segunda-feira, 14 de julho de 2014
Tem ferro aí?
Na embalagem de um certo cereal matinal diz que ele contém o elemento Ferro (Fe). Será que é verdade? A gente pode conferir! Para isso, só vamos precisar de:
- um punhado de cereal
- um pilão
- uma folha de papel
- um bom imã.*
Primeiro, com o pilão, trituramos o cereal em pedacinhos bem pequenininhos. Depois, arrumamos os floquinhos bem juntinhos sobre o papel, fazendo um montinho.
Agora, passamos o imã por baixo da folha, bem embaixo do montinho - mas sem tremer o papel! E aí, os floquinhos se mexeram?
Então é verdade! Os cereais matinais contém mesmo Ferro, um nutriente muito importante para o nosso organismo pois atua na fabricação dos glóbulos vermelhos do sangue, transporte do oxigênio para todas as células do corpo e produção de aminoácidos, neurotransmissores, hormônios e colágeno. Se a nossa alimentação for deficiente em Ferro, podemos ficar anêmicos.
Por isso, não descuide! Outros alimentos ricos em Ferro são: fejão, ervilha, lentilha, carnes vermelhas, fígado de boi, folhas escuras e gema de ovo, dentre outros.
Uma dica imporante é consumir suco de limão, laranja ou acerola junto com as refeições, pois alimentos ricos em vitamina C facilitam a absorção do Ferro. Já os refrigerantes à base cola, chás e cafés possuem substâncias que diminuem a quantidade de Ferro dos alimentos, e devem ser evitados durante o almoço e jantar.
*Os imãs mais potentes são os de neodímio, e podem ser comprados ou encontrados em sucatas de computadores e nos fones de ouvido mais modernos.
Irene Cavaliere
Colaboração: Tamires Mendes
Fonte: http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=3
sábado, 8 de junho de 2013
Privacidade Genética
Artista recria rostos a partir do DNA extraído de chicletes mastigados, guimbas de cigarros e fios de cabelo. Os retratos, exibidos publicamente, levantam questões sobre privacidade genética.
Como o DNA não permite identificar a idade do desconhecido, Dewey-Hagborg reproduz todos os retratos como se o modelo tivesse 25 anos. Na foto, a artista, que tem 30 anos, aparece ao lado de seu autorretrato cinco anos mais jovem. (foto: Dan Phiffer)
Chicletes mastigados, fios de cabelos e guimbas de cigarro. Quem já jogou algum desses itens fora pode estar na exposição ‘Stranger Visions’ (1Visões Estranhas1, em português), de Heather Dewey-Hagborg, artista que recria rostos de desconhecidos a partir do DNA extraído do lixo que encontra nas calçadas.
Tudo começou durante uma sessão de terapia. Enquanto observava um quadro coberto por vidro, Dewey-Hagborg notou um fio de cabelo preso em uma rachadura. “Fiquei encarando e me perguntei a quem o cabelo pertencia e o que revelava sobre seu dono”, explica. “Comecei a perceber todo o material genético que estava ao meu redor e a ideia da exposição veio à tona.”
Aluna de doutorado em artes eletrônicas do Instituto Politécnico Rensselaer, em Troy, Nova Iorque, Dewey-Hagborg carrega na bolsa luvas descartáveis e sacolas plásticas para coletar, além de fios de cabelo, guimbas de cigarro e chicletes mastigados. Segundo ela, os transeuntes nem notam seu estranho hábito. “É Nova Iorque, as pessoas devem achar que sou apenas mais uma esquisitona”, diz.
Para extrair o DNA das amostras, Dewey-Hagborg leva o material para o Genspace, um laboratório do tipo ‘faça você mesmo’, onde fez um curso de extração de DNA e aprendeu uma técnica que amplifica regiões do genoma que variam de uma pessoa para outra. Tais regiões ajudam a artista a identificar as características do rosto do desconhecido que deixou seus genes por aí.
Depois de amplificar o DNA, Dewey-Hagborg envia o material para um laboratório que o sequencia. Quando o recebe de volta, a artista compara o DNA do desconhecido com sequências genéticas associadas a características como sexo, cor dos olhos e tamanho do nariz. Em seguida, Dewey-Hagborg usa um programa de computador criado por ela mesma para fazer o retrato do dono da amostra que achou na rua.
Impressão 3D O processo não termina aí. O retrato produzido pelo programa de computador é impresso em tamanho real por uma impressora 3D e fica exposto em um museu junto à amostra coletada por Dewey-Hagborg. “Parece meio sinistro, mas as pessoas têm reagido bem à exposição. Muitas mandam e-mails pedindo para ter seu próprio retrato exposto”, conta a artista.
Segundo Dewey-Hagborg, ninguém se reconheceu na parede do museu até então. “É importante lembrar que isso é arte e o retrato não é idêntico ao modelo, existe apenas uma semelhança familiar”, explica. “Isso acontece principalmente porque as pesquisas científicas que associam a morfologia facial com a genética ainda estão no início.”
Dewey-Hagborg: “É importante lembrar que isso é arte e o retrato não é idêntico ao modelo, existe apenas uma semelhança familiar” O principal objetivo da artista é levar os visitantes da exposição a refletir sobre o quanto estão se expondo ao dispersar seu DNA. “As pessoas estão preocupadas com as informações que compartilham nas redes sociais, mas esquecem que sua privacidade é invadida quando dispersam cabelos e unhas porque não notam que isso também contém informação”, observa.
DNA no lixo No Brasil, discussões sobre privacidade genética foram levantadas durante um sequestro ocorrido em 2003. Sequestrado por Vilma Martins ainda na maternidade, Pedro Pinto foi registrado como Osvaldo Junior e criado até a adolescência sem conhecer sua verdadeira mãe. Após indiciar Vilma, a polícia desconfiou que Roberta Jamilly, criada como irmã de Pedro, também havia sido sequestrada. No entanto, Roberta não quis saber a verdade e se recusou a fazer os testes genéticos.
A falta de cuidado com o descarte de seu próprio DNA revelou a verdade que Roberta não queria saber. Seu material genético foi extraído de guimbas de cigarros que fumou e jogou na lixeira da delegacia durante um depoimento e, após os testes, a polícia descobriu que Roberta não era filha de Vilma.
Zatz: “A informação contida em nosso DNA está mais acessível do que pensamos. Será ético usar material genético descartado sem o conhecimento do dono?” Segundo a geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo, tanto a exposição de Dewey-Hagborg quanto o caso de Roberta levantam questões éticas importantes. “A informação contida em nosso DNA está mais acessível do que pensamos. Será ético usar material genético descartado sem o conhecimento do dono? A quem esse material pertence?”, questionou a pesquisadora em palestra sobre genoma pessoal proferida na Universidade Estadual de Campinas no mês passado.
Dewey-Hagborg acredita que sua arte pode conscientizar a população sobre a importância da privacidade genética. “Artefatos contendo material genético são tratados como lixo e ninguém se preocupa com eles. Espero que meu trabalho torne as pessoas mais vigilantes”, completa.
A próxima oportunidade de conhecer a ‘Stranger Vision’ é no dia 13 de junho, em evento a ser realizado no Genspace, em Nova Iorque. A partir de 29 de junho, a exposição ficará em cartaz na Galeria QF, na mesma cidade.
Mariana Rocha
Ciência Hoje On-line
http://cienciahoje.uol.com.br/
Como o DNA não permite identificar a idade do desconhecido, Dewey-Hagborg reproduz todos os retratos como se o modelo tivesse 25 anos. Na foto, a artista, que tem 30 anos, aparece ao lado de seu autorretrato cinco anos mais jovem. (foto: Dan Phiffer)
Chicletes mastigados, fios de cabelos e guimbas de cigarro. Quem já jogou algum desses itens fora pode estar na exposição ‘Stranger Visions’ (1Visões Estranhas1, em português), de Heather Dewey-Hagborg, artista que recria rostos de desconhecidos a partir do DNA extraído do lixo que encontra nas calçadas.
Tudo começou durante uma sessão de terapia. Enquanto observava um quadro coberto por vidro, Dewey-Hagborg notou um fio de cabelo preso em uma rachadura. “Fiquei encarando e me perguntei a quem o cabelo pertencia e o que revelava sobre seu dono”, explica. “Comecei a perceber todo o material genético que estava ao meu redor e a ideia da exposição veio à tona.”
Aluna de doutorado em artes eletrônicas do Instituto Politécnico Rensselaer, em Troy, Nova Iorque, Dewey-Hagborg carrega na bolsa luvas descartáveis e sacolas plásticas para coletar, além de fios de cabelo, guimbas de cigarro e chicletes mastigados. Segundo ela, os transeuntes nem notam seu estranho hábito. “É Nova Iorque, as pessoas devem achar que sou apenas mais uma esquisitona”, diz.
Para extrair o DNA das amostras, Dewey-Hagborg leva o material para o Genspace, um laboratório do tipo ‘faça você mesmo’, onde fez um curso de extração de DNA e aprendeu uma técnica que amplifica regiões do genoma que variam de uma pessoa para outra. Tais regiões ajudam a artista a identificar as características do rosto do desconhecido que deixou seus genes por aí.
Depois de amplificar o DNA, Dewey-Hagborg envia o material para um laboratório que o sequencia. Quando o recebe de volta, a artista compara o DNA do desconhecido com sequências genéticas associadas a características como sexo, cor dos olhos e tamanho do nariz. Em seguida, Dewey-Hagborg usa um programa de computador criado por ela mesma para fazer o retrato do dono da amostra que achou na rua.
Impressão 3D O processo não termina aí. O retrato produzido pelo programa de computador é impresso em tamanho real por uma impressora 3D e fica exposto em um museu junto à amostra coletada por Dewey-Hagborg. “Parece meio sinistro, mas as pessoas têm reagido bem à exposição. Muitas mandam e-mails pedindo para ter seu próprio retrato exposto”, conta a artista.
Segundo Dewey-Hagborg, ninguém se reconheceu na parede do museu até então. “É importante lembrar que isso é arte e o retrato não é idêntico ao modelo, existe apenas uma semelhança familiar”, explica. “Isso acontece principalmente porque as pesquisas científicas que associam a morfologia facial com a genética ainda estão no início.”
Dewey-Hagborg: “É importante lembrar que isso é arte e o retrato não é idêntico ao modelo, existe apenas uma semelhança familiar” O principal objetivo da artista é levar os visitantes da exposição a refletir sobre o quanto estão se expondo ao dispersar seu DNA. “As pessoas estão preocupadas com as informações que compartilham nas redes sociais, mas esquecem que sua privacidade é invadida quando dispersam cabelos e unhas porque não notam que isso também contém informação”, observa.
DNA no lixo No Brasil, discussões sobre privacidade genética foram levantadas durante um sequestro ocorrido em 2003. Sequestrado por Vilma Martins ainda na maternidade, Pedro Pinto foi registrado como Osvaldo Junior e criado até a adolescência sem conhecer sua verdadeira mãe. Após indiciar Vilma, a polícia desconfiou que Roberta Jamilly, criada como irmã de Pedro, também havia sido sequestrada. No entanto, Roberta não quis saber a verdade e se recusou a fazer os testes genéticos.
A falta de cuidado com o descarte de seu próprio DNA revelou a verdade que Roberta não queria saber. Seu material genético foi extraído de guimbas de cigarros que fumou e jogou na lixeira da delegacia durante um depoimento e, após os testes, a polícia descobriu que Roberta não era filha de Vilma.
