que ocupava o topo da cadeia alimentar do ambiente em que vivia, ao lado dos tubarões gigantes que habitavam os mesmos mares.

Os paleontólogos acreditam que a Leviathan melvillei se alimentava de maneira similar a esses tubarões e às orcas. Suas presas eram provavelmente grandes vertebrados marinhos, como baleias de menor porte.
A espécie encontrada no Peru é bem diferente dos cachalotes modernos, que têm dentes pequenos e se alimentam por sucção
Nesse aspecto, a espécie encontrada no Peru é bem diferente dos cachalotes modernos, que têm dentes pequenos e se alimentam por sucção, baseando sua dieta em polvos e outros invertebrados marinhos.
Além disso, a Leviathan melvillei tinha dentes nas mandíbulas superior e inferior – nos cachalotes atuais, eles estão presentes apenas na parte inferior.
A nova espécie foi descrita na revista Nature desta semana, em artigo assinado pela equipe de Olivier Lambert, do Real Instituto de Ciências Naturais da Bélgica. Seus fósseis serão expostos no Museu de História Natural de Lima, no Peru. Uma réplica do cetáceo será montada no Museu de História Natural de Roterdã, na Holanda.

Larissa Rangel
Ciência Hoje On-line




quinta-feira, 3 de junho de 2010

Jornal Vida de Inseto



Vídeo-reportagem sobre a biodiversidade dos insetos produzido pelas estudantes, da 2a. série do ensino médio, Ana Carolina Silva, Ariany de Oliveira Flor, Fernanda Soares Lopes, Gabryela Marian, Jaqueline Soares Lopes, Maria Isabela Vieira Martins e Paola Costa Sagaz. Este trabalho, realizado na disciplina de biologia do Instituto Estadual de Educação, Florianópolis, SC, com orientação da professora Marinilde Tadeu Karat, surgiu a partir da mostra "Senhor inseto, muito prazer!" do SESC ciência em comemoração ao ano internacional da biodiversidade.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Voo ameaçado

O maçarico-acanelado (Ryngites subruficollis), que habita a região do Acre, é uma das espécies ameaçadas de extinção (foto: Joaquim Aldabe).

Uma área equivalente a 11% do território nacional precisa ser preservada para que mais de cem espécies de aves ameaçadas continuem existindo. A conclusão é de um mapeamento inédito realizado por mais de 60 pesquisadores em todo o Brasil.
O mapeamento apontou as áreas do país que devem ser protegidas para evitar a extinção das aves. “O trabalho ajudou na criação de reservas e na implantação de políticas públicas para a conservação de várias espécies”, diz o biólogo Pedro Develey, diretor de conservação da Sociedade para a Conservação das Aves no Brasil (Save Brasil), entidade responsável pelo estudo.
Realizado em parceria com a BirdLife, o mapeamento foi dividido em duas partes e contou com o trabalho de ornitólogos e biólogos. Eles analisaram 450 áreas e cerca de 700 espécies. “A primeira parte ficou pronta em 2006 e contemplou os 15 estados do domínio da mata atlântica. No total, 163 áreas foram mapeadas”, revela Develey.
“Trata-se do primeiro mapeamento de todas as espécies de aves ameaçadas e endêmicas”
A segunda parte acaba de ser lançada pela Save Brasil, com o registro das Áreas Importantes para a Conservação das Aves (IBAs, na sigla em inglês) no Brasil, contemplando a Amazônia, o cerrado e o Pantanal. Foram delimitadas 237 IBAs em todo o país.
Entre os requisitos necessários para que uma área seja reconhecida como IBA estão a presença de espécies ameaçadas; de espécies de distribuição restrita (que vivem em áreas com menos de 50 mil km²); endêmicas (que vivem exclusivamente em um único bioma); e das chamadas espécies congregantes, que formam grandes bandos que equivalem a mais de 1% da população mundial de aves.
 O mapa indica a distribuição das IBAs pelo território, concentrados em áreas da Amazônia, Cerrado e Pantanal (imagem: Save Brasil).

Nessa última categoria incluem-se as aves migratórias. As áreas mais importantes com vistas à sua preservação estão na costa do Brasil, especialmente no Maranhão, no Pará e no Rio Grande do Sul.