Zatz: “A informação contida em nosso DNA está mais acessível do que pensamos. Será ético usar material genético descartado sem o conhecimento do dono?” Segundo a geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo, tanto a exposição de Dewey-Hagborg quanto o caso de Roberta levantam questões éticas importantes. “A informação contida em nosso DNA está mais acessível do que pensamos. Será ético usar material genético descartado sem o conhecimento do dono? A quem esse material pertence?”, questionou a pesquisadora em palestra sobre genoma pessoal proferida na Universidade Estadual de Campinas no mês passado.
Dewey-Hagborg acredita que sua arte pode conscientizar a população sobre a importância da privacidade genética. “Artefatos contendo material genético são tratados como lixo e ninguém se preocupa com eles. Espero que meu trabalho torne as pessoas mais vigilantes”, completa.
A próxima oportunidade de conhecer a ‘Stranger Vision’ é no dia 13 de junho, em evento a ser realizado no Genspace, em Nova Iorque. A partir de 29 de junho, a exposição ficará em cartaz na Galeria QF, na mesma cidade.
Mariana Rocha
Ciência Hoje On-line
http://cienciahoje.uol.com.br/
sexta-feira, 13 de julho de 2012
CURSO: O CURTA-METRAGEM COMO RECURSO DIDÁTICO
Caros professores,
o prazo para encerramento do Concurso Procura-se Professor-Autor foi prorrogado até 08/10/2012!
Aproveitaremos o período de férias para, com a parceria executiva do Instituto Paramitas, presenteá-los com um curso online totalmente gratuito* que o auxiliará a utilizar os curtas em sua sala de aula!
Leia nossa programação abaixo e inscreva-se o quanto antes neste formulário!
As inscrições para o curso estão abertas até o dia 27/07/12.
Clique Aqui para ler o regulamento da Campanha Procura-se Professor Autor.
*Caso o participante queira o certificado impresso pelo correio, pagará uma taxa para os custos.
Apresentação
Esse curso visa à formação de professores para a utilização de curtas-metragens brasileiros em suas aulas, com os filmes disponíveis no site “Curta na Escola” – www.curtanaescola.org.br. Por ser em EAD (Educação a Distância), você, professor, poderá fazer o seu horário e realizar o curso de casa, da sua escola, ou do local que você preferir.
Serão apresentados alguns curtas brasileiros e algumas práticas pedagógicas possíveis e, após isso, o professor escolherá uma das práticas para adaptar em sua aula ou poderá propor uma nova.
Além de tudo isso, ao final, o professor inscreverá o relato de sua aula no site e concorrerá ao prêmio de R$1000,00 que será dado ao melhor relato, ou o de R$ 500,00 que será dado para os quatro melhores relatos seguintes. A escola que tiver o maior número de inscritos ganhará um retroprojetor.
Não deixe de participar! Além do prêmio em dinheiro, sua escola poderá se beneficiar e você terá mais um certificado para acrescentar em seu portfólio e currículo! Se inscreva e incentive os seus colegas a fazerem o mesmo.
Programação
Duração: de 01/08/2012 a 28/09/2012
Carga horária: 30 horas (com certificação)
1ª Etapa (8 horas) – Apresentação do projeto “Curta na Escola” e do Concurso “Procura‐se Professor‐Autor!”, bem como do curso a ser desenvolvido. Acesso aos curtas e aos planos de aula sugeridos.
Atividade de fórum sobre as primeiras impressões com relação aos curtas e aos planos de aula.
2ª Etapa (8 horas) – Escolha de um dos curtas e adaptação ou criação de um plano de aula.
3ª Etapa (8 horas) – Aplicação do plano de aula adaptado ou criado na etapa anterior com os alunos e inscrição do relato no site www.curtanaescola.org.br e na plataforma do curso.
4ª Etapa (6 horas) – Avaliação final e exploração de outros curtas como recuso didático eficaz para as aulas.
Atenciosamente,
Equipe Curta Na Escola
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Calcule sua Pegada Ecológica
Mata atlântica divertida
No jogo eletrônico ‘Mata atlântica: o bioma onde eu moro’, um papagaio-de-peito-roxo guia os alunos por atividades que ensinam sobre seis ecossistemas desse bioma. (imagem: reprodução)
Jogo eletrônico criado na Universidade Federal de Santa Catarina apresenta os seis ecossistemas desse bioma presentes no estado para alunos do ensino fundamental. A tecnologia usada promove o trabalho colaborativo entre os jogadores.
As aulas de geografia e ciências podem ficar mais divertidas com um novo jogo eletrônico criado pela equipe do Laboratório de Educação Cerebral (LEC) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Lançado em março, o jogo tem o objetivo de apresentar a mata atlântica, um dos biomas de maior biodiversidade do mundo, para estudantes do 4º e 5º anos do ensino fundamental, tendo como foco os ecossistemas desse bioma presentes em território catarinense.
Segundo uma das colaboradoras do projeto, a bióloga Cristina Santos, a proposta foi criar uma atividade de ‘edutenimento’, ou seja, que utilize modelos de entretenimento na educação.
“O objetivo não é competir, mas sim estimular a aprendizagem por meio da colaboração”
Batizado de ‘Mata atlântica: o bioma onde eu moro’, o jogo promove a interatividade e utiliza uma tecnologia chamada multimouse. Com ela, dois ou mais mouses podem ser conectados a um mesmo computador, estimulando o trabalho colaborativo entre os usuários. Os pesquisadores ressaltam ainda que essa tecnologia resolve o problema da falta de computadores nas escolas, pois acopla mais estudantes a uma mesma máquina.
O jogo, que pode ser baixado gratuitamente na internet, foi desenvolvido para um trabalho em dupla, em que cada jogador comanda o seu mouse e não avança para a próxima etapa sem que o outro também tenha cumprido corretamente as suas tarefas daquela fase. “O objetivo não é competir, mas sim estimular a aprendizagem por meio da colaboração entre os participantes para que eles consigam terminar a atividade”, explica a bióloga.
A missão de cada jogador é reconhecer os seis ecossistemas da mata atlântica em Santa Catarina – manguezal, restinga, campos de altitude e florestas ombrófila densa, ombrófila mista e estacional decidual –, além de 36 espécies de animais que vivem no bioma e são apresentadas ao longo do jogo.
Hora de jogar
O jogo é dividido em sete fases – uma para cada ecossistema e um desafio final. Elas incluem quebra-cabeças, jogos de lógica e raciocínio e brincadeiras para testar os conhecimentos do participante sobre os animais que vivem nos diferentes ecossistemas. Ao final de cada fase, a dupla recebe cartões virtuais com os dados do lugar recém-conhecido e dos animais ali encontrados.
Por meio de quebra-cabeças, jogos de lógica e raciocínio e desafios de conhecimento, o jogo eletrônico ensina de forma lúdica sobre ecossistemas e animais da mata atlântica. (imagem: reprodução)
Os jogadores são conduzidos por um papagaio-de-peito-roxo, que diz se eles completaram corretamente a atividade e os estimula a passar para o próximo exercício. Ao fim do jogo, o papagaio-de-peito-roxo aparece para explicar como os ecossistemas da mata atlântica eram distribuídos há 200 anos e destacar que, apesar do nível avançado de desmatamento, ainda há reservas florestais que podem ser visitadas.
Antes de seu lançamento, o jogo, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina, foi testado em três turmas do 5º ano do Colégio de Aplicação da UFSC. “Os alunos gostaram demais do trabalho em dupla”, conta Santos. “E nos deram dicas para melhorar o jogo, como usar um personagem para conduzir os jogadores e criar as fichas dos animais.”
Agora a equipe do LEC, coordenada por Emílio Takase, espera que os professores os ajudem com informações sobre como o jogo tem sido aplicado. “A gente precisa que os educadores utilizem o jogo eletrônico educativo e identifiquem possíveis pontos de melhora”, diz a bióloga. O grupo pretende captar mais recursos para ampliar o jogo – acrescentando informações sobre a mata atlântica em outros estados – e estender seu uso para todo o país.
Sobre a mata atlântica
Quando os portugueses chegaram ao Brasil, a mata atlântica cobria cerca de 15% do território do país, passando por 17 estados – do Piauí ao Rio Grande do Sul.
O bioma é formado por diversos ecossistemas: as florestas ombrófila densa, ombrófila mista, ombrófila aberta, estacional semidecidual e estacional decidual, os manguezais, as restingas, os campos de altitude, as ilhas litorâneas e os brejos interioranos e encraves florestais do Nordeste. Eles abrigam 20 milhões de espécies de plantas (50% endêmicas) e 1,6 milhão de espécies de animais.
Desde a chegada dos colonizadores, a mata atlântica foi muito explorada para fins econômicos, como a retirada do pau-brasil, a mineração do ouro e diamantes e as plantações de cana-de-açúcar e café.
Hoje, só existem 7,84% da mata original: ela é o segundo bioma mais desmatado do mundo, só perdendo para as florestas da ilha de Madagascar, na África. Apesar disso, a mata atlântica ainda responde por parte do equilíbrio climático do país.
Fernanda Braune
Ciência Hoje On-line
domingo, 27 de maio de 2012
domingo, 11 de março de 2012
Oceanos de Plástico
Documentário denuncia a
formação de capa tóxica na superfície dos oceanos, uma ameaça à
biodiversidade marinha e à vida humana gerada pelo descarte do plástico.
Praticamente todo o
plástico descartado nas últimas décadas continua de alguma forma na
natureza – grande parte desse lixo dito descartável volta para nós
contaminando os mares e sua cadeia alimentar, inclusive o homem. (foto:
Plastic Oceans Foundation)
A equipe de documentaristas da Plastic Ocean Foundation, organização ambientalista do Reino Unido, visitou mares de todo o mundo, mergulhou com baleias, investigou as profundezas e flagrou situações extremas de contaminação, sempre acompanhando de perto o trabalho de pesquisadores que conduzem estudos de ponta sobre o tema.
Para a bióloga marinha Jo Ruxton, idealizadora e produtora do filme, é preciso sensibilizar o mundo para o problema do plástico e incentivar o desenvolvimento de novas estratégias para enfrentá-lo.
Sacos, garrafas e embalagens de plástico descartáveis. Para onde vai tudo isso? Segundo a WWF e o Greenpeace, fabricou-se, na última década, mais plástico do que em todo o século 20 – das cerca de 300 milhões de toneladas produzidas por ano, metade é descartada após um único uso, mas pode permanecer na natureza por mais de 400 anos. “Todo o plástico produzido nos últimos 60 anos continua no ambiente. Jogamos fora sem nos preocupar, mas está voltando para nós”, afirma John Craig, diretor do documentário.
Muito desse lixo plástico acaba em rios e mares, onde pode afundar e contaminar o fundo dos oceanos ou ficar em suspensão, quebrando-se em pequenas partículas após anos de exposição no ambiente. “Percebemos que a existência de um grande aglomerado de lixo no meio do oceano é um mito; o que existe é uma sopa tóxica, mais perigosa e menos visível, logo abaixo da superfície das águas”, avalia Ruxton.
A base da cadeia alimentar
Misturado ao plâncton, conjunto de plantas e animais microscópicos que formam a base da cadeia alimentar marinha, o plástico é ingerido por pequenos animais e contamina a biodiversidade do mar de forma progressiva e cumulativa, colocando em risco também a saúde humana. Afinal, os peixes são fontes de proteínas na dieta de boa parte do mundo.Os plásticos possuem toxinas relacionadas a diversas doenças, como câncer, diabetes e disfunções autoimunes. “Além disso, ajudam a concentrar outras substâncias tóxicas, provenientes de efluentes industriais, por exemplo”, conta a bióloga. “A água de diversos locais onde estivemos apresentou grande concentração de plástico associada a essas toxinas.” Para Ruxton, apesar de os cientistas ainda discutirem a escala da crise, parece claro que todos os oceanos já são vítimas da poluição plástica.
Planctôn, peixes, a enorme baleia azul, os ursos polares e até o homem – todos os animais que integrem a cadeia alimentar dos oceanos poderão sofrer as consequências do acúmulo do plástico nas águas. (foto: David Shaw/ Plastic Oceans Foundation)
O homem, é claro, não é o único ameaçado. A equipe acompanhou pesquisas sobre a quantidade de lixo plástico consumida pelos animais marinhos. Chamou a atenção sua possível relação com a chamada skinny whale syndrome, mal que afeta populações de baleia azul, maior animal do mundo, encontradas misteriosamente famintas.
Cinema para preservar o mundo
Ruxton não é nenhuma novata no assunto. Com 12 anos de experiência na produção de séries como Blue Planet e Pacific Abyss para a rede de TV britânica BBC, a bióloga acredita no poder do cinema, aliado à ciência, para inspirar a mudança. “Queremos criar uma poderosa representação da crise, que tire os espectadores da complacência, mostrar que o problema não vai embora com o lixo”, explica. Até o título, ainda provisório – Away –, pretende destacar o impacto daquilo que jogamos fora.
Para o diretor do documentário, é preciso se aproximar do problema para compreender a ação humana na natureza. “Ao encontrar um soldadinho fabricado na China no estômago de um albatroz, numa ilha no meio do Pacífico, percebemos a extensão do problema”, relembra. “Precisamos repensar nosso estilo de vida descartável. Não se trata simplesmente de banir o plástico, mas de procurar soluções para o desperdício.”
Otimista, a produtora acredita que o documentário não será uma história de terror. Ela explica que vai apresentar alternativas para lidar com o plástico e formas de adaptá-las em larga escala, além de destacar o pioneirismo de alguns países nessa empreitada. “A ciência nos ajuda a problematizar as situações que encontramos e a apontar possíveis soluções”, explica. “Queremos encorajar o público a tirar suas próprias conclusões e fazer mais pesquisadores dedicarem-se à resolução do problema.”
“Queremos encorajar o público a tirar suas próprias conclusões e fazer mais pesquisadores dedicarem-se à resolução do problema”
Os documentaristas já acompanharam expedições de diversas
instituições científicas parceiras do projeto, como as universidades de
Plymouth, Exeter, Aberdeen e Portsmouth, do Reino Unido; Siena, da
Itália; Califórnia e Maryland, dos Estados Unidos; e Pacífico Sul, da
Oceania.Até a metade de 2012, a equipe ainda vai visitar comunidades próximas a rios densamente poluídos com plásticos, para registrar seus efeitos sobre a vida humana. O lançamento está previsto para 2013.
Confira a galeria com imagens registradas durante as filmagens do documentário
Marcelo Garcia
Ciência Hoje On-line
http://cienciahoje.uol.com.br
quinta-feira, 8 de março de 2012
Prevenção será foco no Simpósio Nacional sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
Discutir o papel da sociedade civil, das instituições públicas
municipais, estaduais e federais na prevenção da Aids. Esse será um dos
principais objetivos do II Simpósio Nacional sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.
O evento agendado para os dias 12 e 13 de março, no Centro de Cultura e
Eventos da UFSC e na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, terá a
presença, entre outras autoridades, do prêmio Nobel de Fisiologia e
Medicina, coordenador da equipe francesa que identificou o vírus da
Aids, Luc Montagnier.
Segundo relatório do Departamento de DST, Aids e Epatites Virais, ligado ao Ministério da Saúde, no Brasil os primeiros casos de Aids foram identificados no início da década de 1980, sendo registrados, predominantemente, entre gays adultos, usuários de drogas injetáveis e hemofílicos. “Passados 30 anos, o Brasil tem como característica uma epidemia estável e concentrada em alguns subgrupos populacionais em situação de vulnerabilidade”, avalia o documento.
“As avaliações sobre o crescimento da incidência da AIDS destacam que a situação é estável, mas se é estável continua ruim. Precisamos ver o que está sendo feito, onde erramos, pois não estamos reduzindo a incidência em diversos grupos e em alguns a doença está crescendo, como no caso dos adolescentes homosexuais masculinos”, preocupa-se o professor do Departamento de Análises Clínicas da UFSC Luiz Alberto Peregrino Ferreira.
“Se temos campanhas, temos informação, temos distribuição de preservativos, por que razão os adolescentes não estão adotado métodos de prevenção?”, questiona Ferreira. Segundo ele, a primeira edição do simpósio, realizada em 1992, foi um marco no combate da doença no Brasil. Naquela época, o encontro discutiu temas como características da doença, tratamentos, o desenvolvimento de vacinas. Agora uma das principais metas é debater o comprometimento das instituições na busca de soluções inovadoras para as políticas de prevenção. O II Simpósio Nacional Sobre Aids é organizado pela Assembleia Legislativa do Estado, em parceria com Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Aids em jovens
De acordo com o Boletim Epidemiológico Aids e DST 2011, publicado pelo Ministério da Saúde, há uma tendência de aumento na prevalência da infecção pelo HIV nos jovens.
O boletim cita pesquisa realizada junto a alistados no Exército, de 17 a 20 anos. O levantamento revela que a prevalência da doença passou de 0,09%, em 2002, para 0,12%, em 2007. Além disso, acompanhando a tendência observada entre os jovens do sexo masculino, a prevalência na população de jovens homens que transam com homens (17 a 20 anos) também aumentou, passando no período de 2002 a 2007 de 0,56% para 1,2%, praticamente o dobro (enquanto nas mulheres da faixa etária de 15 a 24 anos a doença se manteve constante, em torno de 0,24%).
O relatório mostra ainda que entre jovens homossexuais homens de 18 a 24 anos a Aids atingiu 4,3%. “Quando se compara esse grupo com os jovens em geral, a chance de ter um jovem gay estar infectado pelo HIV é aproximadamente 13 vezes maior”, ressalta o documento.
Veja a programação em www.eventoaids.ufsc.br/programa.html
Serviço
II Simpósio Nacional sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
Data: 12 e 13 de março
Local: Centro de Eventos da UFSC
Inscrições: Gratuitas, limitadas a 1.300 participantes
Informações: www.eventoaids.ufsc.br
Para a imprensa, mais informações com o professor Luiz Alberto Peregrino, fone (48) 3721-8147 /
/ 
Por Arley Reis / Jornalista na Agecom
Saiba Mais
AIDS em Santa Catarina
- O documento A Epidemia da AIDS em Santa Catarina (1984-2011) , da Secretaria de Estado da Saúde, registra que desde 1984 foram notificados no Estado 25.950 casos em adultos, 929 em crianças e 4.756 gestantes HIV positivas.
- Além disso, desde 1994 foram notificados 139.271 casos de algum tipo de doença sexualmente transmissível.
- O relatório mostra que as taxas de incidência e mortalidade no Estado são sempre mais altas em relação às taxas nacionais.
- E detalha que Santa Catarina apresenta taxas de mortalidade superiores às do Brasil, sendo, provavelmente, devido a diagnóstico tardio, dificuldades na adesão ao tratamento, esquemas de tratamento antirretrovirais e profilaxia das infecções oportunistas inadequadas, além de dificuldades de acesso para acompanhamento médico especializado.
- Florianópolis (com 4.174 casos), Joinville (2.836), Itajaí (2.320), Blumenau (1.630) e São José (1501) são os cinco municípios catarinense com o maior número de casos de Aids entre adultos.
- Dezessete cidades catarinenses constam do ranking divulgado pelo Ministério da Saúde em 2009 em que foram elencados os 100 municípios brasileiros com as maiores taxas de incidência da doença: Florianópolis, Joinville, Itajai, Blumenau, São José, Criciuma, Balneário Camboriu, Palhoça, Palhoça, Tubarão, Jaraguá do Sul, Biguaçu, Rio do Sul, Araranguá, Içara e Indaial.
- A epidemia vem apresentando mudanças no perfil epidemiológico. A tendência é caracterizada pela heterossexualização, feminização, interiorização e pauperização.
Aids no Brasil
- De acordo com o último Boletim Epidemiológico (ano base 2010), o Brasil tem 608.230 casos registrados de Aids (condição em que a doença se manifestou).
- Em 2010, foram notificados 34.218 casos da doença e a taxa de incidência de Aids no Brasil foi de 17,9 casos por 100 mil habitantes.
- A razão de sexo vem diminuindo ao longo dos anos. Em 1985, para cada 26 casos entre homens, havia um caso entre mulher. Em 2010, essa relação é de 1,7 homens para cada caso em mulheres.
- A taxa de prevalência da infecção pelo HIV na população de 15 a 49 anos mantém-se estável em 0,6% desde 2004, sendo 0,4% entre as mulheres e 0,8% entre os homens.
- O Boletim Epidemiológico demonstra que, considerando a série histórica, há um aumento de casos em gays de 15 a 24 anos nas Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. As Regiões Norte e Nordeste não apresentam diferenças significativas nessa população.
- Quanto à forma de transmissão entre os maiores de 13 anos de idade, prevalece a sexual. Nas mulheres, 83,1% dos casos registrados em 2010 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV. Entre os homens, 42,4% dos casos se deram por relações heterossexuais, 22% por relações homossexuais e 7,7% por bissexuais. O restante ocorreu por transmissão sanguínea e vertical.
- Em relação à taxa de mortalidade, o boletim sinaliza queda. Em 12 anos, a taxa de incidência baixou de 7,6 para 6,3 a cada 100 mil pessoas. A queda foi de 17%.
www.ufsc.br
Segundo relatório do Departamento de DST, Aids e Epatites Virais, ligado ao Ministério da Saúde, no Brasil os primeiros casos de Aids foram identificados no início da década de 1980, sendo registrados, predominantemente, entre gays adultos, usuários de drogas injetáveis e hemofílicos. “Passados 30 anos, o Brasil tem como característica uma epidemia estável e concentrada em alguns subgrupos populacionais em situação de vulnerabilidade”, avalia o documento.
“As avaliações sobre o crescimento da incidência da AIDS destacam que a situação é estável, mas se é estável continua ruim. Precisamos ver o que está sendo feito, onde erramos, pois não estamos reduzindo a incidência em diversos grupos e em alguns a doença está crescendo, como no caso dos adolescentes homosexuais masculinos”, preocupa-se o professor do Departamento de Análises Clínicas da UFSC Luiz Alberto Peregrino Ferreira.
“Se temos campanhas, temos informação, temos distribuição de preservativos, por que razão os adolescentes não estão adotado métodos de prevenção?”, questiona Ferreira. Segundo ele, a primeira edição do simpósio, realizada em 1992, foi um marco no combate da doença no Brasil. Naquela época, o encontro discutiu temas como características da doença, tratamentos, o desenvolvimento de vacinas. Agora uma das principais metas é debater o comprometimento das instituições na busca de soluções inovadoras para as políticas de prevenção. O II Simpósio Nacional Sobre Aids é organizado pela Assembleia Legislativa do Estado, em parceria com Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Aids em jovens
De acordo com o Boletim Epidemiológico Aids e DST 2011, publicado pelo Ministério da Saúde, há uma tendência de aumento na prevalência da infecção pelo HIV nos jovens.