Mais áreas a serem mapeadas

A IBA que abriga o maior número de espécies em risco, embora esteja oficialmente protegida, fica no Parque Nacional das Emas, em Goiás. “São ao todo 11 espécies ameaçadas”, diz Develey. Entretanto, a Amazônia não foi totalmente mapeada e ainda pode conter IBAs relevantes.
Segundo o biólogo, a maior dificuldade encontrada durante o desenvolvimento do estudo foi a falta de informações e de inventários biológicos na região: “Existem áreas enormes com floresta bem conservada que não puderam ser classificadas por falta de informações. A necessidade de mais pesquisas é urgente na Amazônia”, diz ele.
Do total de IBAs do país, 40% estão desprotegidas
De acordo com o estudo, 82 milhões de hectares devem ser conservados no Norte e no Centro-oeste do país para a preservação das aves ameaçadas. Das 74 IBAs dessas regiões, 32 não contam com nenhum tipo de programa de conservação. Do total de IBAs do país, 40% estão igualmente desprotegidas.
“Além das políticas públicas, educação ambiental e conscientização fazem parte do processo de preservação. Autoridades, ONGs locais e a população são atores-chave para esses resultados”, conclui Develey
Bruna Ventura
Ciência Hoje/RJ

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Pelos e corpo compacto conservam calor

A lebre ártica não hiberna no inverno

A vida lebre ártica no duro ambiente da tundra norte-americana. Estes animais não hibernam, mas sobreviver ao perigoso frio depende de uma série de adaptações fisiológicas e comportamentais. A pele grossa, o corpo compacto e as orelhas curtas conservam o calor do corpo. Esses animais muitas vezes cavam abrigos e se amontoam para compartilhar calor uns com os outros.

Se alimenta principalmente de plantas lenhosas mas em geral ela gosta de folhas, frutos, flores e grama. Alem disso ela tem um elevado sentido do olfato para encontrar salgueiros raminhos sobre a neve.

National Geographic

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Butantan tinha recebido R$ 1 milhão para infraestrutura

Não foi por falta de dinheiro que o Instituto Butantan não melhorou a segurança de seu acervo de serpentes. Entre 2007 e 2008, a instituição recebeu quase R$ 1 milhão da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para reforçar sua infraestrutura. Segundo levantamento feito pela Fapesp, esse montante veio de uma modalidade de financiamento conhecida como reserva técnica.
Esse dinheiro pode ser usado também para adquirir equipamentos importantes para os projetos, mas a maneira como ele é gasto é determinada não pela Fapesp, mas pela própria instituição que o recebe.
Ainda de acordo com a fundação, principal financiadora da ciência paulista, nenhuma fração dos recursos foi empregada em sistemas de prevenção de incêndio no Butantan.
De acordo com a Fapesp, o instituto apresentou propostas para outros editais mais recentes, que aceitaram inscrições até o fim de dezembro do ano passado e março deste ano. Esses editais pertencem a um programa de apoio à infraestrutura de instituições científicas, o qual inclui verba para coleções biológicas.
No primeiro caso, o Butantan pediu verbas da ordem de R$ 419 mil e US$ 146 mil (nesse caso, para gastos em dólar). O plano era informatizar as coleções do instituto. No segundo, os recursos requisitados (R$ 877 mil) se destinariam a classificar e informatizar o acervo de documentos históricos.
Nesses casos, também não houve menção à necessidade de prevenir incêndios.
Otávio Mercadante, diretor-geral do Instituto Butantan desde 2003, admite que não faltou dinheiro. "O dinheiro vinha [para o Butantan] de várias fontes. Do BNDES, da Fapesp, da Fundação Butantan, da Finep."
Segundo ele, apesar do incêndio, os prédios do local são seguros, e havia manutenção periódica. "Todos eles têm uma infraestrutura que é adequada. Apesar de velhos, eles têm instalação elétrica nova."
Logo depois do desastre, Francisco Franco, curador da coleção destruída, disse que o instituto pedira, sem sucesso, recursos da Fapesp para um sistema de combate automático a incêndio, nos moldes de museus estrangeiros.
Ontem, Franco corrigiu. "Parece que esse pedido não foi encaminhado. Não tenho certeza", diz ele. "Não poderia ter acontecido, mas aconteceu. 'C'est la vie.' [É a vida]."
Agora, segundo Mercadante, BNDES, Fapesp e o governo estadual já entraram em contato oferecendo dinheiro para construir um novo prédio, com métodos modernos contra o fogo.
O ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, afirmou que divulgará nota sobre o desastre. Disse também que sua pasta vai contribuir "como for possível, para recuperar o que for possível" do acervo.
Ontem, a Defesa Civil vistoriou o velho galpão incinerado. Parte do telhado ameaça desabar, tornando arriscado o resgate do que sobrou.
Segundo Franco, hoje pela manhã o telhado será escorado. Após isso, os pesquisadores poderão entrar no prédio e retirar o material que sobrou.
Eles ainda não sabem bem quanto do acervo poderá ser recuperado. "O resultado dessa avaliação só sairá depois de um trabalho de formiguinha. São vários vidrinhos com nomezinhos, não é uma operação simples", diz Mercadante.
Tendo observado o interior do prédio, porém, os cientistas já acham que parte razoável do material será salva. "Eu tinha plena certeza de que tínhamos perdido tudo", afirmou Franco.
REINALDO JOSÉ LOPES
RICARDO MIOTO
da Reportagem Local
Fonte: Folha de São Paulo 