O boletim cita pesquisa realizada junto a alistados no Exército, de 17 a 20 anos. O levantamento revela que a prevalência da doença passou de 0,09%, em 2002, para 0,12%, em 2007. Além disso, acompanhando a tendência observada entre os jovens do sexo masculino, a prevalência na população de jovens homens que transam com homens (17 a 20 anos) também aumentou, passando no período de 2002 a 2007 de 0,56% para 1,2%, praticamente o dobro (enquanto nas mulheres da faixa etária de 15 a 24 anos a doença se manteve constante, em torno de 0,24%).
O relatório mostra ainda que entre jovens homossexuais homens de 18 a 24 anos a Aids atingiu 4,3%. “Quando se compara esse grupo com os jovens em geral, a chance de ter um jovem gay estar infectado pelo HIV é aproximadamente 13 vezes maior”, ressalta o documento.
Veja a programação em www.eventoaids.ufsc.br/programa.html
Serviço
II Simpósio Nacional sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
Data: 12 e 13 de março
Local: Centro de Eventos da UFSC
Inscrições: Gratuitas, limitadas a 1.300 participantes
Informações: www.eventoaids.ufsc.br
Para a imprensa, mais informações com o professor Luiz Alberto Peregrino, fone (48) 3721-8147 /
Por Arley Reis / Jornalista na Agecom
Saiba Mais
AIDS em Santa Catarina
- O documento A Epidemia da AIDS em Santa Catarina (1984-2011) , da Secretaria de Estado da Saúde, registra que desde 1984 foram notificados no Estado 25.950 casos em adultos, 929 em crianças e 4.756 gestantes HIV positivas.
- Além disso, desde 1994 foram notificados 139.271 casos de algum tipo de doença sexualmente transmissível.
- O relatório mostra que as taxas de incidência e mortalidade no Estado são sempre mais altas em relação às taxas nacionais.
- E detalha que Santa Catarina apresenta taxas de mortalidade superiores às do Brasil, sendo, provavelmente, devido a diagnóstico tardio, dificuldades na adesão ao tratamento, esquemas de tratamento antirretrovirais e profilaxia das infecções oportunistas inadequadas, além de dificuldades de acesso para acompanhamento médico especializado.
- Florianópolis (com 4.174 casos), Joinville (2.836), Itajaí (2.320), Blumenau (1.630) e São José (1501) são os cinco municípios catarinense com o maior número de casos de Aids entre adultos.
- Dezessete cidades catarinenses constam do ranking divulgado pelo Ministério da Saúde em 2009 em que foram elencados os 100 municípios brasileiros com as maiores taxas de incidência da doença: Florianópolis, Joinville, Itajai, Blumenau, São José, Criciuma, Balneário Camboriu, Palhoça, Palhoça, Tubarão, Jaraguá do Sul, Biguaçu, Rio do Sul, Araranguá, Içara e Indaial.
- A epidemia vem apresentando mudanças no perfil epidemiológico. A tendência é caracterizada pela heterossexualização, feminização, interiorização e pauperização.
Aids no Brasil
- De acordo com o último Boletim Epidemiológico (ano base 2010), o Brasil tem 608.230 casos registrados de Aids (condição em que a doença se manifestou).
- Em 2010, foram notificados 34.218 casos da doença e a taxa de incidência de Aids no Brasil foi de 17,9 casos por 100 mil habitantes.
- A razão de sexo vem diminuindo ao longo dos anos. Em 1985, para cada 26 casos entre homens, havia um caso entre mulher. Em 2010, essa relação é de 1,7 homens para cada caso em mulheres.
- A taxa de prevalência da infecção pelo HIV na população de 15 a 49 anos mantém-se estável em 0,6% desde 2004, sendo 0,4% entre as mulheres e 0,8% entre os homens.
- O Boletim Epidemiológico demonstra que, considerando a série histórica, há um aumento de casos em gays de 15 a 24 anos nas Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. As Regiões Norte e Nordeste não apresentam diferenças significativas nessa população.
- Quanto à forma de transmissão entre os maiores de 13 anos de idade, prevalece a sexual. Nas mulheres, 83,1% dos casos registrados em 2010 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV. Entre os homens, 42,4% dos casos se deram por relações heterossexuais, 22% por relações homossexuais e 7,7% por bissexuais. O restante ocorreu por transmissão sanguínea e vertical.
- Em relação à taxa de mortalidade, o boletim sinaliza queda. Em 12 anos, a taxa de incidência baixou de 7,6 para 6,3 a cada 100 mil pessoas. A queda foi de 17%.
www.ufsc.br
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Coral invasor é localizado no entorno da Reserva Marinha Biológica do Arvoredo
O coral-sol é uma espécie invasora, pois onde se fixa domina o ambiente.
Foto de Otto Schubart Neto/ Divulgação Bertuol Escola de Mergulho
Uma equipe que inclui representantes da UFSC, UFRJ, UERJ e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) vai a campo quinta e sexta-feira (16 e 17/02) para documentar a extensão e as características de colônias de coral-sol em área próxima à Reserva Marinha Biológica do Arvoredo, litoral de Santa Catarina.
A espécie exótica e invasora foi encontrada no início de janeiro, durante uma operação organizada pela Bertuol Escola de Mergulho, localizada em Bombinhas. É a primeira vez que o coral-sol Tubastraea coccinea é observado em costão rochoso no Sul do Brasil. Em plataformas de petróleo já havia sido documentado.
“Foi durante uma operação de mergulho recreativo, na Ilha do Arvoredo, em uma profundidade de quatro metros”, conta a bióloga Cecília Pascelli, que se formou no Curso de Biologia da UFSC e agora faz seu mestrado na UFRJ, com estudos de campo na Reserva Marinha Biológica do Arvoredo.
Ainda que o foco de suas pesquisas agora sejam as esponjas marinhas, Cecília já conhecia a beleza e a ameaça do coral invasor, que chamou sua atenção. Em uma saída de campo seguinte uma amostra foi removida e a identificação confirmada na UFSC, pela equipe do projeto Biodiversidade Marinha de Santa Catarina.
O grupo fez contato com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e também com o Projeto Coral-Sol, criado em 2005 pela UERJ e pelo Instituto de Biodiversidade Marinha com a proposta de controlar o coral exótico invasor atuando em pesquisas, monitoramentos e remoção no litoral brasileiro.
A volta ao local de ocorrência em Santa Catarina esta semana tem como objetivo investigar a distribuição e as características das colônias, como estão instaladas, entre outras características. De acordo com o professor Alberto Lindner, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, o mapeamento ajudará a equipe a definir que ação pode ser adotada com a espécie que já invadiu diversas áreas do litoral do Rio de Janeiro e São Paulo. “O tamanho da colônia que recebemos para identificação nos indica que ela tem mais de um ano, portanto sobrevive no litoral de Santa Catarina tanto no inverno como no verão”, explica Lindner.
A equipe vai também aproveitar a ocorrência para divulgar informações sobre o coral-sol no Estado, especialmente entre operadoras de mergulho, para que a possibilidade de avistar o invasor seja multiplicada. “O mergulho recreativo é uma atividade, em minha opinião, de baixo impacto, e que pode ajudar no monitoramento dos ambientes. A grande ressalva é que no caso de encontrar o coral, as pessoas não devem coletar, pois partes fragmentadas podem levar à reprodução em outros locais. As pessoas devem somente comunicar o Projeto Coral-Sol”, alerta Lindner.
“A expedição dessa semana vai nos mostrar se é viável fazer a remoção, pois há pesquisas que indicam situações em que a localização de uma espécie considerada exótica e invasora já não permite mais o seu controle, do ponto de vista de custo de remoção”, explica o professor que trabalha com a professora Bárbara Segal Ramos, também do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, para iniciar um projeto de monitoramento do coral-sol em Santa Catarina.
Originário da região do oceano Indo-Pacífico, o coral-sol foi observado na década de 1950 no Caribe. Em 1990 chegou a plataformas de petróleo na Bacia de Campos, na costa norte do Rio de Janeiro, e depois a costões rochosos do Rio. Atualmente cobre grandes extensões de costão na Ilha Grande (RJ) e da Ilhabela (SP).
A espécie é considerada exótica e invasora, pois onde se fixa domina o ambiente. Sua presença pode interferir na dinâmica do bentos, que incluem esponjas e algas, entre outros organismos que vivem no substrato marinho. Em casos extremos pode também interferir na macrofauna e gerar impactos na cadeia alimentar de alguns peixes.
Mais informações:
Professor Alberto Lindner (
/ Fone: (48) 3721-4744)
Bióloga Cecília Pascelli (
)
Por Arley Reis / Jornalista da Agecom
Leia também:
Pesquisa comprova presença de corais recifais na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo
Portal reúne informações sobre biodiversidade marinha de Santa Catarina
http://noticias.ufsc.br
Uma equipe que inclui representantes da UFSC, UFRJ, UERJ e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) vai a campo quinta e sexta-feira (16 e 17/02) para documentar a extensão e as características de colônias de coral-sol em área próxima à Reserva Marinha Biológica do Arvoredo, litoral de Santa Catarina.
A espécie exótica e invasora foi encontrada no início de janeiro, durante uma operação organizada pela Bertuol Escola de Mergulho, localizada em Bombinhas. É a primeira vez que o coral-sol Tubastraea coccinea é observado em costão rochoso no Sul do Brasil. Em plataformas de petróleo já havia sido documentado.
“Foi durante uma operação de mergulho recreativo, na Ilha do Arvoredo, em uma profundidade de quatro metros”, conta a bióloga Cecília Pascelli, que se formou no Curso de Biologia da UFSC e agora faz seu mestrado na UFRJ, com estudos de campo na Reserva Marinha Biológica do Arvoredo.
Ainda que o foco de suas pesquisas agora sejam as esponjas marinhas, Cecília já conhecia a beleza e a ameaça do coral invasor, que chamou sua atenção. Em uma saída de campo seguinte uma amostra foi removida e a identificação confirmada na UFSC, pela equipe do projeto Biodiversidade Marinha de Santa Catarina.
O grupo fez contato com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e também com o Projeto Coral-Sol, criado em 2005 pela UERJ e pelo Instituto de Biodiversidade Marinha com a proposta de controlar o coral exótico invasor atuando em pesquisas, monitoramentos e remoção no litoral brasileiro.
A volta ao local de ocorrência em Santa Catarina esta semana tem como objetivo investigar a distribuição e as características das colônias, como estão instaladas, entre outras características. De acordo com o professor Alberto Lindner, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, o mapeamento ajudará a equipe a definir que ação pode ser adotada com a espécie que já invadiu diversas áreas do litoral do Rio de Janeiro e São Paulo. “O tamanho da colônia que recebemos para identificação nos indica que ela tem mais de um ano, portanto sobrevive no litoral de Santa Catarina tanto no inverno como no verão”, explica Lindner.
A equipe vai também aproveitar a ocorrência para divulgar informações sobre o coral-sol no Estado, especialmente entre operadoras de mergulho, para que a possibilidade de avistar o invasor seja multiplicada. “O mergulho recreativo é uma atividade, em minha opinião, de baixo impacto, e que pode ajudar no monitoramento dos ambientes. A grande ressalva é que no caso de encontrar o coral, as pessoas não devem coletar, pois partes fragmentadas podem levar à reprodução em outros locais. As pessoas devem somente comunicar o Projeto Coral-Sol”, alerta Lindner.
“A expedição dessa semana vai nos mostrar se é viável fazer a remoção, pois há pesquisas que indicam situações em que a localização de uma espécie considerada exótica e invasora já não permite mais o seu controle, do ponto de vista de custo de remoção”, explica o professor que trabalha com a professora Bárbara Segal Ramos, também do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, para iniciar um projeto de monitoramento do coral-sol em Santa Catarina.