Borboletas em frente e verso


Adelpha capucinus velia – Até 20 espécies do gênero Adelpha, a maioria delas muito parecidas entre si, podem aparecer em partes da região tropical da América. Em geral voam depressa e as lagartas se alimentam de plantas de diversas famílias. Leia também a reportagem Cores ao vento sobre as borboletas ninfalídeas

Agrias claudina – As borboletas do gênero Agrias eram conhecidas como as “rainhas das borboletas” pelos colecionadores. Por esse motivo, muitas espécies foram coletadas e vendidas a preços bastante altos no exterior, até o ponto de serem quase levadas à extinção em alguns lugares.


Veja mais -



"Perdemos mais com o incêndio do Butantan do que se tivéssemos queimado dezenas de bibliotecas", diz pesquisador

Cobras do acervo acadêmico do Instituto Butantan que foi preservado após incêndio

O prejuízo científico resultante do incêndio que atingiu o laboratório de répteis do Instituto Butantan, na zona oeste de São Paulo, deixou os pesquisadores estarrecidos, segundo relatos ouvidos pelo UOL Notícias. O fogo do último sábado (15) destruiu boa parte do acervo composto por cerca de 85 mil exemplares de serpentes, além de algo em torno de 500 mil artrópodes, como aranhas e escorpiões. Os animais eram conservados em vidros com formol.

“A perda é irreparável. Aquele material não tinha preço e não existe outro igual. Perdemos mais com o incêndio do Butantan do que se tivéssemos queimado dezenas de bibliotecas, pois as bibliotecas são compostas quase sempre por livros publicados em série, já muitas serpentes que compunham o acervo do Butantan eram únicas e já não existem mais”, lamenta Miguel Trefaut Urbano Rodrigues, herpetólogo do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo o pesquisador, faziam parte da coleção exemplares de serpentes que viviam na região de Mata Atlântica do Estado do Espírito Santo, e que hoje não existem mais. “Não apenas esta, mas outras milhares de populações já extintas estavam representadas naquela coleção. Essas serpentes eram guardadas e serviam até hoje a cientistas do mundo inteiro”, complementa


Na opinião de Trefaut, não há chances de reconstruir o acervo. “É impossível repor aqueles exemplares. Claro que sempre é possível recomeçar a colecionar bichos recentes, mas nunca o acervo voltará a ter aquela dimensão. Não existe a menor chance de se recuperar aquilo”.

Para Luiz Antonio Teixeira, historiador da Casa de Oswaldo Cruz, a coleção era fruto do trabalho da população brasileira e da dedicação de cientistas de diversas épocas.

“O acervo tinha grande importância histórica, porque os primeiros exemplares foram colhidos pelo próprio Vital Brasil, fundador do Butantan. Há cerca de 100 anos, ele criou o costume de trocar serpentes trazidas pela própria população por ampolas de soro. No início, muitos exemplares foram conseguidos dessa forma. Assim foi construída a base da coleção”, conta.

Para o diretor do museu de Zoologia da USP, Hussam Zaher, o incêndio foi um “terrível golpe moral”. “Não temos palavras. Mais que tudo, isso representa uma tragédia moral. Demos uma demonstração de irresponsabilidade e incompetência. Nossa imagem ficou arranhada no meio científico mundial. Mostramos que não temos condições de manter um acervo daquela importância. Perdemos credibilidade”, enfatizou.

Zaher revelou que centenas de espécies recém-adquiridas, que podem ter sido destruídas pelo fogo, não chegaram a ser catalogadas. Além disso, ele afirma que exemplares que não existem em nenhum outro lugar do mundo faziam parte da coleção do Butantan. “O acervo guardava exemplares de serpentes encontradas em lugares que já foram destruídos, onde agora funcionam shoppings e estacionamentos. Essa coleção contava a história do crescimento populacional do Estado de São Paulo e do Brasil”.


José P. Pombal Jr., curador das coleções de anfíbios do Museu Nacional do Rio de Janeiro, também acredita que a perda científica do Butantan é incalculável. “Pela representatividade e antiguidade do acervo, o incêndio foi pior que a destruição dos museus durante a 2ª Guerra Mundial”, compara.

Ele relembra que através da coleção de serpentes foi possível fazer um estudo não só das espécies, como também da evolução de seus habitats. “Através do tipo de animal que chegava ao instituto era possível perceber as alterações ambientais sofridas ao longo do tempo. Hoje tudo isso foi apagado”.

“No sábado, a sensação era de que eu tivesse ido ao velório de um amigo muito querido”, finaliza Pombal Jr.

Livros preservados
O Instituto Butantan confirmou, na tarde de ontem, que os livros de registro de todos os animais da coleção de serpentes foram preservados. Os originais estavam armazenados em outro prédio e, portanto, não sofreram qualquer dano.

Segundo o Butantan, os livros contêm registros de todas as espécies que estavam armazenadas no prédio, incluindo nome científico e popular, data e local de coleta, nome do coletor, além de outras informações sobre as características de cada um deles. Apenas três dos 45 livros estavam dentro do prédio que pegou fogo.

Na opinião de Pombal Jr.,os livros são muito importantes, mas sem os animais eles perdem um pouco de suas funções. “É como se fosse a capa do livro sem o conteúdo. É verdade que com eles teremos todo o histórico das espécies que faziam parte da coleção, mas não será mais possível contar com a fonte original, que era a base para todos os estudos”.

“O livro sem o exemplar tem muito pouco valor. Para a pesquisa o livro não tem validade. Ele é mantenedor das informações, mas essas informações precisam ser validadas através de exames com o exemplar. Hoje isso já não é possível”, acrescenta Zaher.

Pesquisas comprometidas
Segundo o próprio Butantan, pesquisas referentes à biodiversidade podem ficar prejudicadas pelo incêndio. De acordo com a assessoria de imprensa do instituto, somente após a conclusão do laudo técnico da perícia é que serão divulgados levantamentos sobre a perda da coleção e as consequências nas pesquisas.

“Sem dúvida, dezenas de trabalhos científicos, entre eles teses de mestrado e doutorado, que dependiam da coleção, ficarão comprometidos com a perda desses exemplares”, revela Trefaut.

Segundo o diretor do museu de Zoologia da USP, muitos mestrandos e doutorandos ficaram órfãos. Estes pesquisadores tiveram suas teses ceifadas. Vamos ter de repensar”.

A produção de vacinas e antídotos, entretanto, não deverá ser prejudicada uma vez que as pesquisas são feitas a partir de animas vivos. Segundo a assessoria de imprensa, não havia nenhum animal vivo no prédio que foi atingido pelo fogo. Entre as espécies que foram destruídas, algumas estavam mantidas em formol há aproximadamente 100 anos.

Descaso
Todos os especialistas ligados ao meio científico ouvidos pelo UOL Notícias concordam que, independentemente das causas do incêndio, a tragédia pode ser atribuída a um descaso das autoridades com a ciência. “É muito simples. Hoje, apenas com extintores, se houver um princípio de incêndio e o fogo não for controlado rapidamente, o museu de Zoologia também vai ser destruído”, alerta Zaher.

O diretor do museu, que abriga atualmente 10 milhões de exemplares preservados de diversas espécies, afirma que há muito tempo luta por melhores condições. “Nós não acordamos ontem para a necessidade de melhorar nosso sistema como um todo, mas o processo anda a passos de tartaruga. O processo de licitação no Brasil é incompatível com as demandas atuais da nossa realidade. Precisamos da compreensão do poder público e de vontade política para mudar isso. Caso contrário, nosso futuro será as trevas”, apontou.

O especialista em serpentes Trefaut espera que a midiatização do incêndio no Butantan sirva para conscientizar as autoridades. “Faço votos de que essa tragédia sirva, pelo menos, para que nossos museus científicos sejam mais priorizados. É uma irresponsabilidade mantê-los nestas condições. Espero que esse episódio lamentável para a biologia e para a ciência brasileira sirva para abrir os olhos do poder público”.