Originário da região do oceano Indo-Pacífico, o coral-sol foi observado na década de 1950 no Caribe. Em 1990 chegou a plataformas de petróleo na Bacia de Campos, na costa norte do Rio de Janeiro, e depois a costões rochosos do Rio. Atualmente cobre grandes extensões de costão na Ilha Grande (RJ) e da Ilhabela (SP).
A espécie é considerada exótica e invasora, pois onde se fixa domina o ambiente. Sua presença pode interferir na dinâmica do bentos, que incluem esponjas e algas, entre outros organismos que vivem no substrato marinho. Em casos extremos pode também interferir na macrofauna e gerar impactos na cadeia alimentar de alguns peixes.
Mais informações:
Professor Alberto Lindner (
Bióloga Cecília Pascelli (
Por Arley Reis / Jornalista da Agecom
Leia também:
Pesquisa comprova presença de corais recifais na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo
Portal reúne informações sobre biodiversidade marinha de Santa Catarina
http://noticias.ufsc.br
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Plásticos do mal
Leitor da CH pergunta: “Os potes plásticos que usamos na cozinha liberam substâncias que fazem mal à saúde?”. Sonia Hess, do Instituto de Química da Universidade Federal de Santa Catarina, responde.
Uma série de estudos – em animais e humanos – já comprovou os riscos para a saúde do plástico em contato com alimentos. Especialista sugere, portanto, que as pessoas pensem duas vezes antes de beber café no copinho plástico, por exemplo. (foto: Sxc.hu) Pergunta enviada por Ivana dos Santos Lara, por correio eletrônico
Sim, alguns tipos de plástico têm substâncias que atuam como interferentes endócrinos, ou seja, modificam o equilíbrio hormonal do corpo, podendo causar danos e doenças. É o caso dos ftalatos, dos alquilfenóis e do bisfenol A – já proibido em vários países e ainda aceito no Brasil.
A exposição e a ingestão dessas substâncias pelo contato com a comida podem provocar inúmeros problemas de saúde. Pesquisas com animais apontam para um aumento dos riscos de desencadear diabetes do tipo 2 e hipertensão, além de distúrbios sexuais.
A exosição do feto a essas substâncias ocasiona alterações de forma em órgãos ligados à reprodução, como útero, vagina, glândulas mamárias e próstata. Experimentos com ratas grávidas e seus filhotes recém-nascidos mostram que a ingestão dessas substâncias resulta ainda em obesidade e mudanças no comportamento, como hiperatividade, aumento da agressividade, problemas de aprendizagem e reação alterada para estímulos de dor ou medo.
Já existem estudos epidemiológicos que comprovam a correlação entre a concentração de bisfenol A no sangue e o desenvolvimento de doenças em seres humanos
Quanto ao bisfenol A, especificamente, é importante destacar que já existem estudos epidemiológicos que comprovam a correlação entre a sua concentração no sangue e o desenvolvimento de doenças em seres humanos, como obesidade; síndrome dos ovários policísticos; hiperplasia do endométrio; diabetes e mau funcionamento do fígado.
As quantidades de bisfenol A, ftalatos ou alquilfenóis existentes em cada tipo de plástico variam de acordo com cada fabricante. A verificação da presença dessas substâncias só é possível com análises químicas em laboratório.
Mas podemos afirmar que quanto maior o tempo de contato com o plástico, a temperatura e o teor de gordura do alimento, maior é a taxa de transferência desses compostos para o interior dos alimentos.
Portanto, o leitor deve pensar duas vezes antes de esquentar potes de plástico no micro-ondas ou beber café no copinho de plástico.
Sonia Hess
Instituto de Química
Universidade Federal de Santa Catarina
http://cienciahoje.uol.com.br/
Uma série de estudos – em animais e humanos – já comprovou os riscos para a saúde do plástico em contato com alimentos. Especialista sugere, portanto, que as pessoas pensem duas vezes antes de beber café no copinho plástico, por exemplo. (foto: Sxc.hu) Pergunta enviada por Ivana dos Santos Lara, por correio eletrônico
Sim, alguns tipos de plástico têm substâncias que atuam como interferentes endócrinos, ou seja, modificam o equilíbrio hormonal do corpo, podendo causar danos e doenças. É o caso dos ftalatos, dos alquilfenóis e do bisfenol A – já proibido em vários países e ainda aceito no Brasil.
A exposição e a ingestão dessas substâncias pelo contato com a comida podem provocar inúmeros problemas de saúde. Pesquisas com animais apontam para um aumento dos riscos de desencadear diabetes do tipo 2 e hipertensão, além de distúrbios sexuais.
A exosição do feto a essas substâncias ocasiona alterações de forma em órgãos ligados à reprodução, como útero, vagina, glândulas mamárias e próstata. Experimentos com ratas grávidas e seus filhotes recém-nascidos mostram que a ingestão dessas substâncias resulta ainda em obesidade e mudanças no comportamento, como hiperatividade, aumento da agressividade, problemas de aprendizagem e reação alterada para estímulos de dor ou medo.
Já existem estudos epidemiológicos que comprovam a correlação entre a concentração de bisfenol A no sangue e o desenvolvimento de doenças em seres humanos
Quanto ao bisfenol A, especificamente, é importante destacar que já existem estudos epidemiológicos que comprovam a correlação entre a sua concentração no sangue e o desenvolvimento de doenças em seres humanos, como obesidade; síndrome dos ovários policísticos; hiperplasia do endométrio; diabetes e mau funcionamento do fígado.
As quantidades de bisfenol A, ftalatos ou alquilfenóis existentes em cada tipo de plástico variam de acordo com cada fabricante. A verificação da presença dessas substâncias só é possível com análises químicas em laboratório.
Mas podemos afirmar que quanto maior o tempo de contato com o plástico, a temperatura e o teor de gordura do alimento, maior é a taxa de transferência desses compostos para o interior dos alimentos.
Portanto, o leitor deve pensar duas vezes antes de esquentar potes de plástico no micro-ondas ou beber café no copinho de plástico.
Sonia Hess
Instituto de Química
Universidade Federal de Santa Catarina
http://cienciahoje.uol.com.br/
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Consumidor não foi ouvido sobre fim das sacolas plásticas em supermercados
SÃO PAULO - A partir desta
quarta-feira, 24, o consumidor vai ter de adicionar um item à sua
trivial comprinha de supermercado: além do cartão de crédito e da lista
de compras, terá de levar de casa recipientes para substituir as
famigeradas sacolas plásticas.
O acordo que deve banir a sacola plástica de quase 90% das redes foi assinado entre a Associação Brasileira de Supermercados (Apas) e o governo do Estado de São Paulo em maio de 2011.
'É louvável que a Apas tenha tomado a iniciativa, mas o Idec entende que não ocorreu o devido processo de conscientização e informação necessário para que o consumidor cumpra sua parte', opina Lisa Gunn, coordenadora executiva do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).
Segundo ela, a ideia de responsabilidade compartilhada - que norteia a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) - inclui a construção de soluções de forma também compartilhada, o que não ocorreu, pois o consumidor não foi incluído no processo.
'O consumidor está cheio de dúvidas. Desde as mais simples, como se deve ou não embalar detergente junto com comida, até questionamentos sobre o valor das sacolas biodegradáveis, que serão fornecidas a R$ 0,19. De onde vem esse valor? Quanto custava a outra sacola, cujo valor estava embutido nos produtos? Esse valor de R$ 0,19 vai subsidiar a compra das sacolas reutilizáveis? Nada disso foi explicado', afirma ela.
De acordo com o diretor de sustentabilidade da Apas, João Sanzovo, pode acontecer de algumas pessoas não quererem aderir à campanha. 'Pode ocorrer, mas, pela experiência que tivemos em Jundiaí, é uma minoria, que não quer sair de sua zona de conforto. Mas, de fato, algumas pessoas vão precisar de ajuda e informação para abandonar a cultura do descarte.'
Opções. Entre as opções que o consumidor terá nos pontos de venda estão as sacolas de algodão, de PET, de ráfia e de polipropileno (todas reutilizáveis), além dos carrinhos de feira (de tecido ou comuns). Mas os especialistas dizem que o melhor é trazer sacolas de casa, pare evitar a compra desnecessária.
'Essa ideia de ter de comprar sacola não corresponde bem à realidade. Todo mundo tem em casa suas sacolas guardadas. Até mesmo aquelas bolsas de palha que se usa para ir à praia podem ser usadas para compras. Ele só vai ter de comprar se esquecer. E se comprar, será uma vez só', diz a gerente de consumo sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Fernanda Daltro.
Sanzovo, da Apas, diz que há uma hierarquia para as opções. 'A primeira providência é trazer de casa. Se não trouxer, o caixa vai oferecer a biocompostável. Se ele não quiser comprar a biocompostável, a loja oferecerá caixa de papelão. Não vamos deixar ninguém sair da loja com as compras sem embalagem.'
Lisa Gunn, do Idec, diz que a falta de clareza pode criar uma tendência de se rechaçar a medida. 'Temos de entender que o processo de consumo sustentável passa pela informação, conscientização e educação do consumidor. Se ele tiver de comprar saco de lixo para pôr no banheiro, há de se perguntar em que o saco de lixo é diferente da sacolinha. Essa resposta não foi dada.'
O acordo que deve banir a sacola plástica de quase 90% das redes foi assinado entre a Associação Brasileira de Supermercados (Apas) e o governo do Estado de São Paulo em maio de 2011.
'É louvável que a Apas tenha tomado a iniciativa, mas o Idec entende que não ocorreu o devido processo de conscientização e informação necessário para que o consumidor cumpra sua parte', opina Lisa Gunn, coordenadora executiva do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).
Segundo ela, a ideia de responsabilidade compartilhada - que norteia a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) - inclui a construção de soluções de forma também compartilhada, o que não ocorreu, pois o consumidor não foi incluído no processo.
'O consumidor está cheio de dúvidas. Desde as mais simples, como se deve ou não embalar detergente junto com comida, até questionamentos sobre o valor das sacolas biodegradáveis, que serão fornecidas a R$ 0,19. De onde vem esse valor? Quanto custava a outra sacola, cujo valor estava embutido nos produtos? Esse valor de R$ 0,19 vai subsidiar a compra das sacolas reutilizáveis? Nada disso foi explicado', afirma ela.
De acordo com o diretor de sustentabilidade da Apas, João Sanzovo, pode acontecer de algumas pessoas não quererem aderir à campanha. 'Pode ocorrer, mas, pela experiência que tivemos em Jundiaí, é uma minoria, que não quer sair de sua zona de conforto. Mas, de fato, algumas pessoas vão precisar de ajuda e informação para abandonar a cultura do descarte.'
Opções. Entre as opções que o consumidor terá nos pontos de venda estão as sacolas de algodão, de PET, de ráfia e de polipropileno (todas reutilizáveis), além dos carrinhos de feira (de tecido ou comuns). Mas os especialistas dizem que o melhor é trazer sacolas de casa, pare evitar a compra desnecessária.
'Essa ideia de ter de comprar sacola não corresponde bem à realidade. Todo mundo tem em casa suas sacolas guardadas. Até mesmo aquelas bolsas de palha que se usa para ir à praia podem ser usadas para compras. Ele só vai ter de comprar se esquecer. E se comprar, será uma vez só', diz a gerente de consumo sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Fernanda Daltro.