Comunidade científica internacional questiona condições de segurança
em museus brasileiros

O incêndio que atingiu o laboratório de répteis do Instituto Butantan, na zona oeste de São Paulo, na manhã do último sábado (15), repercutiu entre a comunidade científica internacional e arranhou a imagem do Brasil. Curadores de exposições e diretores de museus de todo o mundo já começaram a enviar mensagens de apoio, mas também cheias de questionamentos, sobre como estariam sendo conservadas as coleções científicas no Brasil.

Raquel Maldonado
Do UOL Notícias

domingo, 2 de maio de 2010

Oficina de Origami sobre Biodiversidade de Insetos (Mostra de Insetos no IEE)

Oficina de Origami no Laboratório de Física do Instituto Estadual de Educação- Florianópolis/SC.
Os estudantes aprenderam a confeccionar origamis representando insetos. Essa oficina fez parte da Mostra Senhor Inseto, Muito Prazer, do SESC Ciência, durante os dias 13 até 20 de abril, no Instituto Estadual de Educação.

sábado, 1 de maio de 2010

Mostra do SESC Ciência no IEE

A comunidade do Instituto Estadual de Educação pode conhecer melhor a Biodiversidade dos Insetos, na Mostra Senhor Inseto, Muito Prazer, do SESC Ciência, no IEE.
As fotos mostram esculturas belíssimas de insetos feitas com garrafa PET e que faziam parte da Mostra de Insetos no IEE.

Senhor Inseto, Muito Prazer

Estudantes da 2a. série do Ensino Médio assistiram palestra sobre  insetos, no Laboratório de Biologia do IEE. Os monitores do SESC explicaram sobre as características gerais dos insetos, sua distribuição e importância econômica e ecológica. As palestras fizeram parte da Mostra do Sesc Ciência  no Instituto Estadual de Educação, Florianópolis /SC,  de  13 a 20 de abril de 2010.
A Mostra de Insetos é muito oportuna já que o  ano de 2010 foi aclamado Ano da Biodiversidade e os insetos representam um grupo de animais com enorme biodiversidade.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Microcosmos



Biologia: Microcosmos 03 (Prof. Toid) www.youtube.com

Belo documentário da Televisão Francesa, filmado por um casal de biólogos.
Vale a pena rever!
As Nações Unidas aclamaram o ano de 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade. A biodiversidade dos insetos é a maior dentre todos os seres vivos do planeta e, infelizmente, com muitas espécies ameaçadas de extinção.

Biodiversidade de Insetos (Microcosmos)



Microcosmos - Fantástica Aventura da Natureza (Microcosmos, França, 1996). Direção: Claude Nuridsany e Marie Perrenou. (75 min.)

O belíssimo documentário Microcosmos levou 15 anos para ser produzido. Para a filmagem foram desenvolvidas lentes especiais para capturar detalhes que o olho humano não consegue visualizar. O casal de biólogos franceses Claude Nuridsany e Marie Perrenou usaram lentes que aumentam centenas e até milhares de vezes o tamanho dos insetos.
O filme recebeu o prêmio da Comissão Técnica Superior de Cinema em Cannes e ganhou também quatro César (o Oscar francês) para trilha sonora, fotografia, som e montagem.
Esse trecho pequeno do filme foi postado no Youtube pelo professor Toid
www.professortoid.blogspot.com

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Mostra do SESC no Instituto Estadual de Educação

A comunidade do Instituto Estadual de Educação de Florianópolis receberá, no período de 13 a 19 de abril de 2010, a Mostra "Senhor Inseto, Muito Prazer", promovida pelo SESC Florianópolis.
"Sr inseto, muito prazer" é uma mostra de ciências, tendo como principal acervo as fotografias ampliadas de insetos. São apresentados de maneira lúdica e divertida, além de máquinas para a projeção mecânica de imagens. A biologia será a principal ciência, no entanto, a área da física pode ser explorada, através da transformação de energias, uma vez em que há geradores mecânicos que, através do movimento do braço dos visitantes, realiza a transferência de energia. E, a própria essência da fotografia, que poderá ser explorada através de oficinas de fotografias.
Os alunos do IEE também poderão participar de oficinas, realizadas no Laboratórios do IEE.