Sanzovo, da Apas, diz que há uma hierarquia para as opções. 'A primeira providência é trazer de casa. Se não trouxer, o caixa vai oferecer a biocompostável. Se ele não quiser comprar a biocompostável, a loja oferecerá caixa de papelão. Não vamos deixar ninguém sair da loja com as compras sem embalagem.'
Lisa Gunn, do Idec, diz que a falta de clareza pode criar uma tendência de se rechaçar a medida. 'Temos de entender que o processo de consumo sustentável passa pela informação, conscientização e educação do consumidor. Se ele tiver de comprar saco de lixo para pôr no banheiro, há de se perguntar em que o saco de lixo é diferente da sacolinha. Essa resposta não foi dada.'
Por Karina Ninni, de O Estado de S. Paulo, estadao.com.br
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Criança não vacinada por opção dos pais gera surto de sarampo
Os casos de sarampo registrados no ano passado na cidade de São Paulo
mostram o potencial danoso da opção individual da não vacinação.
Dos 13 casos confirmados no município, dez são ligados. O surto começou em uma creche no Butantã entre seis bebês menores de um ano (idade indicada para a primeira dose contra a doença).
A situação foi potencializada quando o vírus passou para quatro crianças com idades entre cinco e dez anos que não eram imunizadas -apesar de a vacina ser recomendada para a faixa etária.
Segundo orienta o Programa Nacional de Imunização, a primeira dose da tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba) deve ser aplicada aos 12 meses.
Entre os que se vacinam, há um percentual pequeno dos que não ficam protegidos contra as doenças. Há ainda um grupo de pessoas que não pode tomar a vacina.
De acordo com Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, uma menina de seis meses da creche, na zona oeste de São Paulo, teve contato com a prima, de seis anos, que transmitiu a doença a uma colega de cinco anos da escola. "Ela também não era vacinada, porque a família é contra imunizar", diz Barbosa. A menina de cinco anos passou o vírus para os irmãos, de dez e sete anos.
QUESTÃO DE CLASSE
Esse aglomerado de casos foi o único no Brasil a chamar a atenção do ministério em 2011. Até 13 de dezembro, o governo federal registrou 41 casos de sarampo, todos importados ou vinculados aos casos trazidos do exterior.
No Estado de São Paulo, foram 26 casos no ano, 61% deles entre não vacinados, segundo boletim da secretaria estadual de saúde. Entre 2006 e 2010, o Estado não registrou casos da doença.
Barbosa diz que grupos como o citado preocupam porque a última epidemia no país, em 1997, teve presença importante em colégios da alta classe média. Naquele ano, o Brasil teve mais de 53 mil casos registrados de sarampo.
O secretário cita um estudo feito nas capitais, levando em conta o esquema completado de imunização. Segundo a pesquisa, 76% das pessoas de classe A dão as vacinas na época correta. Na classe B, o percentual é de 85%.
"A pessoa diz: 'Meus filhos são bem nutridos, a complicação de sarampo é mais rara'. Mas isso é um certo 'egoísmo social', porque a empregada dela pode transmitir para o filho, que pode ter um caso grave", diz Barbosa.
Renato Kfouri, presidente da Sbim (Associação Brasileira de Imunizações), lembra do impacto social da não vacinação. "Você tem todo o direito de não tomar vacina, mas a opção leva a consequências sociais, para os que não podem tomar vacina, e a maiores gastos do Estado para bloquear o surto."
Monica Tilli, da coordenação de Vigilância em Saúde de São Paulo, conta que o surto de 2011 não se disseminou mais porque a cobertura vacinal é alta. Além disso, segundo ela, a ação da vigilância foi rápida para deter uma circulação maior do vírus.
"Na suspeita, fazemos um bloqueio vacinal entre professores, funcionários e alunos não vacinados. Vamos à escola, ao quarteirão, aos clubes. Você é obrigado a fazer uma 'operação limpeza'."
Tilli calcula ter gasto 4.000 doses de vacina nesse caso.
POR OPÇÃO
A designer Ana Maria Lucas Fachina, 46, de São Paulo, só deu vacinas para sua filha Ana Beatriz, hoje com nove anos, até os quatro meses.
Ela conta que, nessa época, começou a se aproximar dos princípios da medicina antroposófica, que defende o uso de medicamentos alopáticos só em emergências.
"As infecções acontecem quando o corpo tem baixa defesa. Nosso estilo de vida inclui cuidados na alimentação, observação dos ritmos naturais do corpo, atenção e carinho. O corpo dela está em perfeitas condições para se defender", afirma.
Fachina diz que, mesmo em caso de surtos de doenças como o sarampo, não vacinaria a filha. "As doenças da infância são importantes para a criança criar resistência. Ninguém pode ser obrigado a tomar um medicamento contra sua vontade."
JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA
Colaborou THIAGO FERNANDES
http://www1.folha.uol.com.br
Dos 13 casos confirmados no município, dez são ligados. O surto começou em uma creche no Butantã entre seis bebês menores de um ano (idade indicada para a primeira dose contra a doença).
A situação foi potencializada quando o vírus passou para quatro crianças com idades entre cinco e dez anos que não eram imunizadas -apesar de a vacina ser recomendada para a faixa etária.
Segundo orienta o Programa Nacional de Imunização, a primeira dose da tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba) deve ser aplicada aos 12 meses.
Entre os que se vacinam, há um percentual pequeno dos que não ficam protegidos contra as doenças. Há ainda um grupo de pessoas que não pode tomar a vacina.
De acordo com Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, uma menina de seis meses da creche, na zona oeste de São Paulo, teve contato com a prima, de seis anos, que transmitiu a doença a uma colega de cinco anos da escola. "Ela também não era vacinada, porque a família é contra imunizar", diz Barbosa. A menina de cinco anos passou o vírus para os irmãos, de dez e sete anos.
QUESTÃO DE CLASSE
Esse aglomerado de casos foi o único no Brasil a chamar a atenção do ministério em 2011. Até 13 de dezembro, o governo federal registrou 41 casos de sarampo, todos importados ou vinculados aos casos trazidos do exterior.
No Estado de São Paulo, foram 26 casos no ano, 61% deles entre não vacinados, segundo boletim da secretaria estadual de saúde. Entre 2006 e 2010, o Estado não registrou casos da doença.
Barbosa diz que grupos como o citado preocupam porque a última epidemia no país, em 1997, teve presença importante em colégios da alta classe média. Naquele ano, o Brasil teve mais de 53 mil casos registrados de sarampo.
O secretário cita um estudo feito nas capitais, levando em conta o esquema completado de imunização. Segundo a pesquisa, 76% das pessoas de classe A dão as vacinas na época correta. Na classe B, o percentual é de 85%.
"A pessoa diz: 'Meus filhos são bem nutridos, a complicação de sarampo é mais rara'. Mas isso é um certo 'egoísmo social', porque a empregada dela pode transmitir para o filho, que pode ter um caso grave", diz Barbosa.
Renato Kfouri, presidente da Sbim (Associação Brasileira de Imunizações), lembra do impacto social da não vacinação. "Você tem todo o direito de não tomar vacina, mas a opção leva a consequências sociais, para os que não podem tomar vacina, e a maiores gastos do Estado para bloquear o surto."
Monica Tilli, da coordenação de Vigilância em Saúde de São Paulo, conta que o surto de 2011 não se disseminou mais porque a cobertura vacinal é alta. Além disso, segundo ela, a ação da vigilância foi rápida para deter uma circulação maior do vírus.
"Na suspeita, fazemos um bloqueio vacinal entre professores, funcionários e alunos não vacinados. Vamos à escola, ao quarteirão, aos clubes. Você é obrigado a fazer uma 'operação limpeza'."
Tilli calcula ter gasto 4.000 doses de vacina nesse caso.
POR OPÇÃO
A designer Ana Maria Lucas Fachina, 46, de São Paulo, só deu vacinas para sua filha Ana Beatriz, hoje com nove anos, até os quatro meses.
Ela conta que, nessa época, começou a se aproximar dos princípios da medicina antroposófica, que defende o uso de medicamentos alopáticos só em emergências.
"As infecções acontecem quando o corpo tem baixa defesa. Nosso estilo de vida inclui cuidados na alimentação, observação dos ritmos naturais do corpo, atenção e carinho. O corpo dela está em perfeitas condições para se defender", afirma.
Fachina diz que, mesmo em caso de surtos de doenças como o sarampo, não vacinaria a filha. "As doenças da infância são importantes para a criança criar resistência. Ninguém pode ser obrigado a tomar um medicamento contra sua vontade."
JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA
Colaborou THIAGO FERNANDES
http://www1.folha.uol.com.br
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Coleta inteligente
Com o crescimento econômico e o avanço tecnológico dos últimos anos, cresceu também a quantidade de lixo produzido nas cidades. Hoje o grande desafio é reaproveitar esses resíduos, a começar pela coleta seletiva – e pelo reconhecimento dos trabalhadores responsáveis por ela. Um projeto piloto da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com catadores do município e pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), dá os primeiros passos nessa direção.
Batizado Forager, o projeto conta com um GPS (sigla em inglês de sistema de posicionamento global) para mapear as rotas percorridas diariamente por catadores de uma cooperativa paulista. A ferramenta registra informações como os pontos de coleta e o tipo de material reciclável. Paralelamente, um sistema on-line permite que comunidade local e empresas estejam em contato com os coletores, ‘doando’ resíduos via celular ou site – cujo acesso está restrito ao grupo.
“Nós estamos usando tecnologia em tempo real para tornar a gestão de resíduos mais participativa e eficiente”“Nós estamos usando tecnologia em tempo real para tornar a gestão de resíduos mais participativa e eficiente. A ideia é ajudar, com tecnologias baratas, uma cooperativa de recicladores informais a documentar seus conhecimentos e melhorar suas operações”, avalia Dietmar Offenhuber, pesquisador do Senseable City Lab, do Departamento de Planejamento e Estudos Urbanos do MIT.
Suporte aos catadores
O pontapé inicial para o Forager foi dado pela professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Maria Cecília Loschiavo. Desde 2003, ela ministra a disciplina ‘Design para a sustentabilidade’, na qual se estuda desde o descarte até o manejo do lixo e se discute o papel dos catadores nesse processo que leva à reciclagem.
A iniciativa teve o apoio da cooperativa de catadores que atua na zona oeste do município paulista, a Coopamare, para a qual o Forager foi desenvolvido – e, mais recentemente, da equipe do MIT. Esse grupo de pesquisadores desenvolveu em 2009 um projeto ligado ao sensoriamento do lixo na cidade de Seattle, nos Estados Unidos. O objetivo era acompanhar o trajeto de 3 mil objetos descartados até seu destino final por meio de um sensor anexado a eles.
Offenhuber (no centro), Loshiavo (de óculos, à direita) e catadores na sede da Coopamare, cooperativa paulista. Projeto da USP defende que conhecimento de catadores sobre manejo do lixo poderá inspirar políticas públicas sustentáveis. (foto: Coopamare)
“O resultado dessa experiência nos surpreendeu muito e pensamos em transformá-la de alguma forma num sistema de reciclagem informal”, lembra Offenhuber. Estudando a nova lei brasileira sobre resíduos sólidos, o pesquisador observou que ela oferece uma série de incentivos para as cooperativas expandirem suas operações. Mas o maior desafio, que é organizar e formalizar suas atividades, ainda precisava ser superado.
“Nós descobrimos que documentar o processo de coleta e compartilhá-lo com a comunidade geraria dados valiosos – sobre rotas, materiais, tráfego – com o mínimo de esforço”, conta. “A ampliação dessa base de dados vai ajudar os coletores no treinamento de novos cooperados e também na gestão de suas operações, feitas por carrinho ou caminhão”, adianta.
Mais conhecimento para gestão sustentável
Para Loschiavo, os ganhos vão além. Ela defende que, mais do que sistematizar a coleta, o trunfo do projeto é estender o conhecimento que universidade e comunidade têm sobre resíduos e descarte do lixo nas cidades.
“Os dados que temos atualmente sobre produção e manejo de resíduos ainda são poucos e pouco consolidados”, pondera. “Esse trabalho conjunto poderá ajudar no desenho de políticas públicas para a gestão sustentável do lixo”, prevê a pesquisadora.
“Esse trabalho conjunto poderá ajudar no desenho de políticas públicas para a gestão sustentável do lixo”No final do ano passado, houve uma reunião na Coopamare para apresentar aos catadores os primeiros resultados do Forager em funcionamento. Pesquisadores da USP e do MIT mostraram a eles, em mapas, tudo o que vem sendo sistematizado para facilitar seu trabalho de coleta. “Nosso objetivo é que esses catadores possam se reconhecer nesse processo, que tenham seu trabalho valorizado e sejam respeitados enquanto cidadãos”, conclui Loschiavo.
Carolina Drago
Ciência Hoje On-line
Dente, menstruação e até gordurinhas podem ser doados para ajudar a ciência
Os "resíduos" podem ser encaminhados para centros de pesquisa, onde são usados principalmente em estudos com células-tronco.
Essa modalidade de doação, no entanto, é quase desconhecida no Brasil. Os cientistas precisam se desdobrar para que as pesquisas não parem por falta de material.
O esforço inclui não ter vergonha de pedir para participar do parto de desconhecidos. "Uma vez, fui trocar um presente e reparei que a vendedora estava grávida. Pensei logo na minha pesquisa e falei sobre a doação", conta Patrícia Beltrão Braga, pesquisadora da USP.
"A placenta e o cordão umbilical são normalmente descartados como lixo hospitalar depois do parto", diz a cientista. "Pedimos para usar isso que já vai ser jogado fora mesmo."
Além do trabalho com placentas, o Laboratório de Células-Tronco da Faculdade de Veterinária da USP, que ela comanda, também faz pesquisas com dentes de leite. As células-tronco da polpa do dente podem ser transformadas em neurônios: um modelo perfeito para estudar doenças como o autismo.
GORDURINHAS
Outra interessada em material descartado é a geneticista Natássia Vieira, pesquisadora de Harvard e da USP que vasculha o tecido adiposo em busca da cura para doenças degenerativas, como a distrofia muscular.
Em meio à gordurinha do abdome e do culote, escondem-se células-tronco com poderosa ação regeneradora.
"Quando explicamos a pesquisa, a maioria das pessoas doa. Infelizmente, ainda tem gente que parece ter apego à célula e que acha que vamos usar o material recolhido para fazer um clone", brinca a pesquisadora.
No Centro de Estudos do Genoma Humano, onde é feito esse trabalho, há muito mais células que interessam aos cientistas.
Em busca de células-tronco mesenquimais, a dupla Marcos Valadares e Mayra Vitor Pelatti tem o difícil trabalho de convencer mulheres a doar seu sangue menstrual.
Os pesquisadores garantem que o processo é simples. "É só usar um coletor menstrual, que é um copinho, por duas ou três horas e depois colocar o sangue em um pote com antibiótico que nós fornecemos. Não é tão diferente de usar um absorvente interno", diz Pelatti.
COMO DOAR
Em geral, os laboratórios têm os contatos e as informações básicas em seus sites (veja quadro ao lado). Muitas vezes, é enviado ao doador um kit com material. É preciso assinar um documento autorizando a doação.
Com cordão umbilical e placenta, os pesquisadores precisam ser informados da previsão do parto para ficar de plantão, uma vez que a coleta precisa ser feita até uma hora após o nascimento.
Os cientistas costumam ter parcerias com hospitais. Mas eles reafirmam a importância do doador individual.
"A pesquisa só acontece porque as pessoas doam, isso é um ato de amor e solidariedade", define Braga.
GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO
http://www1.folha.uol.com.br
domingo, 8 de janeiro de 2012
Mosquito da dengue já resiste a inseticida, mostra estudo
A lógica de que exagerar na dose de analgésicos pode tornar a pessoa mais resistente à dor se aplica ao veneno para o controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue.
Uma pesquisa da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu aponta que o emprego excessivo de inseticidas, tanto o aplicado pelas prefeituras quanto os usados em casa, induz o mosquito a ter uma resistência genética maior ao veneno.
O trabalho fez o mapeamento genético de 95 mosquitos em sete cidades paulistas, com diferentes incidências de casos de dengue.
Em laboratório, também foi avaliado como o organismo das larvas do inseto respondia ao veneno.
MAPEAMENTO
A resistência dos insetos a diferentes venenos já vem sendo mapeada pelo Ministério da Saúde e por órgãos estaduais. Em São Paulo, o acompanhamento é feito pela Sucen (Superintendência de Controle de Endemias).
O estudo também toma por base a série histórica dos dados de resistência, catalogados desde 1996 em diferentes cidades pela Sucen.
A estimativa aponta, por exemplo, que, enquanto em Marília, com poucos registros de dengue, os inseticidas públicos matavam ao menos 80% dos mosquitos, em Santos a taxa de sucesso chegava à metade em alguns casos.
"É preciso periodicamente analisar a eficácia, porque a resistência é um processo. O que é bom hoje pode não ser no próximo verão", diz Maria de Lourdes Macoris, que trabalha na Sucen de Marília e é autora do estudo.
Em laboratório, foram selecionadas cerca de 150 larvas do mosquito para cada cidade estudada. Nessa fase, a da análise bioquímica, o metabolismo das larvas mais resistentes ao inseticida mostrou maior atividade das enzimas do grupo das esterases, ligadas à capacidade de neutralizar o veneno.
O estudo também analisou o material genético de 95 mosquitos, nascidos de ovos obtidos em cada um dos municípios escolhidos.
Segundo a pesquisadora, o material genético de cada grupo de mosquito variou muito, o que revelou um baixo fluxo gênico, ou seja, pouca mistura entre as diferentes populações do inseto.
VARIADO
Como a genética do Aedes revelou ser muito variada de uma localidade para outra, isso indica, de acordo com Macoris, que o mosquito tende a se estabilizar em cada local e a desenvolver diferentes níveis de resistência a inseticidas, conforme a exposição do animal à substância.
Órgãos públicos já controlam o veneno, diz a pesquisadora, mas a orientação é que, dentro de casa, o uso seja moderado. "Ainda existe essa cultura nas pessoas de acreditar na eficácia do inseticida em casa", afirma.
O Ministério da Saúde também alerta para o uso doméstico exagerado de inseticidas contra o mosquito.
Há 12 anos, o governo criou um sistema de monitoramento da eficácia dos venenos aplicados. Vinte cidades paulistas foram selecionadas.
A cada dois anos, as prefeituras recolhem ovos do mosquito para serem analisados em laboratórios da rede pública de saúde. O veneno é trocado sempre que a taxa de resistência fica muito alta.
JULIANA COISSI
DE RIBEIRÃO PRETO
http://www.uol.com.br/
Uma pesquisa da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu aponta que o emprego excessivo de inseticidas, tanto o aplicado pelas prefeituras quanto os usados em casa, induz o mosquito a ter uma resistência genética maior ao veneno.
O trabalho fez o mapeamento genético de 95 mosquitos em sete cidades paulistas, com diferentes incidências de casos de dengue.
Em laboratório, também foi avaliado como o organismo das larvas do inseto respondia ao veneno.
MAPEAMENTO
A resistência dos insetos a diferentes venenos já vem sendo mapeada pelo Ministério da Saúde e por órgãos estaduais. Em São Paulo, o acompanhamento é feito pela Sucen (Superintendência de Controle de Endemias).
O estudo também toma por base a série histórica dos dados de resistência, catalogados desde 1996 em diferentes cidades pela Sucen.
A estimativa aponta, por exemplo, que, enquanto em Marília, com poucos registros de dengue, os inseticidas públicos matavam ao menos 80% dos mosquitos, em Santos a taxa de sucesso chegava à metade em alguns casos.
"É preciso periodicamente analisar a eficácia, porque a resistência é um processo. O que é bom hoje pode não ser no próximo verão", diz Maria de Lourdes Macoris, que trabalha na Sucen de Marília e é autora do estudo.
Em laboratório, foram selecionadas cerca de 150 larvas do mosquito para cada cidade estudada. Nessa fase, a da análise bioquímica, o metabolismo das larvas mais resistentes ao inseticida mostrou maior atividade das enzimas do grupo das esterases, ligadas à capacidade de neutralizar o veneno.
O estudo também analisou o material genético de 95 mosquitos, nascidos de ovos obtidos em cada um dos municípios escolhidos.
Segundo a pesquisadora, o material genético de cada grupo de mosquito variou muito, o que revelou um baixo fluxo gênico, ou seja, pouca mistura entre as diferentes populações do inseto.
VARIADO
Como a genética do Aedes revelou ser muito variada de uma localidade para outra, isso indica, de acordo com Macoris, que o mosquito tende a se estabilizar em cada local e a desenvolver diferentes níveis de resistência a inseticidas, conforme a exposição do animal à substância.
Órgãos públicos já controlam o veneno, diz a pesquisadora, mas a orientação é que, dentro de casa, o uso seja moderado. "Ainda existe essa cultura nas pessoas de acreditar na eficácia do inseticida em casa", afirma.
O Ministério da Saúde também alerta para o uso doméstico exagerado de inseticidas contra o mosquito.
Há 12 anos, o governo criou um sistema de monitoramento da eficácia dos venenos aplicados. Vinte cidades paulistas foram selecionadas.
A cada dois anos, as prefeituras recolhem ovos do mosquito para serem analisados em laboratórios da rede pública de saúde. O veneno é trocado sempre que a taxa de resistência fica muito alta.
JULIANA COISSI
DE RIBEIRÃO PRETO
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sábado, 31 de dezembro de 2011
Código Florestal: Ainda não foi neste ano
O novo Código
Florestal, documento que define os direitos de propriedade e as restrições de
uso de áreas verdes no país, tramita no Congresso há 12 anos sem resolução
final. (ilustração: Sofia Moutinho)
O ano de 2011 chegou ao fim e o novo Código Florestal, em tramitação na
Câmara dos Deputados há quase 12 anos, não teve sua versão final decidida. Já
aprovado pelo Senado, o documento, que foi avaliado pelo menos sete vezes só
este ano, deve seguir para votação final dos deputados depois do recesso
parlamentar, no dia 5 de março de 2012.Durante todo o ano, as mudanças feitas no documento causaram polêmica e desagradaram tanto ambientalistas quanto ruralistas. A comunidade científica também manifestou sua desaprovação e, em abril, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) apresentaram à Câmara um relatório apontando as inconsistências científicas da nova legislação.
Representantes das instituições pediram o adiamento da votação do projeto por dois anos, período que deveria ser usado para avaliar, à luz da ciência, os efeitos que o novo código provocaria no meio ambiente e na agricultura. O pedido foi negado e o documento, aprovado pelos deputados em maio.
Entre as medidas aprovadas na Câmara está a desobrigação de
pequenos produtores rurais de reconstituir a reserva legal desmatada
Entre as medidas aprovadas na Câmara que mais desagradaram a comunidade
científica e os ambientalistas estão: a desobrigação de pequenos produtores
rurais de reconstituir a reserva legal desmatada, a anistia concedida a todos
que tiverem consolidado atividades agrícolas e de ecoturismo em áreas de
preservação permanente (APPs) antes de 2008 e a possibilidade
de estados e municípios estipularem regras para produção nessas áreas.Diante desse cenário, a SBPC, que tardou a se manifestar sobre o Código Florestal, entrou com um pedido no Senado para que a Comissão de Ciência e Tecnologia (CTT) participasse da avaliação do documento dos deputados.
Em agosto, o pedido foi aceito e representantes da SBPC participaram de audiências públicas no Senado para debater o código. No entanto, das 83 emendas propostas pela comissão, foi aprovada apenas uma, que estabeleceu que as propriedades rurais irregulares em APPs não precisarão recuperar integralmente a área desmatada, mas somente o que for estabelecido pelo Programa de Regulamentação Ambiental, a ser criado quando a lei entrar em vigor.
“O nosso grupo de trabalho teve um papel muito importante na adição da CCT nas discussões do Código Florestal”, diz o secretário da SBPC, José Antônio Aleixo. “Estudamos profundamente o código e colocamos nossas considerações, fundamentadas na ciência e tecnologia, nas mãos de todos os senadores. Se não as consideraram, a responsabilidade passa a ser deles.”
Confira alguns dos principais conceitos por trás do Código Florestal. Clique na imagem para ampliá-la. (ilustração: Sofia Moutinho)
No Senado, o texto dos deputados foi modificado em
dezembro e trouxe medidas de impacto para o meio ambiente. O novo texto passou a permitir a exploração de 10% dos
apicuns (parte dos manguezais) na Amazônia e 35% nos demais biomas para
atividades como a criação de camarão. A proteção dos manguezais era uma das
preocupações expressas pela SBPC em documento enviado ao Senado no meio do ano.
O texto do Senado também estabeleceu que metade da reserva legal desmatada por grandes proprietários rurais poderia ser replantada com espécies exóticas e incluiu um capítulo sugerindo a criação de mecanismos de incentivo fiscal para auxiliar os proprietários irregulares inscritos no Programa de Regulamentação Ambiental a recompor as áreas desflorestadas.
Ainda assim, os integrantes do grupo de trabalho da SBPC acreditam que o
texto do Senado é melhor que o da Câmara. “Houve melhoria, não podemos negar que
alguns aspectos modificados representaram avanços; foram tímidos, mas pelo menos
foram feitos”, afirma o biólogo Ricardo Ribeiro Rodrigues, da Escola Superior de
Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (USP).
Uma das melhorias teria sido a criação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que tem por finalidade integrar as informações ambientais de todas as propriedades rurais. Depois do código em vigor, os proprietários rurais teriam um ano para se cadastrar no CAR e, passados cinco anos, apenas os cadastrados sem irregularidades poderiam receber créditos agrícolas de instituições financeiras oficiais.
Outro ponto de avanço seria o pagamento por serviços ambientais para incentivar a recomposição de APPs e reservas legais. Proprietários que replantassem e promovessem a manutenção de florestas ganhariam uma compensação financeira.
“Há uma tendência muito forte para que os avanços conseguidos no Senado sejam anulados pelo discurso de alguns deputados ruralistas de influência”, comenta Rodrigues.
A desconfiança do biólogo é reforçada pela recente mudança de relator do projeto do código, que passou do deputado federal Aldo Rebelo para o também deputado Paulo Piau, autor da emenda que daria aos estados e municípios poder de decisão sobre as APPs em casos de utilidade pública.
“O relator escolhido é um deputado diretamente ligado ao agronegócio; sinceramente, não acredito que o documento que saiu do Senado vá ser aprovado na Câmara sem modificações”, diz Aleixo. “Só esperamos que não sejam mudanças significativas e, se forem, que sejam vetadas pela presidente Dilma.”
Só nos resta esperar 2012 para ver o fim desse impasse.
Sofia MoutinhoCiência Hoje On-line
O texto do Senado também estabeleceu que metade da reserva legal desmatada por grandes proprietários rurais poderia ser replantada com espécies exóticas e incluiu um capítulo sugerindo a criação de mecanismos de incentivo fiscal para auxiliar os proprietários irregulares inscritos no Programa de Regulamentação Ambiental a recompor as áreas desflorestadas.
Prós, contras e perspectivas
Ainda assim, os integrantes do grupo de trabalho da SBPC acreditam que o
texto do Senado é melhor que o da Câmara. “Houve melhoria, não podemos negar que
alguns aspectos modificados representaram avanços; foram tímidos, mas pelo menos
foram feitos”, afirma o biólogo Ricardo Ribeiro Rodrigues, da Escola Superior de
Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (USP).Uma das melhorias teria sido a criação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que tem por finalidade integrar as informações ambientais de todas as propriedades rurais. Depois do código em vigor, os proprietários rurais teriam um ano para se cadastrar no CAR e, passados cinco anos, apenas os cadastrados sem irregularidades poderiam receber créditos agrícolas de instituições financeiras oficiais.
Outro ponto de avanço seria o pagamento por serviços ambientais para incentivar a recomposição de APPs e reservas legais. Proprietários que replantassem e promovessem a manutenção de florestas ganhariam uma compensação financeira.
No ano que vem, os deputados poderão aceitar ou não as
mudanças propostas pelos senadores e o novo código seguirá para sanção ou veto
da presidência
No ano que vem, os deputados poderão aceitar ou não, total ou parcialmente,
as mudanças propostas pelos senadores e o novo código seguirá para sanção ou
veto da presidente Dilma Roussef. Representantes da comunidade científica temem
que as melhorias do Senado sejam vetadas na Câmara.“Há uma tendência muito forte para que os avanços conseguidos no Senado sejam anulados pelo discurso de alguns deputados ruralistas de influência”, comenta Rodrigues.
A desconfiança do biólogo é reforçada pela recente mudança de relator do projeto do código, que passou do deputado federal Aldo Rebelo para o também deputado Paulo Piau, autor da emenda que daria aos estados e municípios poder de decisão sobre as APPs em casos de utilidade pública.
“O relator escolhido é um deputado diretamente ligado ao agronegócio; sinceramente, não acredito que o documento que saiu do Senado vá ser aprovado na Câmara sem modificações”, diz Aleixo. “Só esperamos que não sejam mudanças significativas e, se forem, que sejam vetadas pela presidente Dilma.”
Só nos resta esperar 2012 para ver o fim desse impasse.
Sofia MoutinhoCiência Hoje On-line
domingo, 18 de dezembro de 2011
Da ficção à realidade escolar
Cena de ‘Perfume: a história de um assassino’, filme baseado no livro homônimo do escritor alemão Patrick Süskind que conta a história de um jovem que comete assassinatos para capturar o odor de suas vítimas em busca do perfume perfeito.
Explorar recursos que vão além de quadro negro e giz em sala de aula é um desafio constante para os professores. Alguns apostam no poder do vídeo e recorrem à exibição de documentários – muito usados no aprendizado de disciplinas como história, geografia e ciências em geral. Mas e os filmes comerciais, mais requisitados pelo público nos cinemas, têm espaço entre as ferramentas didáticas?
As professoras de química Kátia Aquino, do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco, e Paloma dos Santos, da Escola Estadual Eneida Rabello, também em Pernambuco, mostram que o cinema pode ser um aliado no ensino dessa disciplina. A partir do filme Perfume: a história de um assassino, de 2006, elas trabalharam conceitos relacionados a bioquímica e química orgânica com duas turmas do 3º ano do ensino médio. A prática foi descrita em um artigo publicado na revista Química Nova na Escola.
“Os
estudantes do ensino médio permitem uma abordagem mais aprofundada do
cinema como proposta pedagógica”
“Geralmente as aulas de ciências se apoiam em documentários, mas
nossa ideia era propor algo que realmente motivasse os alunos e fosse
diferente do padrão”, conta Aquino. “Queríamos mostrar as
potencialidades de um filme como recurso didático, de acordo com os
interesses do nosso público-alvo. Os estudantes do ensino médio permitem
uma abordagem mais aprofundada do cinema como proposta pedagógica.”O longa-metragem escolhido é baseado no livro homônimo do escritor alemão Patrick Süskind e conta a história de um jovem que tem a habilidade de identificar todos os odores do mundo, mas não tem cheiro no próprio corpo. Com essa descoberta, ele começa a buscar uma forma de capturar odores e inicia uma série de assassinatos na tentativa de produzir o perfume perfeito.
“O filme é rico em referências à fabricação e aos processos de extração de perfumes, mostra aparelhagens de laboratório e demonstra a química das sensações e a captura dos odores”, exemplifica Santos. “Além disso, suas cenas trazem para a discussão conceitos históricos, físicos e biológicos, permitindo um trabalho interdisciplinar.”
Cenas inspiram atividades
Perfume foi usado como ponto de partida para algumas atividades propostas a dois grupos de cerca de 30 alunos cada – um orientado por Aquino e outro por Santos. “Decidimos o assunto a ser trabalhado e a escolha do filme se deu naturalmente, pois nós duas já conhecíamos seu enredo”, conta Aquino.As professoras criaram uma tabela com os temas que poderiam ser abordados a partir de algumas cenas. Elas sugerem, por exemplo, trabalhar a descrição das sensações com base na cena em que o protagonista tenta nomear os cheiros (que se passa aos 11 minutos). A partir da cena em que dois personagens montam um aparelho para extrair uma essência (exibida aos 49 minutos), elas propõem abordar destilação, condensação e processos físicos de extração.
Durante a prática, os estudantes discutiram aspectos químicos e sociais do filme, revisaram conceitos e fizeram leituras ligadas à química dos odores e à bioquímica dos perfumes. Depois, realizaram uma tarefa escrita, composta de três questões. Uma delas, cujo resultado está descrito no artigo, pedia para que formulassem uma explicação química para uma sequência de cenas em que se executa um processo de extração.
“Nossa experiência mostrou que a utilização de um filme comercial também é muito rica, não só por promover uma aula mais dinâmica, mas por formar cidadãos críticos e reflexivos”, avalia Aquino. Na escola estadual, por exemplo, partiu dos alunos a ideia da avaliação final: produzir histórias em quadrinhos sobre o que tinham aprendido.
Tirinha criada por um grupo de alunos da Escola Estadual Eneida Rabello sobre os conceitos de química debatidos em sala. A ideia da atividade foi proposta pelos próprios estudantes e desenvolvida por meio do ‘site’ Strip Generator, que permite a criação de histórias em quadrinhos ‘on-line’.
Apesar dos benefícios dessa proposta, as professoras ressaltam que alguns desafios – e preconceitos – precisam ser superados para que ela seja admitida como recurso didático. “Ainda existe uma resistência dos professores em adotar o cinema como ferramenta para o ensino da química e de outras ciências”, ponderam.
As professoras esperam que a divulgação de seu trabalho ajude a colocar essa questão em debate e a vencer esse obstáculo. “Os alunos se interessam por explicações sobre os fenômenos que os cercam; os professores só precisam estar inteirados da atualidade”, argumenta Aquino. E completa: “Levar a tecnologia para a sala de aula possibilita uma aprendizagem com mais significados”.
Carolina Drago
Ciência Hoje On-line
http://cienciahoje.uol.com.br
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Diálogos Capitais - Antonio Nobre - Parte 1
A participação do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia no debate "O Brasil e a energia do amanhã", promovido por CartaCapital e pela revista digital Envolverde
Parte 1-
Parte 2-
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